Blog dos Livros
Resistência Dos Desalojados
O romance “Terras Submersas” (Editora Mondru, 168 páginas), livro de estreia do mineiro Lincoln de Barros, expõe a perversidade da expropriação de comunidades inteiras em nome de grandes obras públicas. Ambientada na região da Usina Hidrelétrica de Cana Brava, entre os municípios de Minaçu e Cavalcante (GO), a narrativa escancara a negligência com que moradores e trabalhadores das áreas alagadas foram tratados.
Misturando ficção e relatos reais, o autor constrói um romance contundente que indigna ao retratar injustiças sociais pouco visibilizadas no país. O livro aborda uma forma agressiva de expansão capitalista recorrente no Brasil, como nos exemplos recentes das tragédias de Mariana e Brumadinho.
A obra nasce diretamente da trajetória profissional do autor. Lincoln foi auditor em um processo envolvendo a própria Hidrelétrica de Cana Brava, exercendo função semelhante à de seus personagens centrais.
Dividido em nove capítulos, “Terras Submersas” tem início com a ocupação da sede de um banco, na capital federal, pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). O protesto resulta na realização da auditoria, o que leva os consultores a viajar até Goiás para apurar as denúncias do movimento. No processo, eles se deparam com a dimensão concreta da tragédia e com o descaso de empresas e órgãos oficiais frente aos impactos sociais e emocionais provocados pela construção da usina.
Os capítulos mais arrebatadores são aqueles que dão voz direta às vítimas: homens e mulheres que perderam suas casas, suas terras e seus meios de subsistência. Com linguagem sensível e precisa, Lincoln descreve o estado emocional dessas pessoas -uma mistura constante de esperança e desesperança- e compartilha o impacto que essas histórias lhe causaram.
Lincoln de Barros nasceu e vive em Belo Horizonte (MG) e, aos 78 anos, estreia na ficção após uma trajetória profissional singular. Foi balconista de farmácia, motorista de táxi, aprendiz de ator, professor e sindicalista, entre outras experiências. Formado em Filosofia, especialista em Análise de Sistemas e mestre em Administração Pública, atuou durante quatro décadas no setor de tecnologia da informação e comunicação, na maior parte na administração pública.
Trecho:
“Muitos são os que lucram com o dito progresso. Maior ainda é o número de desamparados e sem chão, dos desalojados de suas terras e de suas atividades. Entre a implacável roda da máquina do mundo e o desalento angustiado dos injustiçados estão os que apartam, mediam e tentam minimizar os efeitos perversos da tragédia.”
(Trecho do texto de orelha do livro, assinado pelo escritor João Novais)
SUGESTÕES PARA O VERÃO
Jornal O Globo selecionou nove livros cheios de sol, calor e tempestade como sugestão para ler nas férias de verão. São eles: O estrangeiro, de Albert Camus; A filha perdida, de Elena Ferrante; A dama e o cachorrinho, de Anton Tchekhov; O sol na cabeça, de Geovani Martins; Uma noite com Sabrina Love, de Pedro Mairal; O colibri, de Sandro Veronesi; Esboço, de Rachel Cusk; Tarde no planeta, de Leonardo Piana; e Crime e Castigo, de Fiodor Dostoiévski.
PRÊMIO LEYA
Até 30 de abril encontram-se abertas as
inscrições para o Prêmio Leya 2026. Além de prêmio em dinheiro, o vencedor terá contrato de edição pelo prazo de dez anos. Os originais no gênero romance em Língua Portuguesa devem ser inscritos na plataforma da Editora Leya e devem ter um mínimo de 200 mil caracteres.
Leituras:
“Na literatura, assim como no amor, sempre somos surpreendidos pelas escolhas dos outros.”
-André Maurois (26 de julho de 1885/9 de outubro de 1967), romancista e ensaísta francês, conhecido por suas biografias em forma de romances.
Destaques:
CINCO PEDRINHAS
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Autora: Ana Paula Mira
Ana Paula Mira transporta o leitor para uma casa contornada por um rio, onde a pequena Lete escuta os sons noturnos e sonha em encontrar uma sereia. No dia seguinte, entre pedras coloridas e castelos de areia, a menina mergulha em um diálogo imaginário com a figura lendária enquanto sua mãe lhe ensina um jogo apreendido com a avó. A prosa poética convida à reflexão sobre a passagem do tempo e o desaparecimento de certas tradições. O livro possui encadernação costurada manualmente e aplicação de detalhe transparente em papel vegetal no miolo.
Editora Arpillera. 45 páginas.
O VESTIDO DE POÁ LAVANDA
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Autora: Márcia Mendes
A autora conduz o leitor por uma narrativa que reflete sobre o tempo, a partir da amizade entre uma agulha e uma linha. A costureira dona Trim confecciona um vestido especial para a jovem Luena, enquanto sua filha, Zola, observa curiosa e aprende sobre a vida através das conversas e dos ensinamentos maternos. O livro é ilustrado por David Holanda, possui encadernação costurada manualmente, recorte na capa e aplicação de tecido na folha de rosto.
Editora Arpillera. 35 páginas.
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(As obras mencionadas no Blog dos Livros podem ser encontradas na Revistaria e Livraria Nascente, localizada na Rua Saldanha Marinho, 1423, Cachoeira do Sul)
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