Blog dos Espíritos

Lei de Justiça, de Amor e de Caridade

20/11/2023 09:20 - por Rosane Sacilotto

A justiça
“A justiça consiste em cada um respeitar os direitos dos demais”. Assim definem os Espíritos Superiores da Codificação da Doutrina Espírita, em resposta ao questionamento 875 de Allan Kardec. Uma das grandes chagas da humanidade, o egoísmo não nos deixa muitas vezes respeitar esses direitos, sobrepondo nossa opinião, desejo e vontade acima de todos os demais. 
São nossas paixões e visão excessivamente materialista que nos fazem enxergar as coisas sobre um prisma diferente, distorcendo a justiça para nos beneficiar, tornando justo para nós o que é injusto para os demais.

O sentimento de justiça está na nossa natureza “de tal modo, que vos revoltais à simples ideia de uma injustiça. É fora de dúvida que o progresso moral desenvolve esse sentimento, mas não o dá. Deus o pôs no coração do homem. Daí vem que, frequentemente, em homens simples e incultos se vos deparam noções mais exatas da justiça do que nos que possuem grande cabedal de saber”.

Direitos e deveres
Os direitos e os deveres são definidos de duas formas: pela lei humana e pela Lei Natural ou Lei de Deus. “Tendo os homens formulado leis apropriadas a seus costumes e caracteres, elas estabeleceram direitos que podem ter variado, com o progresso das luzes. Vede se hoje as vossas leis, sem serem perfeitas, consagram os mesmos direitos que as da Idade Média. Entretanto, esses direitos antiquados, que agora se vos afiguram monstruosos, pareciam justos e naturais naquela época. Nem sempre, pois, é acorde com a justiça o direito que os homens estabelecem. Ademais, este direito regula apenas algumas relações sociais, quando é certo que, na vida particular, há uma imensidade de atos unicamente da alçada do tribunal da consciência”.

A base da justiça natural está no ensinamento do Mestre Jesus: “Queira cada um para os outros o que quereria para si mesmo. No coração do homem imprimiu Deus a regra da verdadeira justiça, fazendo que cada um deseje ver respeitados os seus direitos. Na incerteza de como deva proceder com o seu semelhante, em dada circunstância, trate o homem de saber como quereria que com ele procedessem, em circunstância idêntica.

Guia mais seguro do que a própria consciência não lhe podia Deus haver dado”.
Ensinam os Benfeitores Espirituais que o primeiro de todos os direitos é o “de viver. Por isso é que ninguém tem o de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal”.

Amor e caridade
E assim, o homem que praticar a justiça em toda sua pureza, verdadeiramente justo, a exemplo de Jesus, praticará também o amor ao próximo e a caridade, pois que andam juntos.

O verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus, é: “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas”. Kardec nos complementa em nota à questão 886 este entendimento tão importante: “O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejaríamos nos fosse feito.

Tal o sentido destas palavras de Jesus: Amai-vos uns aos outros como irmãos. A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, abrange todas as relações em que nos achamos com os nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, nossos iguais, ou nossos superiores. Ela nos prescreve a indulgência, porque de indulgência precisamos nós mesmos, e nos proíbe que humilhemos os desafortunados, contrariamente ao que se costuma fazer. Apresente-se uma pessoa rica e todas as atenções e deferências lhe são dispensadas.

Se for pobre, toda gente como que entende que não precisa preocupar-se com ela. No entanto, quanto mais lastimosa seja a sua posição, tanto maior cuidado devemos pôr em lhe não aumentarmos o infortúnio pela humilhação. O homem verdadeiramente bom procura elevar, aos seus próprios olhos, aquele que lhe é inferior, diminuindo a distância que os separa”.

Lições de São Vicente de Paulo
E nos ensinamentos trazidos pelo Espírito São Vicente de Paulo, finalizando este capítulo sobre as Leis Naturais, encontramos resumidamente um verdadeiro manual sobre o qual podemos pautar nossas existências neste mundo de provas e expiações, rumo a voos mais altos e ao progresso espiritual: “A verdadeira caridade é sempre bondosa e benévola; está tanto no ato, como na maneira por que é praticado. Duplo valor tem um serviço prestado com delicadeza.

Lembrai-vos também de que, aos olhos de Deus, a ostentação tira o mérito ao benefício. Disse Jesus: ‘Ignore a vossa mão esquerda o que a direita der’. Amai-vos uns aos outros, eis toda a lei, lei divina, mediante a qual governa Deus os mundos. O amor é a lei de atração para os seres vivos e organizados. A atração é a lei de amor para a matéria inorgânica. Não vos esqueçais nunca que o Espírito, quaisquer que sejam o grau de seu adiantamento e a sua situação, como encarnado ou na erraticidade, está sempre colocado entre um superior, que o guia e aperfeiçoa, e um inferior, para com o qual tem que cumprir esses mesmos deveres.

Sede, pois, caridosos, praticando não só a caridade que vos faz dar friamente o óbolo que tirais do bolso ao que vo-lo ousa pedir, mas a que vos leve ao encontro das misérias ocultas. Sede indulgentes com os defeitos dos vossos semelhantes. Em vez de votardes desprezo à ignorância e ao vício, instruí os ignorantes e moralizai os viciados. Sede brandos e benevolentes para com tudo o que vos seja inferior. Sede-o para com os seres mais ínfimos da criação e tereis obedecido à lei de Deus”.
KARDEC, Allan – “O Livros dos Espíritos”.

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