Uma terra e uma gente em permanente estado de construção
Um olhar para o futuro
Cachoeira do Sul é uma comunidade em permanente revisão. Por misturar história, pioneirismo e pluralidade social e política, o município enfrenta seus problemas por diferentes óticas e, assim, dificilmente forma unanimidades. Por outro lado, esta visão multifacetada permite que convivam e prosperem diferentes aspectos comunitários. Pensa-se diferente e empreende-se diferentemente.
Embora possua um motor econômico ancorado no setor primário, Cachoeira também vem consolidando um polo de serviços de saúde a partir do complexo construído em torno do Hospital de Caridade e Beneficência e os serviços via SUS que viraram referência regional. Também vem construindo um polo de ensino superior, com três empreendimentos públicos, os campi da UFSM/Cachoeira, Uergs/Cachoeira e UAB/Cachoeira.
Soma-se a isso o campus de ensino privado da Ulbra/Cachoeira e as mobilizações por um curso de Medicina e por uma unidade do Instituto Federal Farroupilha. O ensino é a base de uma estratégia urgente dos próximos 10 anos, uma vez que acelera o processo de migração da população jovem da cidade e o envelhecimento na média de idade da população que permanece residindo aqui.
ATÉ 2035
É impossível prever exatamente como estará Cachoeira do Sul em 2035, mas com os números do Censo do IBGE, cruzando com todas as análises populacionais que vêm sendo feitas a partir da contagem de 2022, não é difícil perceber que Cachoeira do Sul terá entre 80 mil e 85 mil habitantes, mantendo uma população estável ou com pequena redução, assim como já se projeta também para o Rio Grande do Sul.
Haverá mais idosos vivendo na cidade, menos crianças nas escolas e maior demanda por saúde e cuidados de longa duração. O maior desafio será manter ou atrair jovens qualificados para evitar perda de mão de obra nas áreas técnicas. O contraste é que o município seguirá investindo bastante em saúde e educação pública – principalmente creches - até o momento em que as famílias ou seus jovens migrarem da cidade, exatamente no momento em que seriam absorvidos pelo mercado de trabalho.
Agro do futuro
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Drones fazendo parte do trabalho na lavoura: tendência crescente no agronegócio chegando a Cachoeira
Se a questão social forçará Cachoeira do Sul a uma estratégia de segurar seus jovens talentos, no campo haverá uma transformação, com a soja e o arroz consolidados como as maiores lavouras, porém com uma produção muito mais tecnológica. Este cenário já existe, com máquinas autônomas, drones pulverizadores, sensores no solo e irrigação inteligente. A digitalização da administração do agronegócio já é crescente e cada vez mais se utilizará da inteligência artificial.
É possível prever o agro aliando-se gradativamente à indústria, como já ocorre com as olivas e a noz-pecã, dois cultivos em ascensão na última década, dando os primeiros passos para a diversificação da economia local. A solução definitiva da travessia do Jacuí, com a reinauguração da Ponte do Fandango, irá acelerar o crescimento em empreendimentos em direção à BR 290, possivelmente com vislumbre de vencer o desafio de transformar a riqueza agrícola em mais indústria e empregos urbanos.
VALOR AGREGADO
Isto não é uma novidade. Estudos sobre o desenvolvimento econômico do município feitos pela Cacisc e em reportagens do Jornal do Povo desde os anos 1990 apontam justamente essa necessidade de ampliar atividades de maior valor agregado. Para isso, a produção terá de escoar para Cachoeira e não para municípios vizinhos e a reversão exigirá qualidade nos caminhos. Leia-se: estradas e pontes.
Cidade mais digital e mais urbana
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O computador vem forte, mas a pavimentação ainda está em atraso em Cachoeira
Em 10 anos, os serviços públicos estarão cada vez mais digitais, disponíveis em aplicativos e contando com internet de alta velocidade. O SUS poderá acelerar o atendimento com o advento da telemedicina e as escolas estarão utilizando inteligência artificial como ferramenta pedagógica. Algumas coisas desse futuro já estão sendo oferecidas hoje aos cachoeirenses, como o monitoramento urbano por câmeras, mas será no campo da previsão climática que a tecnologia terá de avançar.
Convivendo com a nova realidade ambiental do planeta, Cachoeira vem enfrentando os efeitos desta imprevisibilidade, como enchentes, temporais e entrada no mapa dos ciclones. O meio ambiente terá de ser prioridade. Defesa Civil terá de trabalhar com as universidades, em particular com a Estação Meteorológica da UFSM/Cachoeira-Inmet. As mudanças climáticas deverão influenciar fortemente o planejamento urbano, incluindo proteção contra enchentes, arborização urbana, preservação das áreas verdes e drenagem urbana.
PAVIMENTAÇÃO
É razoável esperar que nos próximos 10 anos haja mais ruas pavimentadas, algum esboço de ciclovias e ampliação do uso de energia solar em residências e empresas, sem contar em tendências óbvias, como o crescimento da frota de veículos elétricos.
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