Orçamento do concurso entre músicos nativistas caiu de R$ 120 mil para R$ 50 mil

Para cortar gastos, Vigília não terá mais resgate das campeãs

09/05/2016 17:55 - por Patrícia Loss loss@jornaldopovo.com.br

FESTIVAL NATIVISTA

A 25ª Vigília do Canto Gaúcho não será mais uma mostra das campeãs de todas as suas edições anteriores e manterá a disputa entre novas canções.

A decisão foi anunciada nesta segunda-feira pela coordenadora do evento, a professora Vera Prade, que há 13 anos está à frente da organização do festival.

Vera destaca que a enxugamento de gastos da Vigília começou a ser trabalhado há cerca de 10 dias, quando a Lei de Incentivo à Cultura (LIC) do Rio Grande do Sul abriu prazo de inscrições de projetos.

  “A crise econômica vivida pelo país todo está exigindo uma redução de gastos cada vez maior. Além disto, teremos pouco tempo para captar os recursos ao festival, pois a LIC recentemente o período de cadastramento de projetos”, explica.

“Temos receio de que os empresários não queiram patrocinar o evento, mesmo podendo abater o valor das contribuições do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), pois eles precisam antecipar o valor e só depois fazer o abatimento”, acrescenta.

Basicamente o que mudará com relações a valores na Vigília 2016 é a ajuda de custo aos músicos.

Para o resgate das campeã cada um dos 26 vencedores das edições anteriores receberia R$ 3 mil para se apresentar, e o gasto, só com eles, seria de R$ 78 mil.

Já para uma Vigília tradicional serão 12 competidores na final, cada um recebendo R$ 1,5 mil de ajuda de custo, o que totaliza R$ 18 mil.

Com a redução de despesas, o orçamento da Vigília baixará em quase 60%, passando de R$ 120 mil para R$ 50 mil.

“Estamos nos esforçando ao máximo para que a Vigília saia de qualquer jeito. Se não deu para fazer o resgate das campeãs, estamos tentando executar um plano B para que a comunidade tradicionalista não fique sem o seu festival”, frisa Vera Prade.

Até a semana passada a Prefeitura trabalhava com a possibilidade de incentivo da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet, para a Vigília, mas como o evento foi enquadrado pelo Ministério da Cultura como competição, os empresários que colaborassem com o festival só poderiam abater 20% do valor do patrocínio de seu Imposto de Renda. Os outros 80% teriam de ser doação, o que inviabilizaria a arrecadação do dinheiro.

O projeto cultural da Vigília 2016 foi feito pela Tabla Produções Artísticas, de Porto Alegre.

A empresa foi a única participante da licitação aberta para o serviço e cobrou R$ 4,7 mil para elaborar o projeto e encaminhá-lo para leis de incentivo à cultura.

A adaptação do projeto, de resgate das campeã para competição, também foi feito pela Tabla. O projeto deverá ser encaminhado à LIC nesta terça-feira. Nesta segunda-feira a Prefeitura encaminhou à Tabla os últimos documentos solicitados pela produtora.

Ainda nesta semana a comissão organizadora da Vigília deverá começar a busca por patrocinadores do evento, deixando para depois da aprovação do projeto na LIC apenas a formalização das contribuições. Por enquanto o festival está mantido para 27 de agosto, no CTG Os Gaudérios.

UMA PERGUNTA

Como será a seleção das finalistas da Vigília?

A seleção será da mesma forma de sempre, com a abertura de prazo de inscrições e escolha das melhores feita por uma comissão técnica. Também está assegurado 25% das vagas da final para músicos de Cachoeira do Sul, que participarão de uma triagem municipal. A Vigília 2016 terá quatro vagas para candidatos de Cachoeira e oito aos demais em sua fase final.


 

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Cleiton Santos em 10/05/2016 às 10h18

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