Blog da Arquiteta

Não é defeito, é limite: entendendo por que o disjuntor desarma

10/02/2026 10:07 - por Luiza Pereira Ribeiro luizapereira.arq@gmail.com

Você liga o chuveiro, o ar-condicionado está funcionando, a airfryer está ligada… e de repente: a chave cai. Essa situação é mais comum do que parece e, na maioria das vezes, não é defeito do disjuntor — é sobrecarga elétrica.

Entender quais equipamentos consomem mais energia e como a instalação elétrica responde a isso é fundamental para evitar quedas frequentes, riscos e prejuízos.

Por que a “chave” cai?
O disjuntor é um dispositivo de proteção. Ele desarma automaticamente quando percebe que a corrente elétrica está acima do limite seguro da instalação. Isso acontece principalmente quando muitos equipamentos de alta potência funcionam ao mesmo tempo.

Ou seja: o problema não é usar os aparelhos, mas usar vários ao mesmo tempo em uma rede que não foi dimensionada para isso.

Equipamentos que mais puxam energia:

Alguns aparelhos são conhecidos por exigir muita potência elétrica. Os principais vilões são:

- Chuveiro elétrico: um dos maiores consumidores da casa
- Ar-condicionado: principalmente modelos antigos ou mal dimensionados
- Forno elétrico e cooktop elétrico
- Airfryer
- Micro-ondas
- Secadora de roupas
- Máquina de lavar (em ciclos quentes)
- Ferro elétrico

Quando dois ou mais desses equipamentos funcionam juntos, a carga pode ultrapassar o limite do circuito.

Casas antigas sofrem mais

Residências mais antigas geralmente têm:
-
 Fiação subdimensionada
- Poucos circuitos elétricos
- Um único disjuntor geral para muitos ambientes
Isso faz com que qualquer aumento de demanda provoque quedas frequentes e até aquecimento excessivo dos fios.
Por que isso é perigoso?
Além do incômodo, a sobrecarga pode causar:
- Aquecimento da fiação
- Derretimento de tomadas
- Queima de aparelhos
- Risco de curto-circuito e incêndio

Quando o disjuntor cai repetidamente, ele está avisando que algo precisa ser corrigido.

Como solucionar o problema

Algumas soluções são simples, outras exigem intervenção técnica:

1. Distribuir melhor o uso dos equipamentos
Evite usar chuveiro elétrico junto com forno, airfryer ou secadora, por exemplo.

2. Criar circuitos independentes
Equipamentos de alta potência devem ter circuitos exclusivos, com disjuntores próprios.

3. Atualizar o quadro de energia
Um quadro bem organizado, com disjuntores corretos, melhora a segurança e o desempenho.

4. Verificar a bitola dos fios
Fios finos demais aquecem e causam quedas. A bitola precisa ser compatível com a carga.

5. Avaliar a carga total da residência
Em alguns casos, é necessário solicitar aumento de carga junto à concessionária de energia.

Arquitetura e elétrica caminham juntas

Em projetos bem planejados, a parte elétrica não é pensada depois — ela nasce junto com o layout. A posição dos equipamentos, a escolha dos eletros e o estilo de vida dos moradores influenciam diretamente no dimensionamento da instalação.

Uma casa bonita, mas com elétrica mal resolvida, vira dor de cabeça no dia a dia.

Se a chave cai quando vários equipamentos estão ligados, o problema não é azar, é sobrecarga. Identificar os aparelhos que mais consomem energia e adequar a instalação elétrica é essencial para garantir segurança, conforto e tranquilidade.

Antes de trocar o disjuntor ou “dar um jeito”, o melhor caminho é sempre avaliar a instalação com um profissional qualificado.

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