Blog dos Espíritos

Felicidade e infelicidade relativa

19/09/2022 08:51 - por Eleni Maria Machado

Pode o homem gozar de completa felicidade na Terra? Não, por isso que a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Depende, porém, dele mesmo a suavização de seus males e ser tão feliz quanto possível na Terra.

A felicidade do homem é proporcional ao esforço que faz para se transformar, pois quase sempre é ele o obreiro de sua própria infelicidade. Praticando a lei de Deus, evitará muitos males, proporcionando a si mesmo felicidade tão grande quanto o comporte sua existência grosseira.

A felicidade não é deste mundo?

Por que são mais numerosas, na sociedade, as classes sofredoras do que as felizes? “Nenhuma é perfeitamente feliz e o que julgais ser a felicidade muitas vezes oculta pungentes aflições. A Terra é, ainda, um lugar de expiações. Quando a houver transformado em morada do bem e de Espíritos bons, o homem deixará de ser infeliz aí e ela lhe será o paraíso terrestre”. 

A felicidade é a transformação da criatura humana para melhor. É transformar os sentimentos aviltantes como ira, medo em excesso, egoísmo, orgulho, vaidade e tantos outros que prejudicam enormemente as relações entre os homens, em sentimentos nobres. Então, a convivência entre os seres será cada vez mais harmoniosa, à medida que essa modificação íntima para melhor se aprimore.

Jesus veio fazer cumprir a lei de Deus na Terra e, por isso, é que se nos depara o princípio dos deveres para com Deus e para com o próximo, base de sua doutrina. Combatendo as falsas interpretações e práticas exteriores, resumiu as leis de Moisés ao seguinte: “Amar a Deus acima de todas as coisas e o próximo como a si mesmo”. Dessa prescrição que Jesus nos dá, podemos verificar que “não podemos amar a Deus, que ainda não conhecemos, sem amar o próximo, que já conhecemos; e não podemos amar o próximo, sem amar a nós mesmos”. E, para nos amar, é preciso nos conhecer, saber quem somos, quais nossos sentimentos, porque reagimos desta ou daquela forma, por que estamos neste mundo e por que vivenciamos tantas dores. É preciso buscar respostas. 

Mas para que tudo isso aconteça é necessário buscar Deus dentro de nós mesmos, porque temos sua essência, sua herança divina. Mas somos, também, herdeiros de nós mesmos; o que fazemos hoje volta a nós amanhã. Somos responsáveis pelo bem e pelo mal que praticamos. A alegria de viver e a felicidade que se busca não está fora, mas dentro de cada um de nós. É uma viagem interior, uma busca interna inadiável e intransferível.

Paz de consciência

A felicidade terrestre é relativa à posição de cada um. O que basta para a felicidade de um, constitui a desgraça de outro. Haverá, contudo, alguma soma de felicidade comum a todos os homens? “Com relação à vida material, é a posse do necessário. Com relação à vida moral, a consciência tranquila e a fé no futuro”. 

As leis de Deus, leis morais ou divinas, estão escritas nas nossas consciências; portanto, ter paz de consciência significa estar agindo de acordo com essas leis. Cumprindo as leis de Deus, estaremos, a cada passo, em direção à elevação intelectual e moral, que nos cabe, trazendo paz e tranquilidade às nossas almas.

A fé, a crença na imortalidade da alma que o Espiritismo nos ensina, matando a morte, nos dá uma perspectiva da vida muito mais ampla e consoladora porque não temos mais o nada como futuro, ou as penas ou gozos eternos que aguardam aqueles que praticaram o mal ou os que praticaram o bem. 

Tempo de transição

Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes. A alma penitente encontra neles a calma e o repouso e acaba por depurar-se. 

A Terra está passando por essa “Transição Planetária”, para mundo de regeneração. Nesses mundos, o homem ainda se acha sujeito às leis que regem a matéria; a humanidade ainda experimenta sensações e desejos, mas já estará liberta das paixões desordenadas, do orgulho, da inveja e do ódio. Em todas as frontes, vê-se escrita a palavra amor; perfeita equidade preside às relações sociais, todos conhecem Deus e tentam caminhar para Ele, cumprindo-lhes as leis.

Nesses mundos ainda não existe a felicidade perfeita, mas a aurora da felicidade. O homem ainda se acha sujeito às vicissitudes das quais somente os seres completamente desmaterializados estão libertos.

A felicidade possível

Jamais deve o homem olvidar que se acha num mundo inferior, ao qual somente as suas imperfeições o conservam preso. A cada vicissitude, cumpre-lhe lembrar-se de que, se pertencesse a um mundo mais adiantado, isso não se daria e que só de si depende não voltar a este, trabalhando por se melhorar.

Quando abrimos os olhos para essa verdade nova e, repetimos, consoladora, nos enchemos de esperança, otimismo, alegria, e podemos ver que as dores que a vida material nos impõe são muito passageiras em relação ao infinito, nossa vida imortal. Enfrentar as vicissitudes com resignação e paciência fará com que mais depressa alcancemos mundos melhores e, passo a passo, chegaremos à felicidade que nos está reservada por Deus.

Consolador prometido

Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Eis que do além-túmulo, que jugáveis o nada, vozes vos clamam: “Irmãos! Nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade”.

Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo; O Livro dos Espíritos.

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