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Três cachoeirenses atuam no Grupo de Operações com Cães
Reza a lenda que os cachoeirenses vão dominar o mundo, uma vez que é comum a participação deles em iniciativas de sucesso em todo o Brasil e fora do país. No Grupo de Operações com Cães (GOC) da Polícia Penal do Rio Grande do Sul não é diferente: três profissionais de Cachoeira do Sul estão diretamente envolvidos. Hugo Gomes, Diogo Blaszak e Adriano Mariano Pereira desenvolvem suas funções nos canis das penitenciárias de Arroio dos Ratos, Venâncio Aires e Charqueadas.
Operador do canil da 9ª Delegacia Penitenciária Regional (DPR) - localizado em Arroio dos Ratos - Hugo Gomes destaca que o projeto, criado em 2019, foi desenvolvido inicialmente para atender as necessidades da unidade. Tendo sua importância reconhecida e valorizada pela Polícia Penal do Rio Grande do Sul, a proposta foi ampliada e desde 2021 oferece reforço à segurança em todas as cadeias do Rio Grande do Sul.
Os agentes caninos atuam especialmente na vigilância dos presídios - frustrando tentativas de fuga - em procedimentos de revistas e em escoltas. O sistema penitenciário do Estado conta com 288 cães, todos em constante treinamento.
"Quando há um cachorro junto, o ímpeto dos presos de reagir diminui. O cachorro tem um poder de persuasão psicológica muito grande. Isso inibe o comportamento do apenado", ressalta Hugo Gomes. Ele é habilitado em cinotecnia, área que engloba conhecimentos e técnicas relacionados a manejo, treinamento, estudo de comportamento e seleção genética de cães.
Mohoc, o medalhista

Prêmios para Mohoc: um dos melhores entre os 46 participantes da K9 Olympics da América do Sul
É cheio de marra que o cão da raça pastor holandês Mohoc exibe suas medalhas no peito. Treinado pelo policial penal Hugo Gomes, ele subiu ao pódio da última edição da K9 Olympics da América do Sul, torneio internacional que simula situações de trabalho e avalia a performance dos cães. Ocorrida em Goiânia (GO), no final do ano passado, a olimpíada canina registrou 46 competidores.
Mohoc ficou em segundo lugar na categoria detecção de narcóticos em ambiente externo, terceiro em detecção de narcóticos em veículos e sexto colocado na classificação geral. Outro cachorro do canil da 9ª Delegacia Penitenciária Regional, Logan, um pastor alemão, garantiu a segunda colocação em busca e captura e 11ª posição no ranking geral.
PARA SABER MAIS
O trabalho dos cães nos presídios do Rio Grande do Sul

Mohoc, um dos agentes caninos, no desempenho da função de revista junto ao policial penal Hugo Gomes
FARO E INTERVENÇÃO
- As atividades de faro e intervenção estão entre as funções desempenhadas pelos cachorros nas cadeias. O cão de faro é utilizado para detectar possíveis ingressos de materiais ilícitos nas unidades prisionais. Além disso, eles facilitam os processos de revistas em celas, por identificarem pontualmente o local em que está escondido algum produto proibido. É a partir do odor das substâncias usadas na fabricação de itens ilícitos que os cães são treinados a identificar a presença desses produtos em qualquer ambiente.
BUSCA DE FORAGIDOS
- Eles ainda têm aptidão para desenvolver atividades na busca de fugitivos, por meio do cheiro específico, que pode ser sentido através de uma peça de roupa. Também há cães que atuam no entorno dos presídios, para impedir fugas.
APOIO À SEGURANÇA
- Na parte de intervenção, os cães suplementam a segurança em atividades dos Grupos de Intervenção Rápida (GIR). Em ações, servem como apoio para inibir possíveis tentativas de investidas ou agressão por parte dos apenados.
AÇÕES DE REVISTA
- Os cães da Polícia Penal possuem treinamento para latir e para atacar, caso necessário. Em 2023, o canil da 9ª DPR participou de 48 operações, com quase 10 mil presos revistados, e nenhum deles tentou reagir. Até hoje, os cães não precisaram atacar nesse tipo de situação.
TRÊS PERGUNTAS PARA

Hugo Gomes, operador do canil da 9ª Delegacia Penitenciária Regional
Qual a rotina de um cão da Polícia Penal?
"Cada operador do canil é responsável por um animal. No caso do Mohoc, que é o meu cão, procuro elaborar treinos curtos. Ele é monitorado 24 horas por dia por um dispositivo - importado do Canadá - que é afixado na coleira e mede gasto de energia, qualidade do sono e quilometragem percorrida. Chamado de Fitbark, esse aparelho aponta ainda um score diário, indicador geral de desempenho que buscamos sempre melhorar, mas respeitando os limites do cão e o clima do dia."
Os treinos seguem alguma linha?
"Sim. Seguimos a linha de departamentos de polícia de países que são referência no assunto, baseada em referenciais de desempenho e visando principalmente o bem-estar do cão e a criação de vínculos entre o cachorro e o seu responsável."
Como se dá esse vínculo com o cão?
"O cão está sempre com o seu tutor. Quando termina o expediente, ele vai para casa junto com o policial. O Mohoc, por exemplo, é como se fosse da família: nos acompanha inclusive em passeios e viagens."
O TREINAMENTO
Como os cães são habilitados ao trabalho na Polícia Penal

Cães da Polícia Penal em preparação para o trabalho
IDADE
- Os cães ingressam nos canis da Polícia Penal, em média, até um ano e meio de idade. Geralmente são adquiridos pelos servidores ou doados por canis privados. O período de treinamento para começar varia dos três aos seis meses de idade.
TESTES
- Os cachorros passam por testes para verificar se estão aptos ao trabalho prisional. Quando é constatada a inaptidão, por motivos como incompatibilidade, doença irreversível ou desempenho abaixo do padrão, eles são adotados por servidores da instituição.
CENÁRIO
- Em operações de treinamento, ocorrem diversos barulhos, o espaço é escuro, há odores diferentes e pessoal falando alto. Nesse cenário, os cães precisam ter a capacidade de continuar agindo normalmente.
QUALIFICAÇÃO
- Os policiais penais responsáveis pelos cães também participam de qualificação constante para esse trabalho, o que envolve cursos, workshops e seminários, inclusive eventos internacionais voltados à área.
APOSENTADORIA
- Quando um cão atinge 8 anos de trabalho ou 10 anos de idade, é aposentado e pode permanecer com quem o conduziu. Se o policial não puder adotar o cachorro, o animal é doado a outro servidor do canil.
QUEM É QUEM
Os cachoeirenses do Grupo de Operações com Cães (GOC) da Polícia Penal

HUGO GOMES
- 40 anos
- Bacharel em Direito
- Operador do canil da 9ª Delegacia Penitenciária Regional (DPR), em Arroio dos Ratos
- Atua com cães do sistema prisional há 5 anos

ADRIANO MARIANO PEREIRA
- 27 anos
- Bacharel em Direito
- Responsável pelo canil da Penitenciária Estadual de Charqueadas
- Desempenha atividades com cães do presídio há dois anos e oito meses

DIOGO BLASZAK
- 42 anos
- Bacharel em Direito
- Coordenador do canil da 8ª Delegacia Penitenciária Regional (DPR), em Venâncio Aires
- Trabalha com cães da Polícia Penal há seis anos
O trabalho social dos cães da Polícia Penal
Eles são utilizados como apoio terapêutico para pessoas com deficiência (PCDs) e pacientes de câncer

Uma das edições do projeto "Uma história boa pra cachorro", voltadas para crianças
Posturado, forte, grande e com olhar atento e faro aguçado. Analisando assim, ele geralmente impõe medo, mas pensa em um cachorro dócil e brincalhão. Esse é Ragnar, um dos cães da Polícia Penal do Rio Grande do Sul, mas que, diferentemente da grande maioria de seus colegas, têm atuação social e comunitária. Ragnar, um border collie de 3 anos de idade, pertence ao canil da 8ª Delegacia Penitenciária Regional (DPR), localizado em Venâncio Aires e coordenado pelo cachoeirense Diogo Blaszak.
Ragnar e Luck, um labrador de 5 anos de idade, são utilizados em ações de cinoterapia em escolas, entidades e repartições públicas. O trabalho de terapia com cães contempla especialmente estudantes, pessoas com deficiência (PCDs) e pacientes de câncer através dos projetos intitulados "Uma história boa pra cachorro", "Farejadores do bem" e "K9 da esperança". A iniciativa ocorre há cerca de dois anos e já contemplou cerca de 3,5 mil pessoas.
Diogo Blaszak acompanha os cães em atividades fora das penitenciárias e relata o caso mais emocionante que vivenciou desde o início de seu trabalho no canil da 8ª DPR, há seis anos. "Estávamos em um encontro com alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), quando um menino autista com histórico de dizer 'não' para tudo e de recusar qualquer tipo de contato físico, no final da atividade interagiu com o cachorro e me deu um abraço", recorda o policial penal. Blaszak acrescenta: "Não é à toa que dizem que o cão é o melhor amigo do homem. Ele tem o poder de aproximar".
PALESTRAS
Para cada ação comunitária com cães, é preparada uma palestra lúdica voltada à necessidade do público. Nas escolas, temas como bullying, drogas e cidadania estão entre os mais pedidos pelos professores. "Buscamos sempre aproximar a Polícia Penal da sociedade, mostrando o trabalho dos cães de uma forma divertida e interativa, e estimulando o respeito, a tolerância, a importância da família e da escola, e o amor aos animais", observa o coordenador do canil da 8ª Delegacia Penitenciária Regional, Diogo Blaszak.
Cão de guarda

Reforço animal na segurança da Penitenciária Estadual de Charqueadas
Tão atentos, ágeis, dedicados e perspicazes quanto o responsável por eles, o policial penal Adriano Mariano Pereira, são os cinco cães que garantem a guarda externa das galerias da Penitenciária Estadual de Charqueadas. A matilha foi treinada para a atividade exclusiva de reforçar a segurança da unidade prisional, dificultando eventuais tentativas de fuga dos apenados.
Os agentes caninos atuam especialmente nas proximidades dos muros da penitenciária, o ponto mais comum de investida dos presos para evasão. Os cães treinados pelo cachoeirense têm de 2 a 11 anos de idade e são da raça pastor belga malinois, uma das mais utilizadas pelas forças policiais em todo o mundo. Os cachorros dessa raça destacam-se pela obediência, educação e lealdade aos tutores, sendo considerados exímios cães de guarda.
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