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Minions & Monstros: estrelas amarelas do cinema

02/07/2026 08:29 - por Jorge Ghiorzi jghiorzi@gmail.com

Antes de mergulhar na mais nova aventura cinematográfica de 2026, vale a pena recapitular a trajetória dessas pequenas criaturas. Os Minions surgiram discretamente em 2010 como os ajudantes atrapalhados do vilão Gru em “Meu Malvado Favorito”. 

O carisma daqueles seres cilíndricos e amarelos foi tão avassalador que eles rapidamente roubaram a cena, tornando-se o rosto da Illumination Entertainment.

Essa popularidade se desdobrou em uma expansão massiva. Além das sequências diretas da franquia original (“Meu Malvado Favorito 2, 3 e 4”), eles ganharam sua própria linha do tempo com os prelúdios “Minions” (2015) e “Minions 2: A Origem de Gru” (2022). 

Em todas essas animações, a receita do sucesso sempre se apoiou na comédia física e na universalidade de sua comunicação. O famoso "minionês", afinal, é aquele dialeto peculiar que mistura balbucios infantis a versões simplificadas de idiomas europeus, com um efeito frequentemente incompreensível, mas estranhamente comunicativo.

É com essa bagagem que chegamos a “Minions & Monstros”, que se consolida facilmente como o filme mais inteligente e engraçado em que eles já apareceram. Desta vez, a animação faz uma verdadeira carta de amor a Hollywood.

Mas não à Hollywood de hoje, e sim àquela dos primórdios, dos pioneiros do cinema mudo. As frenéticas peripécias do exército de mascotes amarelos, que sempre foram influenciadas pela comédia pastelão clássica, encontram aqui o seu ápice e sua justificativa histórica.

A narrativa se desenrola de forma inteligente em torno de uma visita guiada a um museu de Hollywood. Conduzida por uma guia entusiasmada, a trama avança quando ela fica horrorizada ao descobrir que os jovens turistas não fazem a menor ideia do importante papel que os Minions desempenharam na história do cinema. 

Essa sequência, inclusive, proporciona uma participação hilária de ninguém menos que George Lucas, estabelecendo desde o início o tom metalinguístico da obra.

A partir daí, um flashback mostra os Minions em sua busca desesperada por um novo chefe malvado, enfrentando obstáculos a cada passo. Eventualmente, eles chegam à Hollywood dos primeiros anos e, sem querer, interrompem a produção de um filme cujo diretor encarna um misto dos imigrantes europeus que encontraram uma nova carreira por lá no início do século XX.

A primeira metade do longa, focada basicamente nessas aventuras cinematográficas, entrega uma série de piadas que faz a delícia dos cinéfilos (embora corra o risco de não fazer tanto sentido para os espectadores mais jovens). O roteiro desfila homenagens afetuosas a cenas clássicas de mestres do cinema mudo como Charlie Chaplin, Harold Lloyd e Buster Keaton.

 Contudo, as referências não param por aí. O filme expande seu repertório com alusões sofisticadas a clássicos como Casablanca e Cidadão Kane, além de icônicos filmes de ficção científica dos anos 1950 e muitos outros.

Apesar da bagagem cultural refinada nas entrelinhas, a produção não perde sua essência. O tom geral permanece estritamente infantil, fazendo jus ao histórico dos personagens. É bobo como sempre, cheio de risadinhas como nunca e assumidamente apegado à estupidez que sempre esperamos dessas criaturas. 

No fim das contas, “Minions & Monstros” pode até ser interpretado por alguns como "mais do mesmo". Mas a verdade é: quem vai reclamar quando o prazer de assistir àqueles insanos e irresistíveis "tic-tacs" amarelos é tudo o que queremos? O filme triunfa ao equilibrar com maestria a nostalgia cinéfila e a pura e simples bobagem que os consagrou.

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