OPINIÃO DO JP
Cachoeira precisa já de iniciativa e planejamento
O Hospital de Caridade e Beneficência (HCB) irá concluir seu projeto de duplicação, do concreto e tijolo à tecnologia e referências regionais de atendimento. Isto é fato. Toda a mobilização comunitária e força política focam nesse objetivo nos últimos 20 anos, e todos os mandatos eletivos sabem que esse é o caminho da admiração dos cachoeirenses, o que reverte em votos na urna. Muito justo.
E depois? Quais caminhos Cachoeira do Sul já projeta para a aplicação da mesma mobilização comunitária e força política após concluído o projeto do HCB? O que a cidade pensa para o futuro e que cronologia traçou para estes novos objetivos? Há novos objetivos? Quais? Como serão aproveitados os recursos obtidos pelos deputados? Onde serão aplicados? Alguém está pensando nisso?
Há mais de 20 anos que, incrivelmente, Cachoeira não sabe pelo que lutar e nem sabe o que gostaria de pedir. Na falta de projetos e sem planejamento de futuro, a cidade acomoda-se com as vitórias do hospital e fica chorando pela conclusão do asfaltamento da RS 403, depois de abandonar a batalha perdida do porto do Jacuí. Enquanto isso, Cachoeira do Sul vai perdendo a oportunidade de inovar e acelerar o seu desenvolvimento.
Esse padrão de comportamento não é privilégio nosso. A maioria das cidades deixa-se levar pela correnteza e algumas nem isso. Simplesmente amargam uma estagnação, que leva a perdas de liderança regional, representatividade política e opção para investidores.
Entretanto, também há bons exemplos a serem seguidos. Existem muitas comunidades que se organizam, pesquisam possibilidades, definem objetivos claros, lutam bravamente e comemoram resultados surpreendentes. Cachoeira do Sul fez isso quando conquistou o campus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), seguramente o maior investimento dos nossos 200 anos.
E agora? Quais as próximas lutas? Quem está debruçado em pensar no amanhã de Cachoeira? O passado recente é repleto de iniciativas extraordinárias. José Otávio Germano duplicou a Marcelo Gama com um canetaço e abriu o flanco oeste de ocupação da zona urbana. Marlon Santos construiu um prédio gigante para abrigar uma indústria de calçados, que gera empregos no Bairro Noêmia há quase 20 anos.
Sérgio Ghignatti adquiriu a área para completar a instalação da UFSM. Ivo Garske construiu a Feira Livre. Júlio César Caspani asfaltou o aeroclube e trouxe o Ciep, além de comprar o Palácio João Neves da Fontoura para o Poder Legislativo. Neiron Viegas e Sérgio Ghignatti trouxeram a UPA. Enfim, não podemos só reclamar dos nossos políticos.
Está na hora da comunidade, dos empresários, dos profissionais liberais tomarem a frente dos novos triunfos que essa cidade precisa. Unificar discursos, pedidos e reivindicações e tornar comunitário o plano de desenvolvimento e crescimento dos próximos anos. Dizem que Cachoeira sofre uma crise de lideranças. Estão errados. A melhor escola do futuro é o presente cheio de sonhos e iniciativas. Está na hora de novos sonhos.
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