Blog da Poesia
Último poema, de Manuel Bandeira
Manuel Bandeira é inegavelmente um dos mais relevantes poetas brasileiros.
Modernista implacável, ele é autor de várias obras-primas da nossa literatura.
Ultimo poema é um desses referidos textos.
O poema em questão apresenta apenas seis versos, onde o poeta devaneia sobre seu processo criativo.
Reina aqui um tom de desabafo, como se o poeta escolhesse compartilhar com o leitor o seu último desejo.
Ao chegar ao final da vida, com a maturidade, o sujeito alcança a consciência do que realmente importa e decide entregar para o leitor o que demorou a vida toda para compreender.
O último verso, intenso, encerra falando sobre a coragem daqueles que escolhem seguir por um caminho que desconhecem.
ÚLTIMO POEMA
Assim eu queria o meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
Manuel Bandeira
Receba notícias do Jornal do Povo no seu WhatsApp. É grátis
Encontrou algum erro? Informe aqui
O legado poético de Sara Claveaux de Jardim
Cachoeirense falecida nesta semana foi uma das mulheres mais importantes e relevantes da nossa literatura
