Blog da Poesia
O passado, o presente e o futuro...
Poetas do Vale, 50 anos
Em 1976, um grupo formado por dezessete poetas liderados por Ely Marciniak e Paulo Salzano Vieira da Cunha, lançou uma antologia denominada Poetas do Vale. Em 2026, a plêiade chega brilhantemente a sua XV edição, comemorando inacreditáveis 50 anos de existência. Organizados bravamente e heroicamente por Mara Garin e César Roos, a publicação traz um recorde de escritores, 47 poetas, nomes consagrados e reconhecidos, como Airton Ortiz, atual Presidente da Academia Rio-Grandense de Letras e jovens promissores e talentosos como Ana Clara Araújo e Maria Valentina Garin. Resumidamente, trata-se de um dos coletivos literários mais longevos (com publicações regulares) e importantes do Brasil. Plural e democrático, como a literatura deve ser. Longa vida aos Poetas do Vale, que venham outros livros, outros poetas...
Poetas do Vale
Cinquenta anos de história!
Muita honra poetizar,
Fazer parte deste grupo
Que nasceu para brilhar.
Poetas do vale celebra
Bodas de Ouro de criação
Modo magistral de falar
De verdade e de emoção
Avante agremiação guerreira!
Apresente Cachoeira mundo afora
Não deixe que pedras no caminho
Sufoquem a poesia que aflora
Poetas do Vale tesouro
Que a todos vem encantar
Sejas longevo e fértil,
E venhas novos poetas formar.
Queridos amigos poetas,
Deem ao mundo o maná que acalma
Brinquem, escrevam, poetizem
Alimentem assim nossa alma.
Elisabete Fogliarini
Na Tafona
Na Tafona
Piano nunca toquei
Nem brocados usei
Porcelanas limpei
Minha prancha guardei
Com ferro em brasa marquei
Na Tafona
Mandioca eu plantei
Mandioca eu arranquei
Mandioca eu ralei
Farinho eu peneirei
Polvilho eu sequei
Com a farinha os enriquei
Na Tafona
Roupas eu engomei
O pondo do doce eu dei
Crianças eu embalei
Na Tafona, muito chorei
Na Tafona, sempre estarei
Lair Vidal
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Lair Vidal
Nada
Nada de roupa espalhada pelo quarto
Nada de brisa sorrateira
Espiando pela fresta da janela
Naquela nesga de luz
Nada da noite de amor
Que se esquivou e não mais me seduz
Apenas um sonho franzino
Que não perdoa o fato
Deste poema que chora
Ferido...
Inacabado...
Perdido...
Perdido...
Lá fora...
Neícla Bernardes
Ressaca
Aos olhos de Capitu
O mar se apresenta
Com o desejo de tragar
Através das lágrimas
Seria mesmo ressaca do mar?
Sandra Luciane de Aragão Teixeira
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Sandra Luciane e Fabiana Bulsing
É tempo de poema
Chuva passageira
Passa igual passarinha
Passa ligeira
(ligeirinha)
E o sol fecunda
Minha terra
E por consequência
Desabrocham meus versos
E florescem
Ah! Como florescem
Não só os teus negros cabelos
Negros emaranhados
Mas também...
E principalmente,
Teus sorrisos
Reeditados em poemas escondidos.
Rodrigo Paranhos
Manhã de domingo
O que vejo pela janela?
Céu nublado
Chuva caindo,
Frio.
O que sinto?
Tranquilidade
Calor
Amor
Contraditório?
Diria que são os efeitos de se ter um lar.
Fabiana Bulsing
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