Blog dos Espíritos

Bem-aventurados os aflitos

05/09/2022 09:42 - por Eleni Maria Machado

Bem-aventurados os que choram, pois que serão consolados. Bem-aventurados os famintos e os sequiosos de justiça, pois que serão saciados. Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, pois que é deles o Reino dos Céus. (Mateus, 5:4, 6 e 10).

Bem-aventurados vós, que sois pobres, porque vosso é o Reino dos Céus. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. Ditosos sois, vós que agora chorais, porque rireis. (Lucas, 6:20 e 21).

Justiça das aflições


Somente na vida futura podem dar-se as compensações que Jesus promete aos aflitos da Terra. Sem a certeza da vida futura as máximas do Cristo trazidas por Mateus e Lucas seriam um engodo, um contrassenso. Mesmo tendo essa certeza, dificilmente se compreende a conveniência de sofrer para ser feliz. E existem muitas perguntas que nos requisitam respostas: “por que uns sofrem mais que outros?”, “por que uns nascem na miséria e outros na opulência, sem terem feito coisa alguma que justifique essa diferença?”, “por que uns nada conseguem, ao passo que a outros a vida parece sorrir mais benevolente?”, “e se compreende menos ainda que os bens e os males sejam tão desigualmente distribuídos entre o vício e a virtude; e que os homens virtuosos sofram ao lado dos maus que prosperam?”

A fé no futuro


A fé no futuro pode consolar e infundir paciência, mas não explica essas anomalias que parecem desmentir a justiça de Deus. Mas se admitimos a existência de Deus e que suas perfeições são infinitas, ele, necessariamente tem todo o poder, toda a justiça e toda a bondade. Diferente disso não seria Deus. Sendo Deus soberanamente bom e justo, não pode agir com parcialidade.

Consequentemente, as vicissitudes da vida derivam de uma causa e, pois que Deus é justo, também justa há de ser essa causa. Por meio dos ensinos de Jesus, Deus pôs os homens na direção dessa causa, e hoje, julgando-os (os homens) suficientemente maduros para compreendê-la, lhes revela completamente a aludida causa, por meio do Espiritismo, ou seja, pela palavra dos Espíritos.

Causas atuais das aflições


As aflições ou vicissitudes da vida têm duas fontes diferentes que é importante distinguir. Umas tem sua causa na vida presente; outras, fora desta vida.

Voltando à origem dos males terrestres é forçoso reconhecer que muitos são a consequência do proceder e do caráter daqueles que os suportam.

Quantos caem por sua própria culpa! Quantos são vítimas de sua imprevidência, orgulho e ambição! 

Quantos se arruínam por não terem sabido limitar seus desejos!

Quantas uniões desastrosas por se basearem em interesse ou vaidade e onde o coração não tomou parte!

Quantas doenças e enfermidades decorrem da intemperança e dos excessos de todo o gênero!

Pais infelizes por não terem combatido as más tendências de seus filhos e, que, mais tarde são tratados por esses com ingratidão!

Em buscando a origem das aflições, a mais das vezes, cada sofredor poderá dizer: “se eu houvesse feito, ou deixado de fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição”. O homem, portanto, em grande número de casos, é o causador de seus próprios infortúnios; mas os evitará quando trabalhar por se melhorar moralmente, tanto quanto intelectualmente.

Causas anteriores das aflições


Mas se a causa primária dos males desta vida é o homem, há outros aos quais, pelo menos na aparência, é completamente estranho a ele e que tem a aparência de fatalidade. Alguns que podemos citar: “perda de entes queridos ou os arrimos de família”, “os acidentes que nada poderia impedir”, “a perda da fortuna apesar das precauções tomadas”, “os flagelos naturais”, “as enfermidades de nascença”, “as deformidades, a idiotia, etc”.

Que dizer das crianças que morrem em tenra idade e da vida só conheceram sofrimentos? São problemas que nenhuma filosofia  pôde ainda resolver, anomalias que nenhuma religião pôde justificar e que seriam a negação da bondade, da justiça e da providência de Deus, se se considerasse a hipótese de a alma ser criada ao mesmo tempo que o corpo e de estar sua sorte irrevogavelmente determinada após a permanência de alguns instantes sobre a Terra. Que fizeram essas almas que acabaram de sair das mãos do Criador para vivenciarem tantas misérias e para merecerem no futuro uma recompensa ou uma punição, visto que não praticaram nem o bem e nem o mal?

Causa e efeito


Todavia, por virtude do axioma segundo o qual “todo efeito tem uma causa”, tais misérias são efeitos que hão de ter uma causa e, desde que se admita um Deus justo, essa causa também há de ser justa. Ora, ao efeito sempre precedendo a causa, se esta não está na vida atual, há de ser anterior a essa vida, isto é, há de estar numa existência precedente. Por outro lado, não podendo Deus punir alguém pelo bem que fez, nem pelo mal que não fez, se somos punidos, é que fizemos o mal; se não fizemos o mal na presente vida, tê-lo-emos feito noutra.  

A prosperidade do mau é apenas momentânea; se ele não expiar hoje, expiará amanhã, ao passo que aquele que sofre está expiando o seu passado.

Os sofrimentos devidos a causas anteriores à existência presente, como as que se originam de causas atuais, são muitas vezes a consequência da falta cometida; o homem sofre o que fez sofrer aos outros.

Assim se explicam pela pluralidade das existências e pela condição da Terra, de mundo expiatório, a ventura e a desventura entre os bons e os maus deste planeta.

Jamais deve o homem esquecer que se encontra num mundo inferior, ao qual somente suas imperfeições o conservam preso. A cada vicissitude cumpre-lhe lembrar-se de que se pertencesse a um mundo mais adiantado, isso não se daria e que só de si depende não voltar a viver neste mundo, trabalhando para se melhorar e merecer viver em mundo melhor.

Motivos de resignação


Por estas palavras: “Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados”, Jesus aponta a compensação que hão de ter os que sofrem e a resignação que leva o padecente a bendizer do sofrimento, como prelúdio de cura. 

Num outro sentido também podemos afirmar: “São ditosos porque se quitam e porque, depois de se haverem quitado, estarão livres.

Aquele que compreende a vida espiritual, vê a vida corpórea como um ponto no infinito, reconhecendo-a passageira e com ela, passageiros são também os tormentos. A certeza de um futuro próximo mais ditoso o sustenta e anima e, longe de queixar-se, agradece ao Céu as dores que o fazem avançar.

(Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. V)

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