Blog da Poesia

A mulher fenomenal, de Maya Angelou

04/03/2026 10:09 - por Tiago Vargas tiagovargas.uab@gmail.com

No mês dedicado as mulheres, o Blog da Poesia abre as postagens dedicando espaço para uma grande escritora norte-americana.

Maya Angelou.

Maya Angelou, pseudônimo de Marguerite Ann Johnson, nasceu em 4 de abril de 1928, em St. Louis, nos Estados Unidos. 

Além de escritora, foi também dançarina, cantora, atriz, professora e ativista política. Sua primeira obra — a bem-sucedida autobiografia Eu sei por que o pássaro canta na gaiola — foi publicada em 1969.

A poetisa, que faleceu em 28 de maio de 2014, em Winston-Salem, nos Estados Unidos, é autora, entre outras obras clássicos, do poema Ainda assim eu me levanto. 

Sua produção escrita ficou marcada pela crítica social, questões de gênero e condenação ao racismo.

 Além disso, ela se tornou a primeira mulher negra a estampar uma moeda nos Estados Unidos.

Sua escrita se caracteriza pela pungência, combatividade a autoafirmação. 

Mulher fenomenal é uma de suas obras mais significativas. No texto poético podemos ver sua postura autoconfiante e determinada, traços que marcou sua vida pessoal ao longo da vida e que representa a superação de vários traumas sérios de sua infância. 

Características da obra de Maya Angelou

As obras de Maya Angelou estão inseridas no contexto da pós-modernidade e apresentam as seguintes características:
-
 caráter confessional;
- crítica social;
- versos livres;
- condenação ao racismo;
- afirmação da negritude;
- protagonismo da voz feminina;
- perspectiva identitária;
- escrita autobiográfica;
questões de gênero, raça e memória;
representação da beleza negra;
- fragmentação da narrativa;
- hibridismo cultural.

Mulher fenomenal, de Maya Angelou (EUA)

Lindas mulheres indagam onde está o meu segredo
Não sou bela nem meu corpo é de modelo
Mas quando começo a lhes contar
Tomam por falso o que revelo

Eu digo,
Está no alcance dos braços,
Na largura dos quadris
No ritmo dos passos
Na curva dos lábios
Eu sou mulher
De um jeito fenomenal
Mulher fenomenal:
Assim sou eu

Quando um recinto adentro,
Tranquila e segura
E um homem encontro,
Eles podem se levantar
Ou perder a compostura
E pairam ao meu redor,
Como abelhas de candura

Eu digo,
É o fogo nos meus olhos
Os dentes brilhantes,
O gingado da cintura
Os passos vibrantes
Eu sou mulher
De um jeito fenomenal
Mulher fenomenal:
Assim sou eu

Mesmo os homens se perguntam
O que veem em mim,
Levam tão a sério,
Mas não sabem desvendar
Qual é o meu mistério
Quando lhes conto,
Ainda assim não enxergam

É o arco das costas,
O sol no sorriso,
O balanço dos seios
E a graça no estilo
Eu sou mulher
De um jeito fenomenal
Mulher fenomenal
Assim sou eu

Agora você percebe
Porque não me curvo
Não grito, não me exalto
Nem sou de falar alto
Quando você me vir passar,
Orgulhe-se o seu olhar

Eu digo,
É a batida do meu salto
O balanço do meu cabelo
A palma da minha mão,
A necessidade do meu desvelo,
Porque eu sou mulher
De um jeito fenomenal
Mulher fenomenal:
Assim sou eu.

Trecho do poema "Mulher Fenomenal"

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