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A Morte do Demônio – Em Chamas: caos e horror em família

07/08/2026 08:39 - por Jorge Ghiorzi jghiorzi@gmail.com

Lançar um novo capítulo de uma franquia consagrada é sempre um desafio gigante. No caso de “A Morte do Demônio: Em Chamas” (Evil Dead Burn), terceiro filme da série desde o reboot de 2013 e o sexto no total, a escolha da produção foi apostar em novidades. O idealizador e produtor da franquia, além de diretor dos três filmes originais, Sam Raimi, continua com seu ótimo hábito de dar espaço para diretores pouco conhecidos do grande público. O comandante da vez é o francês Sébastien Vanicek, que até então tinha no currículo apenas o modesto “Infested”, um longa sobre aranhas mortais.

Para situar quem assistiu ao filme anterior, a história não é exatamente uma continuação direta de “A Morte do Demônio: Ascensão” (2023). Porém, a trama começa na mesma cabana à beira do lago mostrada na introdução daquele longa. Essa sacada estabelece um elo imediato entre os dois trabalhos, mantendo o foco do horror nas dinâmicas familiares conturbadas.

No centro do enredo está Alice (Souheila Ycoub), casada com William (George Pullar), que parece ser um cara sensível, mas na verdade é muito controlador. O casal é dono de um restaurante e planeja ter um filho, só que o relacionamento já se tornou completamente tóxico.

Tudo muda drasticamente quando William morre em um acidente de carro bizarro, provocado pela entidade demoníaca que surgiu no prólogo do lago. O caos escala de verdade logo após o funeral. Quando o clã se reúne em uma mansão decadente no meio da floresta, cada parente vai sendo possuído um a um. O alvo principal passa a ser Alice, vista por todos como uma intrusa indesejada e que nem faz questão de fingir que está sofrendo pelo falecido.

A ambientação naquela casa labiríntica traz as conexões necessárias com o universo já reconhecido da franquia. Descobrimos que um dos membros da família pesquisava o lendário Necronomicon (o Livro dos Mortos) antes de largar tudo para investigar uma seita misteriosa chamada O Círculo dos Sábios, um toque inédito que expande a mitologia da série para novas possibilidades.

Quem conhece a trilogia original de Sam Raimi sabe que a marca registrada da franquia sempre foi a mistura de sangue com um humor pastelão quase de desenho animado. É uma fórmula difícil de acertar, quase como um alinhamento raro de planetas, que consagrou o famoso bordão de que a franquia é sempre copiada e nunca igualada. O filme anterior, Ascensão, tinha pesado demais a mão no tom sombrio, deixando pouco espaço para risadas.

É justamente nesse ponto que o diretor Vanicek acerta a mão e se destaca. Ele resgata o humor mórbido de forma sutil no começo e vai elevando a loucura e a violência gráfica para níveis cada vez mais insanos. Por equilibrar melhor esse tom sarcástico com o horror puro, o novo longa funciona melhor que o antecessor. Ele mostra que a franquia encontrou um caminho eficiente para andar com as próprias pernas, sem ficar presa apenas à nostalgia do passado.

Por outro lado, fica nítido que o diretor e os roteiristas preferem apostar todas as fichas no choque do impacto visual. Em vários momentos, o roteiro deixa a história em segundo plano para priorizar uma sequência sem fim de cenas violentas e sangrentas. Ainda assim, para quem busca uma experiência eletrizante, divertida e radical no cinema de horror, o filme cumpre muito bem o seu papel

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