Qualidades da prece

04/07/2022 08:55 - por Eleni Maria Machado



Quando orardes não vos assemelheis aos hipócritas, que, afetadamente, oram de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas para serem vistos pelos homens. Digo-vos, em verdade, que eles já receberam sua recompensa. Quando quiserdes orar, entrai para o vosso quarto e, fechada a porta, orai a vosso Pai em secreto; e vosso Pai, que vê o que se passa em secreto, vos dará a recompensa.

Não cuideis de pedir muito nas vossas preces, como fazem os pagãos, os quais imaginam que pela multiplicidade das palavras é que serão atendidos. Não vos tornei semelhantes a eles, porque vosso Pai sabe do que é que tendes necessidade, antes que lho peçais. (Mateus, 6:5 – 8).

Jesus nos indica claramente as qualidades da prece. E quando nos apresentamos diante de Deus para orar, consultemos a nossa consciência e, se tivermos qualquer coisa contra alguém, perdoemos primeiro para que Deus perdoe nossas faltas. Vamos evocar aqui a oração do Pai Nosso: “...perdoai as nossas ofensas, assim como perdoamos aqueles que têm nos ofendido...”, indicando que a prece agradável a Deus é a que parte de um coração purificado pelo sentimento da caridade. E a prece deve ser uma rogativa entre filho e Pai, em secreto, na intimidade do nosso coração, do nosso pensamento que se eleva a Ele. Não é pela multiplicidade de palavras que seremos escutados, mas pela sinceridade que colocamos nelas.

Eficácia da prece


Seja o que for que peçais na prece, crede que o obtereis e concedido vos será o que pedirdes. (Marcos, 11:24)

Há quem conteste a eficácia da prece, com fundamento no princípio de que, conhecendo Deus as nossas necessidades, inútil se torna expor-lhas. E, acrescentam os que assim pensam que, achando-se tudo no Universo encadeado por Leis Eternas, não podem as nossas súplicas mudar os decretos de Deus.

Sem dúvida que as Leis Naturais são imutáveis, como imutável é Deus, que não podem ser anuladas ao capricho de cada um de nós; mas vai uma grande distância crer-se que todas as circunstâncias da vida estão submetidas à fatalidade. Se assim o fosse o homem não teria o livre-arbítrio e seria um instrumento passivo, sem iniciativa; desta forma não poderia ser responsabilizado pelos atos da vida porque não dependeria de si evitá-los. Deus outorgou à todos os Espíritos a razão, a inteligência, a vontade, a atividade, para fazer seu uso e, assim, livre para escolher num sentido ou noutro, acarretando a si e aos outros consequências de seus atos. Destes atos resultam de sucessos que escapam à fatalidade sem atingir a harmonia das Leis Universais. Então, é possível que Deus atenda a certos pedidos, sem perturbar a imutabilidade das leis que regem o conjunto, sempre subordinadas à Sua vontade.

Mas é imaturo deduzir que tudo o que pedirmos nos será concedido. Se uma criança pedir aos pais algo que lhe seja prejudicial, estes não atenderão ao pedido. Igualmente, Deus não atenderá pedido que venha a ser um mal para aquele que o pede. O homem somente vê o presente; então acusa a providência divina pelos pedidos não satisfeitos. Se o sofrimento é de utilidade para a sua felicidade futura, Deus o deixará sofrer, como um cirurgião deixa que o doente sofra as dores de uma operação que lhe trará a cura.

Importante termos a consciência de que somos aprendizes neste mundo terreno e muito necessitados ainda nos encontramos; muito longe da angelitude. 

Mas o que Deus sempre irá nos conceder é a coragem, a paciência, a resignação. Mas peçamos com confiança! Também nos concederá os meios de, por nós próprios, sairmos das dificuldades mediante ideias sugeridas pelos bons Espíritos; deixando-nos, desta forma, o mérito da ação. Ele assiste os que ajudam a si mesmos, de conformidade com esta máxima: “Ajuda-te, e o Céu te ajudará”, deixando claro que aquele que se esforça para superar as dificuldades, será auxiliado.

Prece e transmissão do pensamento


O Espiritismo torna compreensível a ação da prece, explicando o modo de transmissão do pensamento.

A prece é uma invocação, mediante a qual o homem entra, pelo pensamento, em comunicação com o ser a quem se dirige. O objetivo pode ser um pedido, um agradecimento ou uma glorificação. Podemos orar por nós mesmos ou pelos outros, pelos vivos e pelos mortos.

(O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXVII)

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