A Sentinela (2021)

De vez em quando a Netflix nos surpreende positivamente, com filmes até indicados ao Oscar, por sua qualidade e boas histórias. Mas deve ter uma cota para filmes ruins, e ás vezes eles produzem coisas que deveriam ser jogados numa gaveta e esquecidas para sempre.

Ano passado, dois dos piores filmes que assisti são originais Netflix: Enola Holmes, uma tortura em forma de filme, e o ‘terror’ indiano Bulbbull, um filme sobre uma bruxa, tão confuso que acho que nem o diretor entendeu. Esse ano a grande decepção chegou com A Sentinela (Sentinelle, 2021), filme francês de “ação’, mas que poderia muito bem ser categorizado como comédia, pela piada que o filme é! Acredite, me dá uma dor falar mal do cinema francês, mas acredito que nesse caso, os produtores deviam estar cansados ou dopados de remédios devido a pandemia e nem prestaram atenção no que estavam fazendo.

Assisti ao filme pois no elenco tem Olga Kurylenko, o que por si só já salvaria o filme, mas não salva. Ou ela teve a família ameaçada para atuar nesse filme, ou aceitou o papel sem ler o roteiro e deve até agora estar chorando e pensando em suicídio. O filme é tão ruim que nem sei porque escolhi ele para escrever, talvez como alerta, ou simplesmente porque perdi meu tempo e preciso desabafar o show de horrores que vi até o final, avançando várias cenas porque não sou de ferro e tem coisas que não mereço, como a cena de sexo entre duas mulheres que nada acrescenta na história, mas foi incluída na trama apenas para chamar a atenção do público masculino e LGBT.

O Filme (ou seja lá o que for isso...)
Primeiramente, vou explicar sobre a Operação Sentinela, que são basicamente soldados do exército francês fazendo vigilância pelas ruas para evitar ou identificar possíveis atentados terroristas. Klara, a heroína do filme, sofre de Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) por presenciar uma missão que deu errado na Síria.

Ela então é transferida para Nice, onde integra a Operação Sentinela, vivendo com a mãe e irmã, e sempre se dopando de medicamentos, as vezes comprados de forma ilegal. Durante uma balada com a irmã, ela conhece uma jovem e as duas passam a noite juntas. Enquanto isso sua irmã vai para outra festa com um rapaz filho de um milionário russo da informática. Na manhã seguinte Klara descobre que sua irmã está em coma, vítima de violência sexual e espancamento.

Logo a polícia começa a investigar, de forma lenta, pois o acusado se trata de uma pessoa de grande influência, e recolher provas seria trabalhoso sem a vítima acordar. Então, Klara, decide por conta própria fazer suas investigações. E é aí que a comédia começa. Não vou entrar em mais detalhes para não estragar ainda mais a experiência de quem ousar assistir isso.

Amadorismo
O filme começa com a cena na Síria, a única coisa bem-feitinha no filme, o que nos leva a imaginar que veremos algo do tipo Resgate em versão feminina, mas logo ela é transferida e passa os dias caminhando armada pelas ruas numa obsessão pelo que aconteceu a irmã, misturadas com as visões de seus traumas de guerra. O fato da Operação Sentinela permitir viciados em Oxy e Codeína em seu grupo não me admira do porque a França ter sofrido mais de 20 atentados terroristas em cinco anos. Se todos forem que nem Klara, em breve a França será riscada do mapa!

Ela logicamente usa de meios incomuns para descobrir coisas que a polícia já sabia, e após a irmã acordar e confessar o que aconteceu, ela decide se vingar, pois a irmã não quer se expor. Isso mesmo! Ela prefere ficar toda roxa numa cama de hospital sentindo dor e humilhação do que falar quem fez aquilo com ela. Mas tudo bem, é só uma mensagem feminista para o público de que as vítimas de estupro geralmente são humilhadas!

Concordo com a mensagem, mas no caso da irmã de Klara, haviam evidências físicas suficientes para prender até o presidente. Não foi só estupro, a mulher ficou destruída, não dá para o acusado dizer que foi consensual, que ela chegou e disse: ‘me quebra todinha e me deixa em coma! ’.

Ok, vamos pular a parte da mulher frágil e ir para a supermulher que é Klara. Ela consegue, mesmo sendo procurada por todos os outros Sentinelas (cerca de 10.000 militares pelas ruas) e mais a polícia, andar pela cidade como se estivesse fazendo turismo, consegue entrar em sua antiga sede, fazer um colega idiota de refém, roubar armas e entrar na mansão de um cara milionário cheio de guarda costas usando um banquinho para pular a cerca. Dentro da mansão, a maioria dos guarda-costas não descobriram ainda o uso de armas. E mesmo com tiros e destruições, o milionário russo não ouve o que está acontecendo e está tranquilamente andando pela casa e mesmo assim, Klara não consegue sua vingança. É hilário! Parece um episódio de Chapolin.

O filme então dá um salto no tempo e espaço e enfim Klara consegue se reencontrar com o acusado. Como ela atravessou fronteiras sendo procurada depois de matar tanta gente não é explicado. Como o milionário que sofreu um atentado está nadando tranquilamente sozinho sem nenhum guarda-costas também não é explicado. E para finalizar, o filme ainda mostra Klara fazendo cooper pelas ruas da França, passando por três de seus antigos colegas patrulhando as ruas, como um último deboche da Operação Sentinela. As cenas de luta não salvam o filme, Olga não salva o filme, nem a cena lesbian-chic salva o filme. Nada salvaria esse filme. Talvez refazer todo ele, mas acho que ninguém se daria a esse trabalho terrível.

Finalizando
O filme entrou no catálogo da Netflix dia 05 de março e até entrou no TOP 10 no dia do lançamento. Fiquei com pena das centenas de pessoas que passaram por 80 minutos dolorosos. Por sorte o diretor foi bom e fez um filme curto. Mais dez minutos e uma onda de cancelamento de assinaturas da Netflix poderia acontecer. Na internet, 25% do público aprovou o filme, provavelmente familiares dos participantes. Deixo os trailers para vocês decidirem, mas acho que ninguém se odiaria tanto a ponto de assistir esse filme depois de ver o trailer.

Se gostou da resenha e quiser bater papo sobre o filme, entre no meu grupo Cine Clube Patrick no Facebook (https://www.facebook.com/groups/477604296748930), ou na página O Mundo Anda Muito Louco (https://www.facebook.com/patrickprade666). Fique à vontade, pois farei uma postagem sobre o filme. Até semana que vem e bons filmes!

Trailer legendado: https://youtu.be/IDpghx5c57c
Trailer dublado: https://youtu.be/6TBQwFEUBKA

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