Blog do Cinema
Moana: princesa dos mares
Sempre há um forte ceticismo em torno das versões live-action de animações clássicas da Disney. O histórico recente do estúdio mostra mais erros do que acertos, alimentando a sensação de que estamos diante de uma máquina gigantesca de produção industrial voltada ao reaproveitamento caça-níqueis de suas próprias propriedades cinematográficas.
No entanto, o novo “Moana” (2026) surge como uma grata exceção a esse modelo de reciclagem em massa. Chegando aos cinemas apenas dez anos após o longa de animação original, que se consolidou como um dos pontos altos da história recente da Disney, esta nova versão prova que, embora reconheça que é melhor não mexer na essência da história, consegue se sustentar com encanto próprio.
Resumir a trama deste novo longa é, basicamente, recapitular o filme de 2016. Ambientada em um antigo e encantador mundo polinésio de oceanos infinitos e pequenas ilhas, a jornada narra o amadurecimento da heroína titular, herdeira do chefe da ilha de Motunui. A essência permanece intacta: Moana se aventura além do recife, apesar dos avisos severos de seu pai, para encontrar o semideus Maui.
.jpg)
O objetivo é fazê-lo devolver o coração de pedra verde da deusa da terra, Te Fiti, roubado por ele no passado, e assim salvar sua aldeia da decadência ambiental que se alastra. É uma aventura de ação com ritmo ágil que reverencia a estrutura criada originalmente pelos veteranos John Musker e Ron Clements.
O grande trunfo do filme reside na feliz combinação de seu elenco e no uso inteligente da tecnologia. Destaca-se a atuação brilhante da estreante australiana Catherine Laga'aia no papel principal, entregando uma princesa que não precisa de um príncipe para descobrir sua identidade ou seus desejos. Ela encontra o contraponto perfeito no apoio cômico de um autoparodiado Dwayne Johnson.
O ator, que já havia dublado a animação original, surge agora em carne, osso e músculos bombados, dando uma imponente vida física ao mesmo egocêntrico e trapaceiro semideus Maui que antes habitava apenas as linhas de desenho.
Embora seja um filme com atores reais, há uma presença massiva de CGI. Elementos como o oceano mágico, os estranhos piratas de coco (Kakamora) espreitando na névoa e a assustadora besta de lava Te Kā funcionam perfeitamente. Nenhuma dessas sequências visuais parece deslocada ou ofusca a narrativa.
Pelo contrário, elas complementam e expandem o universo de forma belíssima. O único deslize perceptível na montagem é o ritmo na metade do segundo ato. O filme certamente se beneficiaria de uma redução de pelo menos 10 minutos em sua parte central para manter a energia da jornada linear.
No balanço final, “Moana” se consolida como um entretenimento familiar vibrante, repleto de interesse visual, cores magníficas e cenários tropicais deslumbrantes.

Ao equilibrar o respeito quase sagrado pelo material original com o frescor de suas interpretações físicas, o longa supera a barreira do preconceito industrial e merece encontrar seu público, provando que algumas histórias realmente valem a pena ser revisitadas.
Receba notícias do Jornal do Povo no seu WhatsApp. É grátis
Encontrou algum erro? Informe aqui
