Blog do Cinema
Uma nova aventura de Guerra nas Estrelas com Mandaloriano e Grogu
Dirigido por Jon Favreau (de “Homem de Ferro”, “Cowboys e Aliens” e “O Rei Leão”) para a Disney e a Lucasfilm, o longa-metragem "Star Wars: O Mandaloriano e Grogu" (Star Wars: The Mandalorian and Grogu) situa a sua trama logo após os eventos apresentados na série de televisão da Disney+ exibida entre 2019 e 2023.
A narrativa se ambienta no período posterior à trilogia original de Star Wars e acompanha o caçador de recompensas Din Djarin, o Mando, interpretado por Pedro Pascal, ao lado de seu aprendiz Grogu. Na trama central, a dupla acaba recrutada pela Nova República para resgatar Rotta, o Hutt, personagem interpretado por Jeremy Allen White, em troca de informações valiosas sobre um alvo específico.

O protagonista central já havia se mostrado a figura perfeita, com sua gravidade leve, para ancorar a produção televisiva lançada mais de quatro décadas após o filme original de George Lucas. Mando é um aventureiro durão que guarda semelhanças com o clássico Han Solo (interpretado por Harrison Ford), mas que carrega um pequeno protegido nos ombros.
Ele se caracteriza como um sujeito um tanto intimidador, revestido por uma armadura escura. Sua voz possui uma neutralidade sinistra e vem levemente alterada por efeitos eletrônicos, o que lhe confere um leve eco de Darth Vader.
Apesar dessa aura, ele não assume o papel de vilão, aproximando-se mais de uma espécie de Darth justo e de bom-coração. Há certamente um toque de crueldade em sua trajetória de vingança, mas esse aspecto é compensado pelo fato de seu aprendiz e filho simbólico ser Grogu, um membro infantil da mesma espécie humanoide e alienígena do mestre Yoda. Grogu nunca fala, emitindo apenas sons suaves como um fofo ursinho de pelúcia.
Na sequência de abertura, Mando surge contratado para caçar os remanescentes das forças do Império que ainda se encontram espalhados pela galáxia. Ele invade um desses territórios, metralha o local e destrói alguns AT-ATs, os icônicos gigantescos veículos blindados de combate surgidos no “Episódio V: O Império Contra-Ataca”. Essa batalha inicial entrega o seu espetáculo visual, mas o resto da história se revela, na verdade, um thriller policial disfarçado com a roupagem da saga espacial.
A produção surge como uma obra divertida, embora, na maior parte do tempo, um pouco sem graça. Como o filme não demonstra grandes pretensões artísticas, mirando apenas no entretenimento descartável, ele funciona basicamente como um convite para o espectador se entregar à nostalgia leve do universo de Star Wars, que se faz presente em cada fotograma.

O resultado final se mostra perfeitamente assistível, mas a produção talvez careça da humanidade, do humor e do melodrama espacial extravagante que transformaram a grife Star Wars em uma verdadeira seita capaz de mobilizar uma base de fãs ardorosos pelo mundo afora. Apesar de manifestar uma nítida preocupação em agradar a todos os públicos, “O Mandaloriano e Grogu” acaba escolhendo um lado bem delimitado. Jon Favreau prioriza o público certo e infalível para alimentar os futuros lançamentos da franquia e sustentar as bilheterias, direcionando o foco principal da aventura para as crianças de dez anos.
Encontrou algum erro? Informe aqui
