Blog do Mistério

A maldição de Pompeia

13/08/2026 08:43 - por Gisele Wommer giwommer@gmail.com

Pompeia é um daqueles lugares onde a morte parece ainda estar presente. Soterrada pela erupção do Vesúvio no ano 79 d.C., a antiga cidade romana permaneceu escondida por séculos até ser redescoberta e transformada em um dos sítios arqueológicos mais impressionantes do mundo. Bem, prezado leitor, onde tem histórias e antiguidades, também tem maldições. Há um fato curioso envolvendo seus visitantes: algumas pessoas que levaram pequenas lembranças das ruínas para casa acabaram devolvendo os objetos décadas depois. E muitas delas tinham a mesma justificativa: alguma coisa deu muito errado depois do furto.

Um dos casos mais curiosos aconteceu em 2021, quando um turista que nunca revelou sua identidade enviou de volta um pequeno fragmento de argila que havia retirado de Pompeia 50 anos antes. A peça, com cerca de dez centímetros, representa parte do rosto de uma mulher e fazia parte da decoração dos tetos das antigas casas romanas. Junto com o fragmento, havia um bilhete simples, no qual o homem confessava o furto, dizia sentir vergonha e pedia desculpas. O objeto voltou para o acervo arqueológico, mas uma pergunta permaneceu: por que alguém esperaria meio século para devolver uma lembrança de viagem?

A resposta pode estar na famosa "maldição de Pompeia". Há visitantes que acreditam que qualquer pessoa que retire objetos das ruínas acaba levando consigo a má sorte da cidade destruída. E histórias não faltam para alimentar a superstição. Uma turista canadense, identificada como Nicole, devolveu em 2020 fragmentos de cerâmica, mosaico e uma parte de uma ânfora que havia levado em 2005. Na carta enviada junto com as peças, contou que depois do furto enfrentou problemas financeiros e foi diagnosticada duas vezes com câncer de mama. Ela dizia não querer transmitir aquela suposta maldição para os filhos e pediu que os objetos fossem levados de volta.

Outro casal canadense também devolveu pedras e fragmentos que havia retirado do sítio arqueológico. Na justificativa, reconheceram que não haviam pensado no sofrimento das pessoas que morreram durante a erupção do Vesúvio. Talvez o peso maior não fosse sobrenatural, mas a consciência de ter levado para casa um pedaço de uma cidade que ainda guarda os vestígios de uma tragédia ocorrida há quase dois mil anos. Ainda assim, para quem acredita em maldições, a coincidência entre os furtos e os infortúnios posteriores é suficiente para deixar qualquer um desconfiado.

A direção do Parque Arqueológico de Pompeia afirma que recebe devoluções com frequência e que muitos objetos chegam pelo correio acompanhados de cartas de arrependimento. O curioso é que algumas pessoas sequer sabiam da existência da suposta maldição quando levaram as peças. Em um dos casos, a própria remetente escreveu que não sabia que não poderia retirar pedras do local. Hoje, o parque conta com centenas de câmeras e uma vigilância muito maior.

No fim, não sabemos se Pompeia realmente amaldiçoa quem rouba seus vestígios ou se a culpa, o medo e as coincidências fazem o trabalho sozinhos. O que sabemos é que alguns objetos viajaram milhares de quilômetros e atravessaram décadas apenas para encontrar novamente o lugar de onde nunca deveriam ter saído. E, querido leitor, se um dia você visitar Pompeia e encontrar uma pedrinha bonita no caminho, admire, fotografe e deixe exatamente onde está. Afinal, lembrancinha de viagem é imã de geladeira. Fragmento de uma cidade romana destruída pelo Vesúvio… talvez venha com uma conta que demora cinquenta anos para chegar. Ah, a mesma regra vale para cemitérios.

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