Blog dos Livros
A Beleza Do Obscuro
A escritora e jornalista Maíra Valério apresenta “Amarga,” seu mais recente livro de poesia, que navega por temas como solidão, trabalho, amor, trauma e pressão pela felicidade em tempos de redes sociais. A obra, vencedora do Prêmio Tato Literário na categoria poesia, conta com texto de orelha assinado por Thaís Campolina, escritora e mediadora de leitura.
Com versos secos, sarcasmo e toques de humor, “Amarga” constrói poemas que exploram o que há de desagradável e obscuro mesmo na banalidade do cotidiano. A epígrafe do livro, com trecho de Hilda Hilst, “Só não existe amargura onde não existe o ser,” já adianta o tom da obra.
Didivido em cinco seções –“remela,” “vazio em full HD,” “mordendo a cutícula,” “indigestão” e “trabalhar pra morrer”- o livro mergulha em imagens do urbano e do digital, com elementos recorrentes como comida, coração, mãos e olhos. Ao trabalhar com um eu lírico assumidamente amargo, exagerado, ansioso e cansado, a autora quis explorar o que não é considerado de bom tom em uma sociedade de aparências.
Nascida e criada em Brasília, a autora reconhece a influência da capital em sua escrita. Em recente entrevista ao Jornal de Brasília, ela disse: “Brasília é um paraíso artificial que, ao mesmo tempo, esmaga as pessoas com toques de recolher e distâncias calculadas. Nascer e crescer aqui é uma experiência impressa na minha subjetividade.”
Com 96 páginas, o livro tem selo da Editora Orlando, que dá voz a escritores independentes com qualidade e profissionalismo. Com o lema “Histórias que desafiam o tempo,” oferece serviços completos de edição, revisão, design e divulgação, além de catálogos organizados em selos específicos, como infantil, poesia, ficção e não ficção.
Trecho:
“Apesar do esforço do capitalismo tardio em fazer desaparecer o que não parece propaganda de si mesmo, o azedume ganha destaque nos versos de Maíra, o que legitima a nossa raiva, tão encoberta pela maquiagem da positividade tóxica. E é tão bom saber que uma mulher também está com raiva do mundo e entender que não é só você que cansou dos sorrisos amarelos, ainda que siga sorrindo assim por costume.”
(Trecho do texto de orelha do livro, por Thaís Campolina)
AUTOR PRESENTE I
Estão abertas as inscrições para mais uma edição do Projeto Autor Presente, promovido pelo Instituto Estadual do Livro (IEL), ligado à Secretaria Estadual da Cultura, em parceria com a Secretaria da Educação. Serão selecionados 150 escritores e artistas para realizar encontros literários com estudantes de 50 escolas públicas estaduais.
AUTOR PRESENTE II
O Projeto Autor Presente tem como objetivo
estimular a leitura, ampliar o repertório cultural e incentivar a criatividade da comunidade escolar, além de valorizar a produção literária do Rio Grande do Sul. Escritores e ilustradores receberão R$ 1,5 mil e R$ 1 mil para contadores de histórias e mediadores de leitura por encontro. As inscrições podem ser feitas até o dia 15 de fevereiro no site do Instituto de Leitura Quindim, responsável pela execução técnica do projeto.
Leituras:
“Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.”
-Antoine de Saint-Exupéry (29 de junho de 1900/31 de julho de 1944), escritor, ilustrador e piloto francês, internacionalmente reconhecido pelo seu livro “Pequeno Príncipe,” provavelmente a obra infantil mais celebrada da história.
Destaques:
NÓS

Autor: Victor Peres
Neste livro infantil, o fio que liga Pedro e Aninha vai além do simples gesto de estar junto: simboliza os vínculos que nos formam, os afetos que amadurecem e o tempo que ensina a crescer sem se perder um do outro. Com ilustrações de Pedro Vergani, a obra apresenta uma história delicada sobre viver junto, criar independência e o amor em suas diversas formas. A narrativa acompanha duas crianças conectadas por uma corda, metáfora dos laços e da partilha.
Editora Eureka. 35 páginas
TODA REZA É TENTATIVA DE TELECINESE

Autora: Flávia Teodoro Alves
Livro de poemas escritos entre 2015 e 2022, refletindo sobre feminismo, identidade, trabalho e a desconstrução do amor romântico. A autora condensa em versos fragmentados e intuitivos suas vivências na periferia de São Paulo, suas inquietações políticas e sua visão sobre o ato de escrever como forma de atacar o sentido estabelecido. Flávia Teodoro Alves atua como professora na rede pública em São Paulo, é mestre em Artes pela Unesp e pós-graduada em Formação de Escritores pelo Instituto Vera Cruz. Em 2024, foi semifinalista na categoria Poesia Publicada do Prêmio Loba Festival.
Caravana Editorial. 50 páginas.
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(As obras mencionadas no Blog dos Livros podem ser encontradas na Revistaria e Livraria Nascente, localizada na Rua Saldanha Marinho, 1423, Cachoeira do Sul)
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