Blog dos Espíritos

A prece

08/07/2024 09:24 - por Rosane Sacilotto

O bálsamo salutar
“O Evangelho Segundo o Espiritismo” nos traz, em seu capítulo 27, “Pedi e obtereis”, a definição de prece: “É uma invocação, mediante a qual o homem entra, pelo pensamento, em comunicação com o ser a quem se dirige. Pode ter por objeto um pedido, um agradecimento, ou uma glorificação. Podemos orar por nós mesmos ou por outrem, pelos vivos ou pelos mortos. As preces feitas a Deus são ouvidas pelos Espíritos incumbidos da execução de suas vontades. Quando alguém ora a outros seres que não a Deus, fá-lo recorrendo a intermediários, a intercessores, porém nada acontece sem a vontade de Deus”.

Já em “O Livro dos Espíritos”, questão 658 (“agrada a Deus a prece”?), temos a orientação dos Espíritos quando nos dizem que agrada a Deus toda prece feita com o coração, não importando seu tamanho. Uma prece lida, por mais bonita e cheia de belas palavras, de nada vale se apenas lida sem sinceridade, sem fé. 

Também de nada adianta recorrermos ao bálsamo sublime da oração se estamos com os corações cheios de ódio, egoísmo e rancor, devemos primeiro nos despojarmos de todos os sentimentos inferiores, perdoar sinceramente as faltas que nos acometeram, para que nossas faltas também possam ser perdoadas por nosso pai.

Aquele que ora a Deus para que perdoe as suas faltas, só o obtém se mudar sua atitude, primeiro deve também perdoar as faltas de seus irmãos, e segundo deve manter-se no caminho da caridade e da retidão moral. De nada adianta pedir perdão a Deus e continuar com os mesmos erros. As boas ações são a melhor prece, porque um ato vale mais que mil palavras.

Palavras sinceras
A prece torna melhor o homem, que nela deposita sua confiança e fervor, aproximando-se de Deus e pondo-se em comunicação com ele, pedindo sempre forças para suportar as provas, as tentações e o mal, recebendo dele o socorro e amparo dos bons Espíritos, o que não significa que todos os seus problemas serão resolvidos, mas que terá coragem, resignação e forças para suportá-los e vencê-los.

O poder da prece está no pensamento, na intenção e na fé que se tem ao orar, não dependendo do lugar, do momento e muito menos das palavras usadas. Portanto, podemos orar a qualquer hora, em qualquer lugar, sozinhos ou em comunhão, devendo para tanto estarem todos ligados pelo mesmo objetivo e sentimento, tendo desta forma a prece uma ação mais poderosa e eficaz.

Uma prece sincera que fazemos por outra pessoa alcança os bons Espíritos, que vêm ao auxílio daquele a quem desejamos beneficiar, sejam estes desencarnados ou encarnados. Desta forma, orar pelos nossos irmãos, principalmente aqueles que sofrem, constitui um ato de amor e caridade, que com certeza não passará despercebido pela espiritualidade benfeitora, auxiliando naquilo que for possível, claro que levando-se em conta merecimento e arrependimento do beneficiado, lembrando que a prece só tem efeito para aqueles que se arrependem.

Ao fazer uma prece, devemos nos colocar com humildade aos pés de Deus, reconhecer nossa pequenez, agradecer por todos os benefícios que recebemos até aquele momento, pelo dia e pela noite que nos foram concedidos, por tudo que nos foi permitido viver e aprender, pelos nossos guias espirituais e por podermos contar com o auxílio deles, suplicando a Deus nos ampare diante de nossas fraquezas e nos seja misericordioso, devemos pedir aquilo que realmente necessitamos, sendo inútil pedir que se abrevie ou que se anule nossas provas, já determinadas e pelas quais devemos passar para expiarmos nossas faltas passadas.

Resignação e paciência
E quando não atendidos em nossos pedidos, não nos revoltemos ou questionemos a providência divina, tenhamos a certeza e a resignação para entendermos que o que pedimos era algo que não podia ser mudado ou que precisamos olhar com mais atenção para nós mesmos e verificarmos se pedimos com fé, se nossos corações estão puros, sem egoísmo, sem rancor, ou ainda se aquilo que não nos foi concedido neste momento não é senão um livramento ou para que algo melhor possa nos acontecer. Deus sabe de todas as coisas, sempre. 

Na edição de novembro de 1861 da Revista Espírita, há uma psicografia sobre a prece que nos deixa um grande aprendizado, para lermos e refletirmos: “A prece é uma aspiração sublime, à qual Deus concedeu um poder tão mágico que os Espíritos a reivindicam constantemente. Orvalho suave como um refrigério para o pobre exilado na Terra e um arranjo fecundo para a alma em prova.

Aprece age diretamente sobre o Espírito para o qual é dirigida. Ela não transforma seus espinhos em rosas, mas modifica sua vida de sofrimentos (nada podendo sobre a vontade imutável de Deus), imprimindo-lhe esse impulso de vontade que levanta a sua coragem, ao dar-lhe força para lutar contra as provas e dominá-las. Por esse meio, é abreviado o caminho que conduz a Deus e, como efeito maravilhoso, nada pode ser comparado à prece.

Orai, pois a prece é uma palavra descida do Céu; é a gota de orvalho no cálice de uma flor; é a tábua do pobre náufrago na tempestade; é o abrigo do mendigo e do órfão; é o berço para a criança dormir. Emanação divina, a prece nos liga a Deus pela linguagem, chamando sua atenção para nós.

Orar por nós é amá-lo. Suplicar-lhe por um irmão é um ato de amor dos mais meritórios. A prece que vem do coração é a chave dos tesouros da graça; é o ecônomo que dispensa benefícios em nome da misericórdia infinita. A alma que se eleva para Deus por um desses impulsos sublimes da prece, desprendida de seu envoltório grosseiro, parece apresentar-se cheia de confiança perante ele, certa de obter o que pede com humildade.

Orai! Fazei um reservatório de vossas santas aspirações, acumulai para vós e para os vossos irmãos, o que diminuirá as vossas angústias e vos fará transpor mais rapidamente o espaço que vos separa de Deus. Reflete em tua miserável natureza; conta as tuas decepções e teus riscos; sonda o abismo profundo para onde podem arrastar-te as paixões; olha em torno de ti os que caem e sentirás a necessidade imperiosa de recorrer à prece. É âncora de salvação que impedirá o esfacelamento do teu navio, tão sacudido pelas tormentas do mundo”.

KARDEC, Allan. “O Livro dos Espíritos”; “O Evangelho Segundo o Espiritismo”; “Revista Espírita” – edição de novembro de 1861.

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