Blog da Poesia
Três poemas de André Capilé
André Capilé nasceu na margem mansa do Sul Fluminense em 1978; residiu em Juiz de Fora – MG, onde se graduou em Filosofia pela UFJF, em 2009. Cursou Mestrado e Doutorado em “Literatura, Cultura & Contemporaneidade” pela PUC-Rio. Publicou, em conjunto com Carolina Barreto, dois; a plaquete zangarreio; rapace; balaio e muimbu.
É autor de Infenso, publicação que mistura experimentação formal com experiências vividas, com destaque para os poemas “teu nome a terra-alarme’’, “meninos do ninho: laboratório de extermínio’’ e “no breque’’.
Poesia contemporânea, moderna, a escrita como um objeto inusual e novo, atravessado por ritmo, política, história, fé, existencialismo, fabulação e invenção.
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há certo conforto no jazz
tirado ao timbre do apetite
fumaça e bourbon. o que pensam:
ainda há tempo; vai dar certo.
piano e bumbo estancam justos
— síncope de galope, um loop.
se saírem, fala depressa
— hora de ir — não por impulso.
largados do lado de fora
um pouco mais de paciência
e ninguém mais nos incomoda.
a noite esfria enquanto esperam.
mais um pouco e as luzes se apagam.
ainda há tempo; vai dar certo.
….
a certeza das sentenças
ao formar períodos curtos
riscam as móveis lacunas
com carvão seus componentes
entre os nós de alguns hiatos
tipo de invasão medida
espécie de diretiva
que aceita de cada traço
a vibração das constantes
que só por dentro se roem
entregam o plano e movem
no tédio da mão estanque
um vão inteiro de vírgulas
que entram sem muitos vivas
…..
um rio, são rios de água vária,
que na avaria do terreno encontra
percurso. um rio tem muitos caminhos,
em que desaguam pedras, queda bruta.
que não por navegar, mas de ser levado
a beber dele — o remoinho — um rio
que corre sem córrego, natural
da força donde se cria a si, sem
freio — puro dínamo de ser rio
corrente, uma usina de não caber
em comportas — não se estagna em remanso.
nos damos muito próximos à dança
mobilizados ao tremor dos dias.
brandos, somos dois; somos como bandos.
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