Blog da Poesia
O legado poético de Sara Claveaux de Jardim
Cachoeirense falecida nesta semana foi uma das mulheres mais importantes e relevantes da nossa literatura
Estudar o passado ajuda na compreensão do presente e do futuro. Essa é a premissa da história. Referenciar nossos poetas também. Precisamos respeitá-los, conhecê-los, aprender com eles, usufruir de sua companhia.
O Blog da Poesia desta semana está especial, pois presta homenagem a uma das mulheres mais importantes e relevantes da nossa literatura/cultura/história.
Sara Claveaux de Jardim, uruguaia de nascença e cachoeirense de coração.
Algumas homenagens foram feitas em vida. Dona Sara soube da nossa admiração e respeito.
Segui aqui uma homenagem póstuma.
Com carinho e saudade.
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Acervo pessoal, Tiago Vargas e Sara Jardim
Nascida no país vizinho, Uruguai, veio para Cachoeira do Sul após casar-se com Geanone Jardim, advogado da nossa cidade. Em 1950 assumiu o consulado Honorário do Uruguai em Cachoeira. Em 1954 passou a lecionar Espanhol na Escola João Neves da Fontoura e mais tarde língua Francesa.
Em 1982 aposentou-se e começou a trabalhar como Artista Plástica com sua magnífica pintura em porcelana.
Ao longo do tempo participou de oito exposições nacionais e internacionais em Gramado - RS nas quais conquistou cinco prêmios por criatividade.
Naturalizou-se Brasileira nesta mesma época.
No ano de 2000 foi escolhida a mulher mais elegante da metade do último século.
Em 2011 foi escolhida mulher do ano em Cultura e participou ativamente do Poetas do Vale, até a última edição.
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Serenidade
(a meu filho Mário)
Do cachimbo aceso
com cheiro de mel,
sobe uma fumaça
preguiçosa e branca,
serena, impalpável,
suave e desenhada,
que densa ao começo
dissolve-se em nada.
E vejo teus olhos
seguindo a fumaça
que adeja e flutua
com encantamento,
subindo, subindo
transparente e pálida
levando em sua dança
o teu pensamento.
E perdido em sonhos,
fantasias aladas,
perdes o sentido
das horas passadas.
Sara Jardim
Mar de Cachoeira
Em Cachoeira não existe mar:
Mas navego em águas sem margens.
Em Cachoeira não existe mar
Mas te procuro no horizonte sem fim.
Sinto o barulho do vaivém das ondas,
Levito sobre um mar profundo
Com meu amor.
E na imaginação de poeta
Vejo um navio que te traz de volta.
Mas em Cachoeira não existe mar!
Sara Jardim
O ADEUS
(a minha mãe)
Cheguei tarde demais,
tinhas partido
sem o consolo de um adeus!
Chorei, olhando tudo
o que era teu, e amavas.
Visitei desolada os caminhos
que percorríamos juntas
de mãos dadas.
Passou o tempo,
e te encontrei nas novas alegrias...
e nas horas desesperadas.
Te pressenti na beleza das flores,
na música do mar
e nas noites prateadas.
Descobri que o adeus ficou em teus lábios
porque nunca estaremos separadas!
Sara Jardim
TEMPO
Nos castelos de areia
Ficou a infância.
Nos castelos das nuvens
Foi o amor.
Como era bom, maravilhoso!
Aquele tempo que passou.
A ausência eterna
Virou o tempo em lágrimas
Mas a saudade na mente o recriou.
Como era bom, maravilhoso!
Aquele tempo que passou.
Sara Jardim
Fragmentos
Ouro, rosa e azul
estava o céu.
E esse contraste suave
cobria a terra.
Então fechando os olhos
vi tua imagem.
Chegando junto com a primavera
A estação que tu amavas!
E o incrível esplendor desse momento
A dor de tuas lembranças, sufocou.
Oh, pai! Um fragmento feliz
de minha vida
findou com teu adeus
de despedida.
Sara Jardim
Página em Branco
No começo do meu livro
Deixei uma página em branco.
- Símbolo de paz? – Pureza
- Nada disso...
- Desengano!
- Palavras que eu nunca disse
E que nunca pude ouvir...
- O que desejei pedir
E que morreu nos meus lábios
- O que me inspiraste um dia
e não soube traduzir.
- A pena de ver surgir
um futuro sem amor.
- O pranto que não verti
e que me anegava a alma.
Tudo na brancura calma
dessa página, omiti.
Sara Jardim
Poemas poesias versos
Música e poesia
A música balança o corpo
A poesia os sentimentos
Todos ritmados
No mesmo jeito…
O corpo responde
A boca se cala
A poesia então fala…
Na mesma língua
Em sintonia
Brinca com rimas
Move o corpo…
Inunda a emoção
Sem noção
Perde-se no devaneio
Na arte da representação!
Claudete Moraes Rodrigues.
Inventário da geração
Quem será que se perdeu a meio caminho entre Aleppo e o oriente
Quem se perdeu num monastério dos Lamas. Ou na Cruz
Perdidos procurando respostas e, esquecendo perguntas.
Procura de pátios, portas e portais
Quem será que se perdeu dormente entre o ácido e o pó.
Quem será que se perdeu entre tiros e ideologias na estrada de Havana.
Quem será que se perdeu nas reticências da eletricidade de um rock
Dos livros, do dinheiro e da Cruz.
Nunca viu que a saída está apenas ao dobrar uma esquina e mergulhar no universo.
Eduardo Florence
O vento assobia
a árvore gesticula
acena como pêndulo
e oscila numa alquimia
entre a noite que inicia
e a manhã dentro de mim.'
Zaira Cantarelli
O ar movimentado é o vento,
A música, o barulho arrumadinho
Os silêncios conversam quietudes
E os tudos nadeiam bem cheios.
Dilso J. Dos Santos
Existência
Existo no olhar,
No gesto, na palavra...
Existo na doação,
Na disponibilidade, na compreensão...
Existo, em plenitude,
No amor, nesta simbiose:
- Pensamento-coração...
Madalena Alverne Medeiros Silva
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