Marcos Fontoura só tem horário para acordar, mas nunca sabe quando vai comer e dormir
As experiências de um transportador de pacientes do SUS
VIDA DE MOTORISTA
Acordar cedo, dormir tarde, não ter horário definido para alimentar-se, e conviver diariamente com a insegurança das rodovias, ficar longe da família... Este é o cotidiano de boa parte dos que optam por estar sempre conhecendo pessoas e lugares diferentes. É a rotina dos motoristas profissionais e, entre eles, Marcos Fontoura, 43 anos, que vê na carreira a oportunidade de se realizar profissionalmente.
Motorista há 23 anos, faz 15 anos que Marcos Fontoura transporta pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) de Cachoeira para serem atendidos em hospitais e clínicas de Porto Alegre.
Ele tem horário para acordar, mas não para chegar em casa. Quando precisa fazer o transporte, ele acorda às 2h e volta para casa geralmente quando já está anoitecendo. Embora façam revezamento entre os colegas da empresa Pavanatto, o trabalho está longe de ser fácil.
“Preciso acordar cedo, buscar os passageiros nos pontos determinados e leva-los em segurança para Porto Alegre. Lá, são mais de 10 hospitais e as clínicas onde é preciso deixá-los. Eu fico na cidade até que todos tenham sido atendidos e só depois disso retornamos para Cachoeira. Tem dias que voltamos cedo, mas já teve vezes que chegamos próximo da meia noite”, observa o motorista.
Sem desmerecer nenhum trabalho, Fontoura destaca que transportar os pacientes do SUS exige ainda mais compromisso e responsabilidade, embora a profissão como um todo tenha isso como dos principais pontos.
“É claro que sempre temos que ter responsabilidade, mas no SUS é diferente. Precisamos auxiliar os passageiros da melhor forma possível e saber que eles dependem de nós para chegar no local e hora certos. São pessoas doentes, frágeis, então a paciência e um cuidado maior são fundamentais”, acrescenta.
DEDICAÇÃO
Apesar de qualquer coisa, Marcos Fontoura classifica o trabalho como gratificante. “Nos dedicamos ao máximo para atender da melhor foram possível. Não apenas nós da empresa, mas os motoristas da Prefeitura também. Quando há uma reclamação a gente desaba, porque buscamos fazer o melhor sempre”, observa.
“Algumas pessoas acham que é fácil, mas é um trabalho muito difícil, a responsabilidade é muito grande”, frisa. Para Fontoura, a recompensa de sua dedicação profissional é quando um passageiro agradece e fica feliz pelo com o atendimento que recebeu.
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Anjos existem!
Waldívia Toledo em 20/07/2016 às 08h23Parabéns pela sua dedicação e paciência com estas pessoas, que dependem do descaso dos governantes para tratar a sua própria saúde e a de seus familiares.
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