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Poesia contemporânea: 5 Poemas de Igor Calazans
Igor Calazans Abreu nasceu no dia 22 de abril de 1986, em Niterói, Rio de Janeiro. Jornalista e poeta, ele foi considerado em 2014, através do “Concurso Nacional Novos Poetas”, premiação realizada pela Editora Vivara junto com a Rede Brasil, uma das três principais revelações da poesia brasileira, com o seu poema “Grito de Liberdade” em destaque.
Calazans é autor de 4 livros, “Devaneios: O Recanto do Poeta”, “Palavras de Estimação”, “Como a Água que Bebo” e ‘Azo Vácuo’’.
Suas obras abordam temas existencialistas, amorosos e do cotidiano, utilizando, na maioria das vezes, versos livres e contemporâneos, com rimas reflexivas e melodiosas.
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"Grito de Liberdade”
Em seu gozo,
mil alforrias
escorrem no peito abertas sangrias
ao orgasmo da instância ser livre.
Nas lágrimas,
centenas de desejos
açoitados pelo lar do ensejo
esvaem esmeradas o ardor que atinge.
Na voz,
dezenas de palavras cantadas
soam roucas, trêmulas e pouco faladas
o prazer do brado ecoado.
No beijo,
o único clamor de saudade
se queixa à derradeira vontade
de amar e também ser amado.
“Depois”
E assim,
Quando todos estiverem atentos
à imensidão do meu vazio,
cortarão, como pétalas,
as folhas solitárias dos meus livros
e lerão o que deixei palavra por palavra.
Frente a frente, cara a cara desses versos,
saberás a origem que expresso,
os meus pesos carregados pelos ombros,
como as lágrimas mais pesadas dos teus prantos
quando cito nossos tempos como amigos…
E me abre, diante à flor da poesia,
um desprezo, do segredo à revelia,
expostos por ruídos do desvelo
tão secretos e sentidos pelo medo.
E, então, tu me atinges à memória…
E resgata a minha voz por teu silêncio
quando fechas o livro na lembrança
e abres no coração meus pensamentos.
“Como a Água que Bebo”
Aprendi a me virar
Revirando o que se vira
Perco o céu mirando abaixo
Topo o chão vendo pra cima
Sei que há olhar soslaio
Quando viro e não me mexo
Tombo torto e quase caio
Pelos lados do avesso.
Mas, enfim, um ser contrário
Também pode se encaixar?
Quem sabe um dia,
Como água,
Ganho a forma do lugar…
"Epílogo”
Poeta de mão cheia
e bolso sempre vazio…
Adulado por mil tapinhas nas costas,
açodado por aplausos e elogios.
Na alcova, em cima da cama,
descansa enterrado vivo
sobre os fósseis amontoados
das capas de seus próprios livros.
“Alma”
Um tanto de um raro instante
De uma estante que guarda vento
Um canto de um doce encanto
Do rastro santo desse momento.
Esplendor singelo da paz de agora
Vozes imergem ao orgulho atento
Gritam pra fora o que se aflora
Na breve falta de um movimento
Estática do pleno imo
Assisado fogo de um brio terno
São imagens do espelho turvo
Retidas as dores de um fel medonho
A sombra rouca que reflete sonho
De quem enxerga por trás de tudo
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