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Como escolher os BTUs do seu ar-condicionado: evite erros que custam caro

03/02/2026 09:57 - por Luiza Pereira Ribeiro luizapereira.arq@gmail.com

Escolher um ar-condicionado vai muito além de definir marca ou modelo. Um dos pontos mais importantes e também mais ignorados é a quantidade correta de BTUs.

Um equipamento subdimensionado não refrigera adequadamente; já um superdimensionado gera desperdício de energia, desconforto térmico e custos desnecessários.

Mas afinal, o que são BTUs e como escolher a quantidade ideal para cada ambiente?

O que são BTUs?
BTU é a sigla para British Thermal Unit, uma unidade que mede a capacidade de refrigeração do ar-condicionado. Na prática, ela indica o quanto o aparelho consegue retirar de calor de um ambiente por hora.

Quanto maior o ambiente (ou maior a carga térmica), maior deve ser a quantidade de BTUs.

O tamanho do ambiente é só o começo

Um erro comum é calcular os BTUs apenas com base na metragem quadrada. Esse é apenas o ponto de partida.

Outros fatores influenciam diretamente no desempenho do aparelho, como:
-
Incidência de sol direto
- Quantidade de pessoas no ambiente
- Uso de equipamentos eletrônicos
- Tipo de iluminação
- Pé-direito alto
- Isolamento térmico (paredes, laje, esquadrias)

Ou seja: dois ambientes com o mesmo tamanho podem precisar de capacidades diferentes.
Regra básica de cálculo (referência inicial)

Como base, costuma-se utilizar a seguinte conta:
-
600 BTUs por m² para ambientes residenciais padrão
- +600 BTUs por pessoa extra (além da primeira)
- +600 a 1.000 BTUs se houver sol direto intenso
- +600 BTUs para cada equipamento eletrônico relevante (TV, computador, etc.)

Exemplo:
Um quarto de 12 m², com uma pessoa e sem sol direto:
12 × 600 = 7.200 BTUs → aparelho de 9.000 BTUs é o mais indicado.
Ambientes mais comuns e BTUs recomendados
- Quartos pequenos (até 12 m²): 9.000 BTUs
- Quartos médios (12 a 15 m²): 12.000 BTUs
- Salas integradas: 18.000 BTUs ou mais (avaliar caso a caso)
- Escritórios/home office: atenção redobrada aos equipamentos

Quando errar nos BTUs vira problema

- Poucos BTUs: o ar não gela direito, trabalha no máximo o tempo todo e consome mais energia.
- BTUs demais: o ambiente esfria rápido, mas com ciclos curtos, prejudicando o conforto térmico e a eficiência.

Ou seja, mais potente não significa melhor.

Arquitetura e climatização precisam conversar

A escolha correta dos BTUs deve caminhar junto com o projeto arquitetônico. Layout, posição das janelas, cortinas, tipo de vidro, orientação solar e até cores internas influenciam diretamente na carga térmica do ambiente.

Por isso, em projetos bem pensados, o ar-condicionado deixa de ser um “remendo” e passa a ser parte da solução.

Escolher corretamente os BTUs do ar-condicionado é garantir conforto, economia e desempenho ao longo dos anos. Mais do que seguir uma tabela pronta, o ideal é analisar o ambiente como um todo

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