Blog da Poesia

Poetas contemporâneos: Quatro poemas de Inah Xavier Almeida

21/01/2026 08:36 - por Tiago Vargas tiagovargas.uab@gmail.com

Inah Xavier Almeida nasceu no Rio de Janeiro, em 1979. Poeta contemporânea. Sua maior virtude textual é enxergar e traduzir com densa peculiaridade e linguagem ágil e perspicaz os mínimos nuances da vida. Rio, publicado em 2022, foi seu livro de estreia. 

In
Meio da tarde
Quinta-feira
Fora dos planos
É você
Imprevisível
Toca o telefone
Texto sem nome
Estou com fome
É você
Irresistível
Só por hoje
Por uma vida inteira
Por uma vez primeira
É você
Inesquecível
Sem tempo

Ingenuidade
A ingenuidade é um copo d’água com gelo.
Não, não é! Ela é o gelo que derrete n’água!
Ingênuo gelo, se achava pedra, indissolúvel.
Que nada, ele era água!

Pedras
Podem ser chutadas
Podem ser esculpidas
Podem se tornar estradas
Entulhos
Diamantes
Paralelepípedos
Ruínas
Cristais
Rochedos
Guarde bem o nosso segredo:
Eu, tão líquida, me putrifiquei.
E você, tão pedra, se derreteu.

A cerca
Há arames farpados por todos os lados.
Eu quero atravessar.
Arames farpados são apenas fios irritados
de lado a lado.
Dizem por ser: é arriscado!
Vale um arranhão?
Há girassóis do lado de lá.
Eu quero atravessar!
Há brisa do lado de lá.
Eu quero atravessar!
Há liberdade do lado de lá.
Eu vou atravessar

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