Blog dos Espíritos

Os desassossegos da alma

16/03/2026 09:48 - por Ricardo Aguiar presidencia.ume.cachoeiradosul@fergs.org.br

Ansiedade, o mal do século
Vivemos em uma era de imediatismo. O amanhã parece sempre mais urgente que o agora, e essa aceleração constante tem um nome frequentemente abordado e conhecido: ansiedade. Mas o que o Espiritismo tem a nos dizer sobre esse “mal do século”? A Doutrina Espírita nos ensina que não somos apenas o corpo que habita o presente, mas o Espírito que carrega as experiências do passado e os anseios pelo futuro. A ansiedade, muitas vezes, é o resultado de uma mente que se recusa a habitar o presente, perdendo-se no receio do que ainda não aconteceu.

Para entender a ansiedade, precisamos olhar para o perispírito (o corpo espiritual). Quando mantemos pensamentos de inquietação, geramos uma desarmonia em nossos centros de força. Na obra “Missionários da Luz”, o espírito André Luiz detalha como as nossas emoções alteram a química do nosso corpo espiritual. A ansiedade crônica gera uma “nuvem” de fluidos pesados que sobrecarrega o centro cerebral e o centro cardíaco, dificultando a recepção de energias revigorantes dos mentores. O resultado é um esgotamento que o corpo físico sente como fadiga, palpitações e aperto no peito, o que denominamos de crise de ansiedade.

Causas das aflições
Em “O Livro dos Espíritos”, na questão 922, Allan Kardec questiona sobre a felicidade terrena. A resposta dos Benfeitores é um bálsamo para o ansioso: "A felicidade depende da estima em que cada um preza as coisas deste mundo. [...] Com relação à vida material, é a posse do necessário. Com relação à vida moral, é a consciência tranquila e a fé no futuro". Quando nos falta a "fé no futuro", aquela confiança plena na Providência Divina, a alma tenta antecipar o controle de eventos que pertencem a Deus, gerando o conflito interno.

No capítulo V de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, encontramos o item "Causas atuais das aflições". Muitas de nossas angústias nascem da nossa própria imprevidência ou do desejo excessivo de satisfazer o orgulho e a vaidade. A ansiedade pode ser o sinal de alerta de que estamos investindo energia demais em construções frágeis do mundo material.

Na série psicológica de Joanna de Ângelis, psicografada por Divaldo Franco, vamos aprofundar o tema, onde a veneranda mentora nos esclarece que a ansiedade é um estado de fragmentação. Ela nos convida ao autodescobrimento para entender o que tentamos preencher com essa pressa constante (“O Despertar do Espírito”).  Já o Espírito Emmanuel, na obra “Fonte Viva” (psicografia de Chico Xavier), nos traz uma lição prática no capítulo “Ansiedade”: “Não te inquietes pelas dificuldades do amanhã, porquanto o amanhã trará as suas próprias preocupações. Trabalha e serve hoje, entregando o resto ao Senhor”. Emmanuel nos recorda que o trabalho no bem é o melhor antídoto para o vácuo da preocupação inútil.

Allan Kardec, na questão 459 de “O Livro dos Espíritos”, pergunta sobre a influência dos Espíritos em nossos pensamentos. A resposta é clara: “Influem a tal ponto que, de ordinário, são eles que vos dirigem”. A ansiedade cria uma “brecha” vibratória. Espíritos que ainda estagiam em faixas de sofrimento ou perturbação podem sintonizar com nossa angústia, não necessariamente por maldade, mas por afinidade fluídica. Eles se comprazem da nossa inquietação, alimentando um ciclo onde o pensamento ansioso do encarnado é amplificado pela sugestão mental do desencarnado. 

Auxílio na Doutrina Espírita
O Espiritismo nos oferece ferramentas valiosas para o gerenciamento da ansiedade, como a prece, essa conexão fluídica com o Divino que acalma as vibrações do perispírito; o estudo, que nos faz compreender a transitoriedade da vida e nos apresenta as respostas a tantos questionamentos internos que carregamos conosco; a reforma íntima, que nos permite perceber o que em nós precisamos melhorar e reconstruir; e o atendimento espiritual, ao qual sempre podemos recorrer para buscar alívio nos momentos de angústia, complementados pelos esclarecimentos apresentados nas atividades doutrinárias. Também não devemos esquecer da prática da caridade, pois fazer o bem é o melhor remédio para aliviar o mal.

Léon Denis em sua obra “O Problema do Ser, do Destino e da Dor” destaca o poder da vontade. Ele afirma: “A vontade é a faculdade soberana, a força de impulsão e de direção que governa todas as outras faculdades”. Para o ansioso, a educação da vontade é o tratamento definitivo. É o esforço de disciplinar o pensamento, trazendo-o de volta ao momento presente. A ansiedade é, em última análise, uma dispersão de forças que a vontade educada pode centralizar novamente.

Jesus, o Governador Espiritual da Terra, já nos trazia a técnica terapêutica em Mateus 6:34: “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã”. Sob a ótica espírita, esse não é um conselho passivo, mas uma estratégia de higiene mental. Ao focarmos no dever presente, economizamos a energia que seria desperdiçada na suposição. 

A ansiedade não deve ser motivo de culpa, mas de acolhimento. Ela é um convite do Espírito para voltarmos ao nosso interior, para silenciarmos o ruído externo e ouvirmos a voz da consciência. Como nos prometeu Jesus: “Não se turbe o vosso coração”. Se o futuro pertence a Deus, o hoje é o nosso campo de semeadura e de paz possível.

No próximo dia 19 de março de 2026, a União Municipal Espírita de Cachoeira do Sul traz a Cachoeira do Sul o palestrante espírita Hélio Ribeiro, do Rio de Janeiro, para abordar o tema “Vencendo a ansiedade”, às 19h30min, na Sociedade Espírita Caminho da Salvação.

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