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Escotismo completa 100 anos em Cachoeira do Sul
Movimento chegou ao município em 1926 e atualmente reúne pelo menos quatro grupos organizados
100 anos depois de chegar a Cachoeira do Sul, o escotismo mantém pelo menos quatro grupos em atividade no município, que atualmente reúnem cerca de 105 integrantes. O movimento chegou à cidade em 6 de junho de 1926 e, desde então, passou por diferentes fases, com a criação e a retomada de grupos ao longo das décadas. O centenário do escotismo foi tema da Semana da Pátria em Cachoeira neste ano.
De acordo com periódicos da Federação Escoteira do Rio Grande do Sul, o movimento chegou ao município com o Grupo Cachoeira, que realizou um acampamento sob chuva intensa e apresentou o escotismo àqueles que desejavam conhecê-lo. Depois dele, surgiram diversos outros grupos, que permaneceram ativos por alguns anos antes de encerrarem as atividades.
Atualmente, estão em atividade os grupos Ibiraiaras, Leões do Caverá, João Paulo II e Escoteiro do Ar Brigadeiro Nero Moura, conforme apuração realizada com os quatro grupos. Os dois últimos retomaram as atividades recentemente, enquanto Ibiraiaras e Leões do Caverá possuem trajetória mais consolidada. Com 50 integrantes, o Ibiraiaras completou 52 anos de atuação em Cachoeira em 19 de julho deste ano. Já o Leões do Caverá está ativo desde 2023.
Atuação comunitária dos escoteiros
Ibiraiaras

Ibiraiaras ajudou na distribuição de alimentos na cidade durante a Enchente de 2024 /Divulgação
Leões do Caverá

Leões do Caverá realizou limpeza nas baias de animais desabrigados pela superenchente /Divulgação
Os dois grupos de escoteiros mais antigos de Cachoeira, Ibiraiaras e Leões do Caverá, são conhecidos pelas ações sociais e pelo trabalho voluntário. Um dos momentos mais marcantes do Ibiraiaras ocorreu durante a superenchente de 2024, com auxílio à Defesa Civil e arrecadação e distribuição de alimentos.
O Leões do Caverá também auxiliou na ocasião, especialmente na limpeza e na alimentação de animais desabrigados pela enchente. Os grupos também desenvolvem outras atividades como arrecadação de tampinhas e limpeza de praças, além de praticarem os fundamentos do escotismo na natureza.
Desenvolvimento e formação
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Caverá: Escotismo desenvolve atividades de liderança e responsabilidades na natureza /fotos Divulgação
Para os chefes escoteiros Alexandre Meller, do Leões do Caverá, e Renato Machado, do Grupo Ibiraiaras, o escotismo contribui para o desenvolvimento dos jovens ao estimular valores, responsabilidade, liderança, trabalho em equipe e autonomia. “O escotismo faz com que os jovens assumam seu próprio desenvolvimento para alcançar seu pleno potencial físico, intelectual, afetivo, social, espiritual e de caráter”, afirma Machado.
Em sua maioria os grupos escoteiros são divididos em ramos, conforme a faixa etária dos integrantes. O ramo Filhote reúne crianças de cinco e seis anos, o Lobinho de seis a 10 anos, e o Escoteiro, de 11 a 14 anos. Já o Sênior é destinado a jovens de 15 a 17 anos, enquanto o Clã Pioneiro reúne integrantes de 18 a 22 anos. O número de ramos depende de cada grupo e quantidade de seus integrantes.
Uma vida no escotismo

Júlio Massirer é um dos escoteiros mais antigos de Cachoeira do Sul /Divulgação
Mesmo com novos grupos, há histórias do escotismo na cidade tão importantes quanto o seu centenário. Uma destas histórias é do aposentado cachoeirense Júlio Massirer, de 79 anos, um dos escoteiros mais antigos de Cachoeira do Sul ainda em atividade, mesmo que de forma honorífica.
A trajetória de Massirer no movimento começou aos 14 anos, quando ingressou no Grupo Jacuí, um dos primeiros grupos escoteiros do município, criado em 7 de setembro de 1961. Aos 23 anos, ele deixou Cachoeira quando foi nomeado para trabalhar no Banco do Brasil, em Candelária. Mesmo assim, preservou o amor pelo escotismo e ajudou a fundar diversos grupos escoteiros em cidades da região central.
Ao longo de sua vida, Massirer recebeu diversas condecorações nacionais e internacionais devido à sua participação no movimento escoteiro. Em 2007, foi chefe da delegação brasileira no Encontro Internacional de Escotismo, na Inglaterra. Em julho deste ano, também recebeu homenagens em um evento da União dos Escoteiros do Brasil. Atualmente, participa como convidado e colabora em atividades do Grupo Ibiraiaras, que ajudou a fundar em 1974.
O FUTURO
O aposentado afirma que o escotismo passou por grandes mudanças desde sua época, especialmente em relação à conservação e aos cuidados com a natureza. Ele, que vem quase todos os fins de semana a Cachoeira para visitar a família, destaca que o movimento na cidade está em boas mãos, especialmente pelo trabalho que acompanha no Grupo Ibiraiaras. “Tenho mais contato com o Grupo Ibiraiaras, que posso afirmar que tem uma equipe e chefia muito boa, mas também há outros se desenvolvendo muito bem”, afirma.
Amigos e memórias para toda a vida

Júlio Massirer (c) com integrantes do Grupo Jacuí, em Assunção, no Paraguai /Divulgação
Além de contribuir para sua formação pessoal, o aposentado revela que suas melhores lembranças como escoteiro são as viagens que fez pelo mundo, especialmente pela América Latina, em missões, e os amigos que fez na juventude e mantém até hoje. “O escotismo é uma forma de servir o próximo, com educação, disciplina e trabalho em grupo, ajudou muito na minha formação e eu rodei o mundo com ele. Ele preenche as horas vagas e também a mente. É realmente uma escola da vida”, destaca Massirer. O aposentando também reforça a importância do escotismo para novas gerações especialmente na preservação de valores éticos.
PANORAMA ATUAL
Escotismo em Cachoeira do Sul
Grupo Ibiraiaras - 50 integrantes
Grupo Leões do Caverá - 40 integrantes
Grupo Brigadeiro Nero Moura - 8 integrantes
Grupo João Paulo II - 7 integrantes
- O Grupo Nero Moura retornou às atividades recentemente, aos sábados, na Escola Borges de Medeiros, sendo considerado uma seção escoteira – que aceita apenas uma faixa etária – neste caso de 10 a 14 anos.
- O Grupo João Paulo II retornou às atividades no Colégio Totem.
MEMÓRIA

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