Blog dos Livros

A Beleza Do Obscuro

23/01/2026 09:37 - por Mildo Fenner mildofenner@hotmail.com

A escritora e jornalista Maíra Valério apresenta “Amarga,” seu mais recente livro de poesia, que navega por temas como solidão, trabalho, amor, trauma e pressão pela felicidade em  tempos de redes sociais. A obra, vencedora do Prêmio Tato Literário na categoria poesia, conta com texto de orelha assinado por Thaís Campolina,  escritora e mediadora de leitura. 

Com versos secos, sarcasmo e toques de humor, “Amarga” constrói  poemas que exploram o que há de desagradável  e obscuro mesmo na banalidade do cotidiano. A epígrafe do livro, com trecho de Hilda Hilst, “Só não existe  amargura onde não existe o ser,”  já adianta o tom da obra.

Didivido em cinco seções –“remela,” “vazio em full HD,” “mordendo a cutícula,” “indigestão” e “trabalhar pra morrer”-  o livro mergulha em imagens do urbano e do digital, com elementos recorrentes como comida, coração, mãos e olhos. Ao trabalhar com um eu lírico assumidamente amargo, exagerado, ansioso e  cansado, a  autora quis explorar o que não é considerado de bom tom  em uma sociedade de aparências.

Nascida e criada em Brasília, a autora reconhece a influência  da capital em sua escrita.  Em recente entrevista ao Jornal de Brasília, ela disse: “Brasília é um paraíso artificial que, ao mesmo tempo, esmaga as pessoas com toques de recolher e distâncias  calculadas. Nascer e  crescer aqui é uma experiência impressa na minha subjetividade.” 

Com 96 páginas, o livro tem selo da Editora Orlando, que dá voz a escritores independentes com qualidade e profissionalismo. Com o lema “Histórias que desafiam o tempo,”   oferece serviços completos de edição, revisão, design e divulgação,  além de catálogos organizados em selos específicos, como infantil, poesia, ficção e não ficção. 

Trecho:
“Apesar do esforço do capitalismo tardio em fazer desaparecer  o que não parece propaganda  de si mesmo, o azedume ganha destaque nos versos de Maíra, o que legitima a nossa raiva, tão encoberta pela maquiagem  da positividade tóxica. E é tão  bom saber que uma mulher também está com raiva do mundo e  entender que não é só você que cansou dos sorrisos amarelos, ainda que siga sorrindo assim por costume.”

(Trecho do texto de orelha do livro, por Thaís  Campolina)

AUTOR PRESENTE I
Estão abertas as inscrições para mais uma edição  do Projeto Autor Presente,  promovido pelo  Instituto Estadual do Livro (IEL), ligado à Secretaria Estadual da Cultura, em parceria  com a Secretaria da Educação. Serão selecionados 150 escritores e artistas para realizar encontros literários com estudantes de 50 escolas públicas estaduais. 

AUTOR PRESENTE II
O   Projeto Autor   Presente tem como objetivo  
estimular a leitura, ampliar o repertório cultural e incentivar a criatividade  da comunidade escolar, além de valorizar a produção literária do Rio Grande do Sul. Escritores e ilustradores receberão R$  1,5 mil  e R$ 1 mil  para contadores de histórias e mediadores de leitura por encontro. As inscrições podem ser feitas até o dia 15  de  fevereiro no site do Instituto de Leitura Quindim, responsável pela execução técnica do  projeto.

Leituras:
“Só se vê   bem   com o coração, o essencial é invisível aos olhos.”
-Antoine de Saint-Exupéry (29 de junho de 1900/31 de julho de 1944), escritor, ilustrador e piloto francês,  internacionalmente reconhecido pelo seu livro “Pequeno Príncipe,” provavelmente a obra infantil mais celebrada da história. 

Destaques:

 NÓS


Autor: Victor Peres 

Neste livro infantil, o fio que liga Pedro e Aninha  vai além do simples gesto de estar junto: simboliza os vínculos que nos formam, os afetos que amadurecem e o tempo que ensina a  crescer sem se perder um do outro. Com ilustrações de Pedro Vergani, a obra apresenta uma história delicada  sobre viver junto, criar  independência  e  o amor em suas diversas formas. A narrativa acompanha duas crianças  conectadas por uma corda, metáfora dos laços e  da partilha. 
Editora Eureka. 35 páginas

TODA REZA É TENTATIVA DE TELECINESE 


Autora:
Flávia Teodoro Alves 

Livro de poemas escritos entre 2015 e 2022, refletindo sobre feminismo, identidade, trabalho e a  desconstrução do amor romântico. A  autora condensa em versos  fragmentados e intuitivos suas vivências na periferia de São Paulo, suas inquietações políticas  e  sua visão sobre o ato de escrever como forma de atacar o sentido estabelecido. Flávia Teodoro Alves atua como professora na rede pública em São Paulo, é mestre em Artes pela Unesp e pós-graduada em Formação de Escritores  pelo Instituto Vera Cruz. Em 2024, foi semifinalista na categoria Poesia Publicada do Prêmio Loba Festival.
Caravana Editorial. 50 páginas.  

(As obras mencionadas  no Blog dos Livros podem ser encontradas na Revistaria e Livraria Nascente, localizada na Rua Saldanha Marinho, 1423, Cachoeira do Sul) 

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