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Pânico 7: o passado volta a assombrar

26/02/2026 08:35 - por Jorge Ghiorzi jghiorzi@gmail.com

O sétimo capítulo da franquia “Pânico” aposta na força do legado para renovar o fôlego de uma das séries mais influentes do terror contemporâneo. A produção marca o aguardado retorno de Neve Campbell ao papel de Sidney Prescott, ausência sentida no filme anterior após uma disputa salarial. Sua volta não é apenas um gesto nostálgico, mas um elemento narrativo central, recolocando a personagem no epicentro do horror que ajudou a definir sua vida.

Dirigido por Kevin Williamson, roteirista do “Pânico” original e de duas de suas continuações, o filme funciona como um reencontro com as raízes criativas da saga idealizada por Wes Craven Há exatos 30 anos.

A trama do sétimo capítulo da saga de terror acompanha Sidney em seu retorno à cidade natal, agora ao lado da filha adolescente, interpretada por Isabel May. A jovem, curiosamente chamada Tatum em referência direta à personagem de Rose McGowan no primeiro filme, torna-se alvo de um novo Ghostface, obrigando Sidney a confrontar traumas que jamais desapareceram.

A narrativa se constrói a partir dessa premissa familiar, articulando uma história de herança do medo e repetição do trauma. O roteiro aposta menos na ironia metalinguística que consagrou a série e investe mais no terror psicológico, explorando a paranoia dos sobreviventes e a sensação de vigilância constante.

A violência gráfica permanece presente, mas é o clima de ameaça íntima que sustenta a tensão. O assassino não é apenas um imitador, mas alguém que parece conhecer Sidney de maneira perturbadora.

As atuações contribuem para essa atmosfera. Campbell retoma a personagem com maturidade e peso emocional, enquanto o elenco jovem sustenta bem a dinâmica de suspeita e insegurança que sempre moveu a franquia.

O filme consegue equilibrar reverência e renovação, conectando-se ao passado sem parecer apenas um exercício de nostalgia. As presenças recorrentes da série, como as de Courteney Cox e o legado de David Arquette, ecoam na construção do universo, reforçando a sensação de continuidade.

Como entretenimento, o resultado é eficiente. O suspense é bem cadenciado, as reviravoltas funcionam e a revelação final preserva a tradição da franquia de surpreender o público. Mais do que reinventar o slasher, o filme reafirma a vitalidade de uma fórmula que continua a dialogar com novas gerações.

O sucesso de bilheteria confirma essa permanência cultural. O filme tem atraído tanto fãs históricos quanto espectadores jovens, demonstrando que a marca “Pânico” mantém relevância comercial rara para uma franquia com três décadas de existência.

O êxito financeiro sugere que o público ainda encontra prazer na combinação de mistério, violência estilizada e comentário sobre o próprio gênero. Se não revoluciona a série, este novo capítulo cumpre algo talvez mais importante: prova que Sidney Prescott ainda tem histórias a contar e que o telefone pode voltar a tocar a qualquer momento.

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