Casa que teria pertencido a Antônio Vicente da Fontoura corre risco de ser demolida
Compach autoriza exclusão de prédio histórico do inventário do patrimônio
DEPENDE DE AUTORIZAÇÃO DO PREFEITO PARA SER DEMOLIDO
Numa votação apertada de nove votos contra sete, o Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cachoeira do Sul (Compahc) aprovou na noite desta quinta-feira a retirada de um prédio histórico do Inventário do Patrimônio Cultural de Cachoeira do Sul, documento que protege a integridade física de dezenas de prédios da cidade.
Com a decisão, o prédio histórico localizado na esquina da Rua Sete de Setembro com a Rua Conde de Porto Alegre e que supostamente pertenceu ao cachoeirense Antônio Vicente da Fontoura, um dos personagens da Revolução Farroupilha, corre o risco de ser demolido.
Foi a terceira vez em toda sua história que o Compahc autorizou a retirada de um prédio histórico do inventário do patrimônio histórico. Em 2014 o Compahc manifestou-se contra a retirada do inventário do casarão da família Abreu, na entrada da cidade pela Avenida João Neves da Fontoura, porém o pedido para retirada do imóvel da lista dos inventariados nunca chegou ao Compahc.
O local era cobiçado pela empresa Comercial Zaffari para sediar uma filial de sua rede de supermercados. A empresa, com matriz em Passo Fundo e que nada tem a ver com a Rede Zaffari de Supermercados, desistiu do negócio.
O prédio que teve aprovação para ser excluído do inventário cultural é propriedade da família Melatti, a mesma que possui a sorveteria Doce Deleite. A intenção é destruir a estrutura e construir no local um bloco de apartamentos.
Apesar da decisão do Compahc, a exclusão do inventário e a demolição do prédio depende ainda de uma autorização formal do prefeito Sérgio Ghignatti. Ele deve consultar o Ministério Público antes de tomar esta decisão.
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Importância arquitetônica.
Edson Bonine em 05/05/2018 às 08h53Independente se foi ou não moradia de Antônio Vicente da Fontoura, é inegável que a construção tem inestimável importância arquitetônica. Portanto é lamentável a decisão do compahc, de permitir que imóveis inventariados possam ser demolidos. Ou seja os representantes do executivo votaram a favor da especulação imobiliária, onde interesses particulares se sobrepõem ao da comunidade. Os imóveis inventariados são mostra da importância da cidade, de uma época onde o conceito de belo, deveria estar representado nas moradias, que são verdadeiras obras de arte da arquitetura. Espaços vazios temos vários, onde se pode construir edifícios sem destruir nossa história. Sobre a preservação, temos que discutir incentivos públicos para os proprietários.
Nesse angu tem caroço
Cleiton Santos em 05/05/2018 às 08h52Tudo estaria na perfeita ordem se houvesse uma discussão técnica sobre o tema. Mas, a presença inédita de TODOS os representantes do prefeito - parte que sequer sabiam onde ficava o local das reuniões, e levando em conta que alguns recebem vantagens financeiras diretas por cargos que ocupam e/ou parentes e cônjuges na administração municipal - e o voto uníssono a favor da retirada do prédio, empresas que intermedeiam a negociação ligadas a agentes também relacionados à administração municipal geraram suspeitas de interesses, digamos, pouco republicanos. Ou, como diriam lá na campanha, nesse angu tem caroço. Nada que uma boa investigação do MP respalde. Ou não.
Casa não pertenceu à Vicente da Fontoura
Rafael Rochembach em 04/05/2018 às 23h37Verdade seja dita, com base nos estudos apresentados ontem em reunião do conselho. Não há dúvida de que o terreno é o mesmo. Da mesma forma, não há dúvida de que essa moradia não é a mesma, sendo que a moradia da foto tem características da década de 1920/1930 (segundo laudo apresentado pelos arquitetos consultados pelo COMPAHC). Enquanto isso, Antonio Vicente da Fontoura faleceu em 1860 e segundo documentação oriunda do seu inventário (constante em estudo histórico apresentado por membros do COMPAHC), possuía nesse mesmo terreno 3 construções indepedentes, onde atualmente existe apenas uma casa que toma a totalidade da área. Repito, não há a menor dúvida que a atual residência não é a mesma que pertenceu ao Sr. Antônio Vicente da Fontoura.
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