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Chico Buarque, o poeta soberano

04/02/2026 09:26 - por Tiago Vargas tiagovargas.uab@gmail.com

Francisco Buarque de Hollanda, mais conhecido por Chico Buarque, nasceu no Rio de Janeiro em 19 de junho de 1944. Músico, dramaturgo e escritor brasileiro. Um dos nomes mais relevantes da nossa MPB, sua discografia conta com aproximadamente 80 discos.

É autor de A banda, Construção, Apesar de você, Cálice entre outros clássicos do nosso cancioneiro...Na literatura, foi vencedor de três prêmios Jabuti: o de melhor romance em 1992, com Estorvo e o de livro do ano, com Budapeste, lançado em 2004 e Leite derramado de 2010.

Artista arraigadamente brasileiro. Poeta singular. De sintaxe própria.  As múltiplas linguagens presentes na obra de Buarque se articulam através da poesia em intenções/interpretações diferentes do que estamos normalmente acostumados. Sua escrita descortina os bastidores dos significados.

Poeta das mulheres, dos desvalidos, dos perseguidos. Lírico e resistente. Soberano.

Quando nasci veio um anjo safado
O chato dum querubim
E decretou que eu tava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim

Chico Buarque

Sonho impossível
É minha lei, é minha questão,
virar este mundo,
cravar este chão,
não me importa saber,
se é terrível demais,
quantas guerras terei que vencer,
por um pouco de paz.

Chico Buarque

Soneto
Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono

Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo

Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída

Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio.

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