Blog do Mistério
O estranho costume de velar os mortos como se estivessem vivos
Imagine chegar a um velório e, em vez de encontrar o morto deitado dentro de um caixão, dar de cara com ele sentado em uma cadeira, usando suas roupas preferidas, cercado por objetos que fizeram parte de sua vida. Em Porto Rico, isso não é uma cena de filme e acontece muito mais do que a gente imagina. Existem famílias que escolhem despedidas completamente diferentes das tradicionais, apresentando o corpo do falecido da forma como ele gostaria de ser lembrado.
A prática ficou conhecida internacionalmente como "velórios não tradicionais" e ganhou notoriedade, mas ainda não transpôs as fronteiras de Porto Rico (quem sabe está aí uma possibilidade para quem quer empreender, leitor?). Há pessoas que foram veladas sentadas, sobre motocicletas, jogando dominó ou simplesmente posicionadas como costumavam ficar durante alguma atividade cotidiana. A ideia, para as famílias, não é assustar quem chega para prestar homenagem, mas transformar o último adeus em uma representação da personalidade daquele que partiu. Não é macabro, é natural.
Um dos casos mais conhecidos foi o de Ángel Luis Pantoja Medina, que morreu em 2008. Segundo a funerária pioneira neste tipo de cerimônia, ele teria brincado em vida que, quando morresse, gostaria de ser velado de pé ou fora do caixão. Quando chegou a hora de cumprir o desejo, seu corpo foi preparado para uma despedida bastante diferente. A imagem chamou atenção e ajudou a tornar esse tipo de funeral conhecido muito além da ilha, mas não praticado.
Depois dele, vieram outros pedidos. Um homem foi velado sentado em uma cadeira, com óculos e um cigarro na mão, como se estivesse simplesmente descansando. Outros foram apresentados em motocicletas, em roupas de boxeador e já não havia limites para os desejos. Os casos reais, são surreais.
Existe algo particularmente perturbador nessas imagens: por alguns segundos, nosso cérebro parece esquecer que aquela pessoa está morta. A roupa, a posição do corpo e os objetos ao redor criam a ilusão de que ela pode se levantar a qualquer momento e simplesmente continuar o que estava fazendo. Pode ser que seja macabro, mas só um pouquinho.
É estranho para quem observa de fora, mas a intenção dessas famílias é justamente celebrar a vida, e não a morte. Em vez de colocar todos dentro do mesmo ritual, elas procuram uma maneira particular de dizer adeus. As funerárias que realizam esse tipo de serviço tratam os velórios como homenagens personalizadas, tentando reproduzir características e momentos importantes da vida de cada pessoa.
Na minha opinião, querido leitor, esta é uma cerimônia inovadora. Estamos acostumados a reconhecer um morto imediatamente: deitado, imóvel, dentro de um caixão. E se quebrássemos essa última regra, e permitíssemos que os mortos pareçam, por mais algumas horas, exatamente como eram em vida. Por que velórios sempre iguais para pessoas tão diferentes? Eu seria adepta da nova técnica. E você? Se pudesse escolher, gostaria de ser lembrado exatamente como era quando estava vivo?
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