Blog da Poesia

Fernando Cabrera

15/07/2026 08:42 - por Tiago Vargas tiagovargas.uab@gmail.com

O renomado artista uruguaio Fernando Cabrera, nascido em Montevidéu em 1956, é conhecido tanto como compositor quanto como poeta. 
Compositor de música popular, arranjador, cantor e guitarrista, é uma referência tanto para os músicos de sua geração como para os jovens. Considerado um dos artistas mais importantes do Uruguai, tem o respeito dos escritores pelo refinamento de seus textos.
 
Os críticos da revista Rolling Stone o elegeram como o melhor artista solo internacional de 2013, junto com Joaquín Sabina e Mano Chão, e seu disco Viveza, de 2002 foi eleito um dos melhores da década pela mesma revista.

El tempo está Después, canção regravada pelo compatriota Jorge Drexler é uma de minhas músicas preferidas.

Sua poesia é publicada em livros como "56 canciones y un diálogo" e "Mudanza", o último também presente em antologias.

Um dos poemas mais marcantes de Fernando Cabrera, intitulado Mudança (Mudanza), é frequentemente citado por sua sensibilidade e observação do cotidiano:

Retrato de relicário de alguma tia enterrada
naftalina entre os diários e uma trança engavetada.
O caminhão está à porta
os moleques 'tão olhando
passa gente que saúda
o meu pai ali saudando.
Pelos móveis desmontados
pelos móveis apertados
pelos móveis obrigados
uma lágrima rolava.

Outros poemas de Fernando Cabrera:

CRÍTICAS
Tenho a carteira curta
tenho o olhar absorto
em meu interior 
tenho um coração apenas
sempre engoli as penas
e o pior 
tenho muito pouco amigos
de nada sou testemunha
ouço dizer 
minhas canções são fechadas
minhas paixões são erradas
que porvir
não me sobra simpatia
não me falta melancolia
que canto mal
vou alheio por aí
sem património nem feridas
elementar 
poucas vezes dou um mimo
pró esporte não me animo
que cicatriz 
tenho a cabeça atada
tenho a mira abalada
que sou feliz.

NUNCA TE DISSE EU TE AMO

Nunca te disse eu te amo
Nem mesmo vou te dizer
São palavras que qualquer 
Um diz com certeza ou sem
Nunca te disse eu te amo
Mas te amo como nunca amarei

Todas as cercas se opõem 
Todos os dons apoiam
Certos segredos se impõem
Certos impulsos arrastam

Vendaval teu abrigo
A teu lado eu sigo
Recanto de incredulidade

Espigão banido
Feriados de frio
Dobrados ao meio.

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