DE VOLTA AOS TRILHOS

27/06/2026 00:00 - por Redação jp@jornaldopovo.com.br

Cachoeira aguarda retomada das ferrovias

Uma das últimas cargas de trem a passar pela Estação Ferroviária de Cachoeira do Sul há mais de 10 anos

O sistema modal de transporte por trilhos está em situação de abandono em quase todo o Rio Grande do Sul e Cachoeira não está fora deste mapa. Entretanto, os projetos federais incluem a nova licitação da concessão das estradas de ferro gaúchas, possivelmente para setembro, com expectativa para a retomada do transporte por ferrovias, tanto de passageiros quanto de cargas. O sistema opera com diversos trechos desativados e outros à espera da reconstrução após os prejuízos sofridos pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.

O contrato de concessão da chamada Malha Sul, rede ferroviária que atravessa cinco estados – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul –, operada pela empresa Rumo desde 1997, expira no ano que vem e o governo federal inseriu a nova licitação já nas concessões de 2026. Pelo projeto do Ministério dos Transportes, haverá divisão da rede em diferentes corredores logísticos. O certo é que a ferrovia será até 2035 uma peça essencial para reduzir os custos logísticos e recuperar a competitividade do Rio Grande do Sul.

O EDITAL

Política Nacional de Outorgas Ferroviárias


Transporte de passageiros pela estrada de ferro em Cachoeira do Sul nos anos 80. Hoje a linha está desativada

O que já está pensado:

- 8 leilões para o setor ferroviário neste ano, com R$ 140 bilhões destinados à expansão e modernização da malha ferroviária nacional.

- Para a Malha Sul, são 880 quilômetros, com contrato de 35 anos, investimento estimado em R$ 2,8 bilhões e capacidade para transportar até 5,7 milhões de toneladas por ano. No estado, serão dois corredores, Rio Grande do Sul e Mercosul.

- O Rio Grande do Sul não tem, atualmente, conexão com a malha brasileira e a concessão atual não consegue mais trazer benefícios ao estado, principalmente porque não recompôs os trechos operacionais antes mesmo da superenchente. R$ 2 bilhões é o custo para recuperar trechos após enchentes.

- Sem as ferrovias e as hidrovias, o RS vem sobrecarregando as rodovias, cada vez com maior volume de acidentes, tráfego e gargalos logísticos. O Sistema Fiergs, por exemplo, defende um novo modelo de concessão para a Malha Sul, priorizando a integração da ferrovia com portos, polos logísticos e outros modais de transporte, além da modernização tecnológica da malha ferroviária.

- Dos 3,8 mil quilômetros existentes em 1996, quando a atual concessionária assumiu o serviço, hoje operam apenas 921 quilômetros entre Cruz Alta e Porto de Rio Grande, com velocidade em torno de 12 quilômetros por hora.

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