AGRESSÃO
Prefeito volta a atacar o JP
Balardin agora usou suas redes sociais. Entidades do setor condenam postura
Ontem, usando seus perfis nas redes sociais, o prefeito de Cachoeira do Sul, Leandro Balardin, voltou a atacar o Jornal do Povo, a rádio GVC.fm e seus diretores com o adjetivo de “covardes”, agora explicando que é porque não tem espaço para falar nos veículos. Simultaneamente, cinco entidades representativas da imprensa gaúcha e nacional prestaram solidariedade aos veículos cachoeirenses e repudiaram a atitude do prefeito.
Sexta-feira passada, de forma agressiva, Balardin gritou várias vezes a palavra “covarde” por volta das 6h da manhã em frente ao prédio do JP, na calçada da Rua7 de Setembro, sem justificar a agressão. Agora, em vídeo publicado no Instagram e no Facebook, o prefeito usou o mesmo adjetivo.
“São covardes porque não me dão espaço para falar”, disse Balardin, ameaçando os veículos de ações judiciais. Ele também agradeceu às manifestações de apoio que recebeu de seus seguidores em seus perfis, dizendo que não são perfis falsos nem efeito de uma milícia digital.
Apesar disso, entre esses comentários há dezenas de pessoas com cargos comissionados na Prefeitura que são, inclusive, convocados pelo prefeito para se manifestarem nas redes sociais, assim como seus parentes. Uma análise mais cuidadosa identitifica facilmente também vários perfis fakes falando bem e defendendo o prefeito.
SOLIDARIEDADE
A agressão do prefeito ao grupo que mantém o único jornal impresso da cidade e a emissora de rádio campeã de audiência, segundo todas as pesquisas feitas pela Casa Brasil Editores, teve uma reação em cadeia das principais entidades que representam a imprensa no país. Na página ao lado, cinco entidades assinam uma nota conjunta condenando a postura do prefeito.
IMPORTANTE
No vídeo de ontem, o prefeito se queixa de 10 meses e 8 dias de agressão continuada contra ele e volta a insistir na narrativa que isso acontece porque seu governo deixou de anunciar no JP e na GVC. Deixou de dizer, entretanto, que praticamente nenhuma informação distribuída pela assessoria de comunicação da Prefeitura deixou de ser publicada pelo jornal, de 1º de janeiro até ontem. No vídeo, Balardin não diz também que nos primeiros dias de seu governo autorizou anúncios institucionais da Prefeitura nos veículos, mas suspendeu a publicidade porque não gostou de críticas a seu governo, tentando condicionar os anúncios à subserviência editorial do jornal e da rádio.
PARA SABER MAIS
O que disseram os líderes das entidades de imprensa

Manifesto minha solidariedade não apenas à direção e aos colaboradores do Jornal do Povo e da Rádio GVC.fm, mas também à sociedade de Cachoeira do Sul, que tem nesses veículos pilares fundamentais da comunicação local, regional e estadual. Não podemos aceitar qualquer forma de cerceamento à liberdade de imprensa e ao trabalho dos veículos de comunicação. Esperamos que essa situação seja superada e fique no passado, em benefício de toda a comunidade cachoeirense.
José Maria Rodrigues Nunes, presidente da Associação Rio-grandense de Imprensa

Como representante dos principais veículos de comunicação do interior do estado, testemunhamos a trajetória de qualidade, relevância e seriedade do Jornal do Povo e da Rádio GVC.fm, que há décadas prestam inestimável serviço à população de Cachoeira do Sul. Manifestamos, assim, nosso irrestrito apoio à direção e aos colaboradores desses veículos diante da campanha desrespeitosa de que são alvo, reafirmando nossa confiança no jornalismo responsável e no diálogo como pilares essenciais das relações democráticas.
Patrícia Cerutti, presidenta da Associação dos Grupos Regionais de Comunicação do RS (ADI RS)

“O Sindijore RS reafirma seu compromisso com a liberdade de imprensa e o direito da sociedade à informação, princípios fundamentais para a manutenção da democracia e do Estado de direito. A atuação livre e independente dos meios de comunicação é essencial para garantir transparência, pluralidade de ideias e fortalecimento das instituições. Qualquer forma de censura, intimidação ou tentativa de restringir o trabalho jornalístico representa uma ameaça direta à democracia e ao direito do cidadão de ser informado”.
André Jungblut, presidente do Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas no Estado do Rio Grande do Sul

“Por natureza, a atividade jornalística pressupõe a vigilância e a visão crítica sobre os poderes públicos. Compreender esse papel fundamental do jornalismo, mesmo quando eventualmente desagrade aos governantes, é um princípio básico da defesa da liberdade de imprensa “
Marcelo Rech, presidente da Associação Nacional dos Jornais
Duas perguntas

O prefeito não pode falar na rádio GVC.fm?
A última vez que o prefeito Leandro Balardin falou na emissora foi na manhã do dia 28 de março, no programa Redação GVC, isso depois de ter participado do quadro De Frente com o Prefeito, onde a rádio abria espaço para que ele passasse seu governo a limpo de forma gratuita, a exemplo do que era feito com gestores em governos passados. Naquele dia, incomodado com os comentários da bancada de radialistas sobre o episódio em que a Prefeitura não pediu recursos da Defesa Civil devido à seca, ele ligou e pediu espaço para dar sua opinião, sendo atendido pelo âncora do programa, Júlio Mahfus. O que se ouviu, porém, foi um festival de desaforos aos profissionais e à emissora, acusando o Jornal do Povo na época de propagar “informações inverídicas”, quando havia sido noticiado que seu governo não buscaria ajuda federal em virtude da seca. “Não admito rótulos mentirosos dizendo que não estamos buscando ajuda. Que todos ouvintes saibam que é mentira que não pediremos ajuda”. Dias depois, o governo fez uma reunião sobre o assunto e decidiu não buscar recursos, justamente como o jornal antecipou. Depois de falar o que quis, Balardin bateu o telefone, sem aceitar réplica. Desde então, o prefeito não é mais convidado a participar do programa.
O prefeito não é ouvido pelo Jornal do Povo?
Pelo contrário. Balardin é sistematicamente solicitado pelos repórteres para dar informações e suas versões sobre os atos de governo, mas ele dificulta bastante o diálogo. O prefeito inclusive proibiu seu secretariado de dar entrevistas ao jornal. Todos exigem que os temas das entrevistas sejam encaminhados para a assessoria de comunicação da Prefeitura, que ao final acaba distribuindo a informação solicitada pelo jornal a todos os veículos de imprensa. No print ao lado estão as duas últimas tentativas de entrevistar o prefeito, feitas nas terça e sexta-feiras-passadas. Na primeira ele não respondeu e na segunda sequer visualizou.
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