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A trend dos anos 80 também está no design de interiores? O que a década está trazendo de volta

08/09/2026 11:27 - por Luiza Pereira Ribeiro luizapereira.arq@gmail.com

Se você acompanhou as transformações do design de interiores nos últimos anos, provavelmente percebeu uma mudança.

Depois de uma longa temporada de ambientes muito claros, neutros, minimalistas e dominados por madeiras claras, começamos a ver novamente espaços com mais profundidade, contraste e personalidade.

Madeiras escuras, veludo, tons terrosos, metais, formas arredondadas e superfícies com textura estão aparecendo com cada vez mais força.
Seria a volta dos anos 80?

A resposta mais interessante talvez seja: sim, mas não exatamente como você imagina.

Não estamos trazendo os anos 80 de volta como uma reprodução literal daquela época. O que retorna é uma parte da sua linguagem — reinterpretada para o modo como vivemos hoje.

A madeira escura está de volta

Durante bastante tempo, a madeira clara ocupou um lugar de destaque nos interiores contemporâneos. Ela ajudou a construir aquela estética leve, natural e escandinava que dominou muitos projetos.

Agora, os tons mais profundos começam a recuperar espaço.

Nogal, imbuia, freijó mais escuro, carvalho em tonalidades profundas e outros acabamentos amadeirados trazem uma sensação completamente diferente para o ambiente.

A madeira escura cria profundidade visual.

Ela pode deixar uma sala mais acolhedora, sofisticada e intimista. Também funciona muito bem como contraponto para paredes claras, pedras naturais e tecidos mais leves.

E existe algo interessante nisso: enquanto a madeira clara muitas vezes procura desaparecer dentro da composição, a madeira escura assume presença.
Ela quer ser percebida.

O veludo também reaparece

Outro elemento que está voltando aos interiores é o veludo.

Durante um período em que o design valorizou materiais mais naturais, crus e discretos, tecidos com aparência mais exuberante ficaram um pouco em segundo plano.

Agora eles retornam justamente pela capacidade de trazer sensação e profundidade.

O veludo absorve e reflete a luz de maneira particular. Dependendo da posição da iluminação, sua tonalidade pode parecer diferente, criando movimento mesmo em uma superfície aparentemente simples.

E ele não precisa aparecer em grandes quantidades.

Uma poltrona, uma cabeceira ou uma pequena peça estofada já pode ser suficiente para introduzir essa referência no ambiente.

E as cores ficaram mais quentes

Talvez uma das mudanças mais perceptíveis seja a saída gradual do excesso de cinzas e da neutralidade absoluta.

Terracota, caramelo, marrom, vinho, verde profundo, mostarda e outros tons mais fechados estão ganhando espaço.

São cores que têm uma característica em comum: elas aquecem visualmente o ambiente.

Isso não significa abandonar os neutros. Pelo contrário.

Uma composição sofisticada pode continuar tendo uma base clara e incorporar apenas alguns tons mais intensos nos móveis, tecidos, obras de arte ou objetos.

A diferença está na intenção.

Em vez de fazer tudo da mesma cor, começamos a construir ambientes com camadas de tonalidades.

Textura: o luxo que não depende do brilho

Outra característica dessa nova fase dos interiores é a valorização das texturas.

Madeira com veios aparentes, pedras naturais, tecidos encorpados, palhas, superfícies caneladas, revestimentos tridimensionais e acabamentos artesanais começam a aparecer com mais frequência.

E isso acontece porque um ambiente completamente liso pode ser visualmente bonito, mas tende a oferecer pouca variação sensorial.

A textura cria sombras, reflexos e pequenas imperfeições.

Ela faz com que a superfície mude conforme a luz muda.

É justamente aí que os interiores ganham profundidade.

Por que estamos gostando disso novamente?

Talvez porque exista uma espécie de cansaço da perfeição.

Durante alguns anos, vimos muitas casas seguindo uma estética semelhante: paletas neutras, linhas retas, poucos objetos e materiais muito uniformes.

Esse minimalismo trouxe leveza e organização, mas também criou uma certa homogeneização.

Agora existe uma vontade diferente.

A casa quer parecer mais vivida.

Mais pessoal.

Mais confortável.

É nesse contexto que elementos associados aos anos 80 encontram espaço novamente.

A década tinha uma característica muito forte: não tinha medo de personalidade.

Havia mais contraste, mais cor, mais volume e mais experimentação.

O design contemporâneo está recuperando essa liberdade, mas com outra linguagem.

Hoje, uma sala pode ter uma madeira escura, uma poltrona de veludo, uma pedra natural e uma parede em tom terroso sem necessariamente parecer uma sala dos anos 80.

Porque o objetivo não é voltar no tempo.

É reinterpretar.

Tendências não precisam virar cópias

Existe uma diferença importante entre incorporar uma tendência e reproduzir uma época.

Se colocarmos todos os elementos característicos dos anos 80 no mesmo ambiente, provavelmente teremos uma espécie de cenário.

Mas quando escolhemos um ou dois elementos e os combinamos com materiais e formas contemporâneas, conseguimos algo muito mais interessante: um projeto com referência, mas sem nostalgia excessiva.

É assim que as tendências realmente funcionam.

Elas não deveriam determinar como uma casa deve ser.

Deveriam ampliar as possibilidades de criação.

Talvez os anos 80 estejam voltando justamente para nos lembrar disso.

Que interiores também podem ser expressivos.

Que uma casa não precisa ser completamente neutra para ser sofisticada.

Que materiais podem ter presença.

E que, depois de tantos ambientes projetados para agradar a todos, talvez esteja na hora de criar espaços que tenham algo muito mais importante:
personalidade.

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