Blog da Poesia
Sousândrade
Sousândrade nasceu em 1833 e faleceu em 1902. Foi um escritor e professor brasileiro pertencente à terceira geração do romantismo, também chamada de geração condoreira.
Uma geração que se caracterizou pela poesia de engajamento, inspirada no lema da Revolução francesa e em escritores como Victor Hugo, autor de clássicos, como Os Miseráveis.
Sousândrade destacou-se pela ousadia e originalidade; seja pela escolha de temas sociais, nacionalistas e nostálgicos, bem como pelo uso de palavras estrangeiras (em inglês e indígenas) e de neologismos.
Embora sua obra apresente traços da segunda e da terceira geração romântica, estudiosos afirmam que há presença de elementos modernos.
Isso por causa da construção poética com experimentações vanguardistas e ainda, pelos temas explorados por ele.
Obras
Embora desconhecido por grande parte das pessoas, Sousândrade possui uma obra inovadora, sendo considerado um dos escritores visionários do século XIX.
- Harpas Selvagens (1857)
- Guesa Errante (1858-1888)
- Harpa de Ouro (1888/1889)
- Novo Éden (1893)
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Estilo e Estética
Romantismo e Vanguarda: Ligado à 3ª geração romântica (condoreira), mas com uma estrutura rítmica, linguagem e recortes visuais muito à frente de seu tempo, antecipando o Modernismo e a Poesia Concreta.
Linguagem inovadora: Uso pioneiro de neologismos, estrangeirismos (inglês), termos indígenas e uma fusão única entre o épico, o satírico e o urbano
Alguns poemas...
ALABASTRO
Eis um vaso de puro alabastro
Que é a imagem de quem longe está,
Que ao noivado meu dera-me um astro
E que encerra um mistério. Sinhá,
Tenho-o sempre florido na mesa
Do trabalho, ou de amor a canção,
Ou rapsódias cantando do Guesa –
Enche-o hoje tua flor-da-paixão;
Ontem era a do luar, tão amada,
Que fenece do dia ante o albor;
Amanhã – diz tua carta encantada,
Porque vens, que não ponha outra flor.
EM MEU PODER
Estás em meu poder. Sou vigilante;
Qual o cão velador guardo a muralha
Do meu rico tesouro:
Venturoso às manhãs do alvo semblante,
Quem das nuvens não teme que aura espalha
Ante o seu astro de ouro?
Quero embeber-me, eu só, no olhar de sombras,
Na solidão da mágica brancura
Me atordoar de amor;
Recostada dos luares nas alfombras
Toda sonora, o seio teu fulgura
Risonho, abrasador.
Estás em meu poder. Irradiante
Dessa vida de luzes e d'estrelas
Quer-te o tirano teu,
D'açucenas maviosas, exuberante
De alvor e força – que nas formas belas
Exista o gênio seu.
SOMBRAS DAS ÁRVORES
– Que divindade! sinto
Uma aura tão gentil
Me acariciando a fronte,
Céus, mares, terra abril!
Ao seio azul profundo
As palmas reluzindo
Auro verdor; urúbis
À imensidão subindo:
Meus bosques luminosos
Às calmas de meio-dia,
Um Deus por toda parte
E n'alma esta harmonia
Do amor! o amor de tudo
Quanto respira e sente,
Das minhas selvas puras
do meu sol candente!
– Que divindade! uma aura
Tão leve, tão gentil
Me acariciando a fronte,
Céus, mares, terra abril!
E as borboletas ouros,
em flor o roseiral,
Longe o mugir dos touros;
este rubi-cristal.
Sempre no coração!
Esta saudade-serva!
Esta humildade-relva
De amor e exaltação!
Lázaros do sepulcro
A levantei! a cruz –
Quebrei-lha! Um riso pulcro
Resta... Apagou-se a luz!
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