Blog do Mistério
A dona de casa que escondia um segredo mortal
Ela parecia a vizinha perfeita. Sorridente, educada e apaixonada por romances publicados em revistas femininas, Nannie Doss levava uma vida aparentemente comum no interior dos Estados Unidos. Gostava de cozinhar, cuidar da casa e sonhava encontrar o marido ideal. Mas, por trás da imagem de dona de casa exemplar, escondia-se uma das mais frias assassinas em série do século XX.
Entre as décadas de 1920 e 1950, pessoas muito próximas de Nannie começaram a morrer de forma aparentemente natural. Maridos, filhos, netos e até a própria mãe faleceram em circunstâncias que, na época, pouco despertaram suspeitas. Em tempos que exames toxicológicos eram limitados e mortes por doenças, quase ninguém imaginava que tantas tragédias pudessem ter uma única responsável.
A sorte de Nannie começou a mudar em 1954, quando seu quinto marido, Samuel Doss, morreu poucos dias após ser internado com fortes dores e sintomas inexplicáveis. O comportamento da viúva chamou a atenção das autoridades. Ela parecia preocupada demais com a herança e pouco abalada pela perda. Uma autópsia revelou uma quantidade elevada de arsênio no organismo da vítima, e a investigação começou a ligar mortes antigas que até então pareciam simples coincidências.
Durante os interrogatórios, Nannie acabou confessando vários assassinatos, sempre com uma tranquilidade que impressionava os investigadores. Ela dizia que apenas buscava o amor perfeito e que, quando os relacionamentos deixavam de corresponder às suas expectativas, encontrava uma maneira definitiva de encerrá-los. Por causa de seu hábito de sorrir durante os depoimentos e até diante das câmeras, a imprensa passou a chamá-la de "A Vovó Sorridente" e "A Assassina Sorridente".
Até hoje não se sabe exatamente quantas pessoas morreram por suas mãos. Ela confessou onze assassinatos, mas muitos pesquisadores acreditam que esse número possa ser maior. Como várias das mortes ocorreram décadas antes de sua prisão, muitos corpos jamais foram exumados, alimentando a dúvida sobre quantos crimes permaneceram escondidos sob a aparência tranquila daquela mulher de fala mansa e sorriso permanente.
Histórias de serial killers costumam nos fazer imaginar figuras assustadoras, rostos sombrios e comportamentos violentos. Nannie Doss mostrou justamente o contrário. Às vezes, o mal veste um avental, serve uma boa refeição, oferece um café quente e sorri com tanta simpatia que ninguém percebe o perigo até ser tarde demais. Descobrir que alguns monstros conseguem passar a vida inteira parecendo absolutamente comuns e que mulheres podem ser cruéis e calculistas, torna a história toda muito mais assustadora.
Nannie faleceu de causas naturais na prisão em 1965, mas ainda é lembrada como a representação de que o mal nem sempre tem um rosto assustador. Às vezes, ele sorri, oferece um pedaço de bolo e espera pacientemente que ninguém desconfie.
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