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Super Mario Galaxy – O Filme: uma animação perdida no espaço

09/04/2026 15:29 - por Jorge Ghiorzi jghiorzi@gmail.com

A premissa de “Super Mario Galaxy: O Filme”, o novo longa-metragem do personagem clássico dos games, é simples. A misteriosa princesa espacial Rosalina acaba sequestrada pelo filho do vilão Bowser, o que motiva a Princesa Peach a partir em uma jornada de resgate.

Sentindo uma conexão imediata com Rosalina, ela inicia uma viagem entre planetas, que justifica o título da obra, enquanto os irmãos Mario a seguem. Nesse contexto, o adorável dinossauro Yoshi surge para também participar da aventura.

Embora alguns espectadores possam considerar sua introdução apressada, os fãs da franquia não precisam de muito mais do que uma montagem embalada pela trilha sonora pop para aceitar sua presença.

O filme brilha na comédia física pura e funciona de maneira orgânica quando foca na movimentação de Mario. O herói sempre pertenceu a uma tradição cômica clássica e isso fica evidente na forma como seu corpo se move pelo espaço, absorvendo impactos e recuperando-se instantaneamente para continuar a ação.

A narrativa tenta girar em torno da dúvida sobre a possível redenção e a crescente conexão entre os personagens, mas essa ressonância emocional acaba se perdendo. Enquanto os filmes do Sonic são muito mais bem-sucedidos devido ao foco sólido nos relacionamentos, esta nova aventura de Mario desperdiça oportunidades de alcançar uma profundidade maior.

O ritmo acelerado e frenético é inegável, o que certamente garantirá a diversão de crianças ou adultos mais inquietos na plateia. Pode-se argumentar que essa mesma velocidade impulsiona os filmes dos Minions, porém aquelas produções possuem o diferencial de serem genuinamente engraçadas.

Em contraste, este capítulo da saga do encanador mal arranca uma risada e falha em entregar sequer um momento memorável. Trata-se de uma sequência frenética e decepcionante que se revela uma aventura superficial repleta de referências gratuitas.

O filme não para de lançar informações visuais na direção do espectador. É uma verdadeira orgia de citações aos videogames claramente pensada para atrair jovens jogadores, mas nada se sustenta de fato. A obra parece uma bagunça caótica e uma tentativa descarada de promover produtos.

Embora mantenha os diretores Aaron Horvath e Michael Jelenic e o roteirista Matthew Fogel, o resultado final sugere que esses artistas foram possuídos por uma visão puramente comercial, entregando apenas lampejos de brilho visual em meio ao vazio narrativo.

Esta abordagem é uma grande decepção, especialmente porque o primeiro filme conseguiu ser uma história de transformação divertida para todas as idades e se tornou uma das melhores animações dos últimos anos.

Recentemente, títulos como o longa original de Super Mario (de 2023) e a adaptação de “Minecraft” provaram que era possível transformar jogos em cinema de qualidade. Ao tratar sua história como algo descartável e focar apenas em pequenos momentos de reconhecimento para os fãs, “Super Mario Galaxy” se posiciona como um dos piores exemplares do gênero.

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