Uma terra e uma gente em permanente estado de construção

Um olhar para o futuro

27/06/2026 00:00 - por Redação jp@jornaldopovo.com.br

O velho e o novo: a história da Praça José Bonifácio contrasta com a modernidade das ruas tomadas de carros

Cachoeira do Sul é uma comunidade em permanente revisão. Por misturar história, pioneirismo e pluralidade social e política, o município enfrenta seus problemas por diferentes óticas e, assim, dificilmente forma unanimidades. Por outro lado, esta visão multifacetada permite que convivam e prosperem diferentes aspectos comunitários. Pensa-se diferente e empreende-se diferentemente.

Embora possua um motor econômico ancorado no setor primário, Cachoeira também vem consolidando um polo de serviços de saúde a partir do complexo construído em torno do Hospital de Caridade e Beneficência e os serviços via SUS que viraram referência regional. Também vem construindo um polo de ensino superior, com três empreendimentos públicos, os campi da UFSM/Cachoeira, Uergs/Cachoeira e UAB/Cachoeira.

Soma-se a isso o campus de ensino privado da Ulbra/Cachoeira e as mobilizações por um curso de Medicina e por uma unidade do Instituto Federal Farroupilha. O ensino é a base de uma estratégia urgente dos próximos 10 anos, uma vez que acelera o processo de migração da população jovem da cidade e o envelhecimento na média de idade da população que permanece residindo aqui.

ATÉ 2035

É impossível prever exatamente como estará Cachoeira do Sul em 2035, mas com os números do Censo do IBGE, cruzando com todas as análises populacionais que vêm sendo feitas a partir da contagem de 2022, não é difícil perceber que Cachoeira do Sul terá entre 80 mil e 85 mil habitantes, mantendo uma população estável ou com pequena redução, assim como já se projeta  também para o Rio Grande do Sul.

Haverá mais idosos vivendo na cidade, menos crianças nas escolas e maior demanda por saúde e cuidados de longa duração. O maior desafio será manter ou atrair jovens qualificados para evitar perda de mão de obra nas áreas técnicas. O contraste é que o município seguirá investindo bastante em saúde e educação pública – principalmente creches - até o momento em que as famílias ou seus jovens migrarem da cidade, exatamente no momento em que seriam absorvidos pelo mercado de trabalho.

Agro do futuro


Drones fazendo parte do trabalho na lavoura: tendência crescente no agronegócio chegando a Cachoeira

Se a questão social forçará Cachoeira do Sul a uma estratégia de segurar seus jovens talentos, no campo haverá uma transformação, com a soja e o arroz consolidados como as maiores lavouras, porém com uma produção muito mais tecnológica. Este cenário já existe, com máquinas autônomas, drones pulverizadores, sensores no solo e irrigação inteligente. A digitalização da administração do agronegócio já é crescente e cada vez mais se utilizará da inteligência artificial.

É possível prever o agro aliando-se gradativamente à indústria, como já ocorre com as olivas e a noz-pecã, dois cultivos em ascensão na última década, dando os primeiros passos para a diversificação da economia local. A solução definitiva da travessia do Jacuí, com a reinauguração da Ponte do Fandango, irá acelerar o crescimento em empreendimentos em direção à BR 290, possivelmente com vislumbre de vencer o desafio de transformar a riqueza agrícola em mais indústria e empregos urbanos.

VALOR AGREGADO

Isto não é uma novidade. Estudos sobre o desenvolvimento econômico do município feitos pela Cacisc e em reportagens do Jornal do Povo desde os anos 1990 apontam justamente essa necessidade de ampliar atividades de maior valor agregado. Para isso, a produção terá de escoar para Cachoeira e não para municípios vizinhos e a reversão exigirá qualidade nos caminhos. Leia-se: estradas e pontes.

Cidade mais digital e mais urbana


O computador vem forte, mas a pavimentação ainda está em atraso em Cachoeira

Em 10 anos, os serviços públicos estarão cada vez mais digitais, disponíveis em aplicativos e contando com internet de alta velocidade. O SUS poderá acelerar o atendimento com o advento da telemedicina e as escolas estarão utilizando inteligência artificial como ferramenta pedagógica. Algumas coisas desse futuro já estão sendo oferecidas hoje aos cachoeirenses, como o monitoramento urbano por câmeras, mas será no campo da previsão climática que a tecnologia terá de avançar.

Convivendo com a nova realidade ambiental do planeta, Cachoeira vem enfrentando os efeitos desta imprevisibilidade, como enchentes, temporais e entrada no mapa dos ciclones. O meio ambiente terá de ser prioridade. Defesa Civil terá de trabalhar com as universidades, em particular com a Estação Meteorológica da UFSM/Cachoeira-Inmet. As mudanças climáticas deverão influenciar fortemente o planejamento urbano, incluindo proteção contra enchentes, arborização urbana, preservação das áreas verdes e drenagem urbana. 

PAVIMENTAÇÃO

É razoável esperar que nos próximos 10 anos haja mais ruas pavimentadas, algum esboço de ciclovias e ampliação do uso de energia solar em residências e empresas, sem contar em tendências óbvias, como o crescimento da frota de veículos elétricos.

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