Blog da Poesia
A integração entre presente e passado na poesia de Ferreira Gullar
Nascido em São Luis, capital do Maranhão, em 10 de setembro de 1930, José Ribamar Ferreira adotou o sobrenome Gularte de sua mãe para compor sua persona artística (adaptando a grafia portuguesa).
Projetou-se nacionalmente a partir de 1950 com o poema Galo.
Em 1975, exilado em Buenos Aires, Gullar concluiu o célebre poema sujo, um longo texto de quase 100 páginas que chegou ao Brasil gravado em uma fita cassete trazido por ninguém menos que Vinicius de Moraes. A época Vinicius saudou a obra como o mais importante escrito em qualquer língua nas últimas décadas.
Por sua vez, Clarice Linspector, saudou poema sujo como ‘’escandalosamente belíssimo’’.
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Neste contexto, pode-se dizer que, Pásargada está para Manuel Bandeira assim como poema sujo para Ferreira Gullar.
Colecionador de prêmios, Gullar, venceu o Machado de Assis da Biblioteca Nacional em 2005 e o Camões, a mais importante e destaca premiação em língua portuguesa no mundo em 2010.
Falecido recentemente, Gullar deixou uma obra sólida, forte, inovadora e ao mesmo tempo acessível.
Sua linguagem poética mescla prosa, ritmo e poesia.
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[como definir Ferreira Gullar] Poesia única, de um poeta extraordinário.
Poemas de Ferreira Gullar
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Homem comum
Sou um homem comum
de carne e de memória
de osso e esquecimento.
Ando a pé, de ônibus, de táxi, de avião
e a vida sopra dentro de mim
pânica
feito a chama de um maçarico
e pode
subitamente
cessar.
Sou como você
feito de coisas lembradas
e esquecidas
rostos e
mãos, o guarda-sol vermelho ao meio-dia
em Pastos-Bons,
defuntas alegrias flores passarinhos
facho de tarde luminosa
nomes que já nem sei.
Como dois e dois são quatro
Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdade pequena
Como teus olhos são claros
e a tua pele, morena
como é azul o oceano
e a lagoa, serena
como um tempo de alegria
por trás do terror me acena
e a noite carrega o dia
no seu colo de açucena
- sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade, pequena.
Os mortos
Os mortos veem o mundo
pelos olhos dos vivos
eventualmente ouvem,
com nossos ouvidos,
certas sinfonias
algum bater de portas,
ventanias
Ausentes
de corpo e alma
misturam o seu ao nosso riso
se de fato
quando vivos
acharam a mesma graça.
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