Blog do Mistério
O retrato assombrado
No século XVIII, um homem ajudou a decidir os rumos da Europa sentado à mesa das negociações. François-Jean-Gabriel de La Porte du Theil teve uma importância tão grande quanto seu nome, secretário de relações exteriores do rei Luís XV e uma das figuras envolvidas no Tratado de Viena, um importante acordo firmado pela França em 1738.
O momento histórico foi eternizado pelo pintor Jacques André. No retrato, du Theil aparece concentrado, pena em mãos, assinando o documento que mudaria o destino de territórios e dinastias. À primeira vista, trata-se apenas de uma elegante pintura de época, semelhante a tantas outras espalhadas por museus europeus.
Mas há quem garanta que o quadro guarda algo além de tinta e tela. Funcionários e visitantes do museu onde hoje a obra se encontra relataram uma sensação desconfortável ao permanecer diante dela por muito tempo. Alguns afirmam ter percebido a figura retratada mudando sutilmente de expressão; outros juram que os olhos do político parecem acompanhar os observadores pela sala.
O relato mais inquietante, porém, diz respeito ao próprio Jean Gabriel. Segundo a lenda, seu espírito teria sido visto nas proximidades do retrato, parado em silêncio diante da própria imagem, como se contemplasse eternamente o instante que o tornou parte da História. Seria arrependimento? Orgulho? Ou apenas a incapacidade de abandonar aquilo que considerou sua maior realização?
É claro que não existem provas de que o fantasma do diplomata realmente caminhe pelos corredores onde a pintura é exibida. A ciência costuma atribuir esses episódios à sugestão, à expectativa criada pelas histórias e às ilusões provocadas pela iluminação e pela própria técnica dos retratos clássicos, cujos olhares parecem seguir quem os observa. Mas a ciência não é fã de mistérios.
De qualquer forma, alguns quadros não são somente momentos retratados, eles podem guardar histórias e até assombrações para quem acredita nelas. Certos momentos podem definir ou resumir uma vida de qual forma que nem a morte consegue convencer alguém a deixá-los para trás.
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