Blog dos Livros

A trajetória de um disco

07/12/2023 16:27 - por Mildo Fenner

“A cidade  não  para, a cidade só cresce/o de cima sobe e  o debaixo cresce”  é uma das rimas mais conhecidas  da música brasileira,  criadas pelos precursores  do chamado manguebeat,  movimento liderado  por um grupo de pernambucanos que incluem o músico Chico Science e  a Nação Zumbi.   A música faz parte do álbum “Da lama ao caos,” de 1994,  que é esmiuçado  no lançamento de “Da lama ao caos: que som é esse que vem de Pernambuco?,”  nova publicação  das  Edições Sesc São Paulo.  Escrito pelo paraibano  radicado no Recife,  o jornalista e crítico musical José Teles,  o livro reconstrói  a  trajetória do disco que transformou a música brasileira.

José Teles entrevistou músicos, produtores, empresários, diretores de gravadoras, designers, fotógrafos e jornalistas para  recontar a história e os bastidores do disco que  colocou Recife –a quarta pior cidade do mundo,”  de  acordo com relatório de 1991, da ONU,  no centro de toda a  cena cultural dos anos 1990. O livro é o primeiro da Coleção Discos da Música Brasileira, organizada pelo crítico musical  Lauro Lisboa Garcia.

A obra relata com detalhes impressionantes toda a a trajetória  de Chico Science, desde a primeira  vez em que foi ao Jornal do Commercio para informar aos jornalistas da  festa intitulada  “Black Planet,” que aconteceria dia primeiro de julho de 1991, em Olinda. O rapaz,  franzino,   mas de fala empostada, disse que ele e  sua turma “lucubravam “ novas sonoridades, e  gostaria de propagar  a música que eles tinham criado. “O ritmo chama-se mangue,” definiu o garoto  chamado Francisco de Assis França,  que se tornou Chico Science.  Foi a primeira publicação dos garotos na imprensa.

Em uma série de livros, a coleção Discos da Música Brasileira apresenta em cada volume a história de um importante álbum que marcou a música, seja pela estética,  por questões sociais e políticas, pela influência sobre o comportamento do público, como representantes  de novidades no cenário artístico ou, também,  por seu impacto  no mercado fonográfico. 

José Teles é jornalista, crítico de música e cronista do Jornal do Commercio, de Recife,  desde 1980. O paraibano radicado no Recife, que assina este volume,  é um dos mais conceituados jornalistas de música do Brasil,  com atuação em publicações como  Correio de Pernambuco e O  Pasquim.  É autor de livros  sobre o Quinteto Violado, Manezinho Araújo e Chico Science, além do antológico “Do frevo ao manguebeat.”

Trecho: 
“Naquele fim de década, o mundo não estava ainda tão conectado  pela internet, mas as novidades não demoravam tanto para chegar ao Brasil, sobretudo  porque houve uma nova abertura dos portos com a volta da democracia  ao país. Até um pouco antes, desde o fim da censura em 1979, as mudanças procediam a passos largos. Os computadores  domésticos começavam  a se tornar acessíveis.  Quem tinha grana  comprova um 286, de memória lerda, e quantidade limitadíssima  de armazenamento.”
(Página 33)

DEU EMPATE
Pela primeira vez, deu empate entre dois livros na escolha do Prêmio AGES Livro do Ano de 2023. “Júpiter Marte Saturno,” de Irka Barrios,  e “Lápis preto na linha d’água,” de Adriana Maschmann, empataram  nos votos secretos de autores e autoras  da Associação Gaúcha de Escritores (AGES). O prêmio  é conferido entre as obras publicadas em 2022, em primeira edição, por escritores e  escritoras   naturais ou residentes no Rio Grande do Sul. 

FRENTE PARLAMENTAR
Na semana passada  foi recriada na Câmara dos Deputados a Frente Parlamentar  em Defesa do Livro, da Leitura e  da Escrita,  com mais de 200 assinaturas de parlamentares. Tendo como líder a deputada federal Fernanda Melchionna, que é bibliotecária, a  frente tem como objetivo propor, acompanhar e  cobrar  a implantação de leis já existentes que visam ao fomento e  democratização do livro e  da leitura, além de envolver atores sociais e  entidades nacionais nesta luta.

Leituras:
“E assim é o ser humano: tão vazio  que se preenche com qualquer coisa,  por mais insignificante que seja.” 
(Blaise Pascal  (1623-1662), matemático, escritor, físico,     inventor,     filósofo     e  teólogo    francês, com       trabalhos significativos nas ciências naturais, ciências   aplicadas e     estudo    dos fluídos). 

Destaques:
A PRAIA DE SOPHIA


Autores:
Mário César Both e Maria do Carmo Both

Este livro é dirigido para crianças e adolescentes, em uma história contada por uma menina. Na obra, há registros de 34 espécies de baleias, botos e golfinhos, além de  sete espécies de leões-marinhos. Maria do Carmo Both é médica veterinária de animais silvestres, fotógrafa da natureza, ilustradora, artista postal e observadora de aves. Ela já identificou  mais de cem espécies de aves em nosso litoral, mais especificamente nas áreas próximas à praia de Curumim,  no município de Capão da Canoa. Irmão da ilustradora, Mario Both é médico em Cachoeira do Sul, onde foi cronista do Jornal do Povo  e O Correio.  Com vários livros publicados,  participou também de quatro edições da coletânea “Médicos Pre (escrevem).”
Editora Farol 3. 28  páginas. R$ 45,00.    

A SOMBRA ENTRE O ROSA E O AMARELO


Autores:
Alunos do Colégio  Sinodal Barão do Rio Branco

Sob a coordenação da professora Valéria de Campos Loreto, a turma do nono ano do Colégio Sinodal Barão do Rio Branco de Cachoeira do Sul escreveu este romance que conta a história de dois jovens que residem no local de nome Volta da Charqueada, no município. A turma é composta pelos seguintes alunos: Ana Clara G. Wayss, Bernardo B. Machado de Oliveira, Catherine Elisa P. Rupp, Eduardo João de Matos,  Estêvão  Berthold, Felipe de Araújo Ceolin, Gustavo da Silveira Lima,  Isabela  M. Paz, Isabela Simone G. Oliveira, João Alfredo  Mombach, João Francisco Files, João Francisco W. C. da Silva,  João Gabriel V. Dias, João Pedro F. Neves da Fontoura,  Júlia da Cunha da Rosa, Laura Costa Nunes. Laura C. Garske,  Livia R. de Lara, Luiz Antônio R. Carbonari, Maria Clara P. Magalhães, Maria Fernanda Bartmann Carneiro, Matheo N. Dias, Pedro Peixoto D’Elia,  Sofia S. Cauduro e  Théo H. Nunes. As ilustrações são de Marllon Silva.
Editora Júnior. 72  páginas. R$ 30,00.   

(As obras apontadas  no Blog dos Livros  podem ser encontradas   junto à Revistaria e Livraria Nascente, na Rua Saldanha Marinho,   1423, Cachoeira   do Sul). 

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