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Para Sempre Medo: entre o horror e o tédio
No período de um ano, Osgood Perkins presenteou os fãs de terror não com um, mas com dois filmes perturbadores, muito diferentes entre si, mas igualmente arrepiantes em suas respectivas propostas. Enquanto "O Macaco", lançado em fevereiro do ano passado, entregava uma adaptação sangrenta e direta de Stephen King, é com este "Para Sempre Medo" (Keeper) que o diretor retorna ao seu território mais familiar: o clima discreto e naturalista, a atmosfera enigmática de pesadelo aplicada a uma premissa simples.
O problema é que, desta vez, a simplicidade da ideia inicial se perde em um emaranhado de elementos díspares que resultam em uma experiência profundamente tediosa. Vale lembrar ainda outra obra com sua assinatura, lançada em 2024, "Longlegs: Vínculo Mortal".
A trama acompanha Liz, uma sarcástica pintora interpretada pela sempre talentosa Tatiana Maslany (da série "She-Hulk"), que infelizmente aqui parece derrotada por um roteiro completamente caótico e mal resolvido.
Ela decide levar seu novo relacionamento a um novo patamar e concorda em acompanhar o adorável namorado cirurgião, Malcolm (Rossif Sutherland), em uma viagem romântica para sua cabana estranhamente moderna. Aninhada nos bosques verde-esmeralda de Vancouver, a residência reluzente de Malcolm tem vista para um cenário de conto de fadas, alguns sacos de lixo sinistros e a casa vizinha, assustadoramente semelhante, de seu primo.
Os primeiros sinais de alerta, todos presentes, não tardam a surgir.
O filme, que em sua essência é um drama sobre um assassino em série com alguns momentos genuinamente assustadores, começa de forma astuta e perturbadora com uma sequência de abertura muito interessante.
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Vemos uma montagem de mulheres, de diferentes épocas e lugares, sorrindo convidativamente para a câmera, depois franzindo a testa e encarando-a com raiva, e finalmente gritando enquanto estão encharcadas de sangue.
O que exatamente esses trechos, silenciosos com uma melancólica trilha sonora, significam, só ficará claro no terceiro ato. Mas é o suficiente para que o espectador perceba que a protagonista pode estar caminhando para um destino semelhante.
Quanto mais tempo Liz permanece naquela casa, mais sua mente parece mergulhar em um universo surreal e claustrofóbico, limitado à cabana e seus arredores imediatos. A experiência remete ao suspense psicológico de Roman Polanski em "Repulsa ao Sexo" (1965), com a personagem sendo atormentada por devaneios e visões de outras mulheres.
Ela alucina com presenças sobrenaturais grotescas, figuras com proporções bizarras e imagens espelhadas impossíveis. O grande dilema de "Para Sempre Medo" reside justamente aí: em teoria, fazer um filme experimental é um ato criativo ousado, e é isso que o torna bom em alguns momentos, mas também é o que o torna ruim em tantos outros.
As partes estranhas não fazem sentido. Isso é, provavelmente, intencional, fruto de uma aposta na ambiguidade, mas a intenção, por si só, não torna o filme bom.
A narrativa acaba se resumindo a pouco mais do que uma série de clichês artificiais sobre os estágios iniciais do amor, e os sustos repentinos tendem a ser mais irritantes do que assustadores quando apresentados fora de um contexto adequado.
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Em termos de enredo e ritmo, "Para Sempre Medo" é uma bagunça. Perkins, que construiu sua carreira aplicando atmosferas sofisticadas a premissas de gênero, aqui adiciona uma boa dose de confusão que subverte a experiência. O resultado é um filme que, ao tentar flertar com o experimentalismo e a ambiguidade, abandona a coerência narrativa e entrega ao público uma obra tão vazia quanto os sacos de lixo sinistros que cercam a cabana do protagonista
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