Blog dos Livros
Testemunho corajoso
O livro “Ainda há tempo” (Editora Civilização Brasileira, 364 páginas), de Nísia Trindade de Lima, traz um testemunho corajoso sobre a articulação entre ciência e gestão pública, revelando como a Fiocruz enfrentou ataques, negacionismos e desafios históricos. Primeira mulher a ocupar o Ministério da Saúde e a presidência da Fiocruz, Nísia narra os bastidores da pandemia do Covid-19 como quem esteve no centro das decisões científicas e políticas do país e apresenta uma nova visão de futuro para a saúde brasileira.
Nísia era presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a maior instituição de ciência e tecnologia da América Latina, quando o cataclismo da saúde pública eclodiu, chegando posteriormente à posição de ministra da Saúde entre 2023 e 2025. Pela primeira vez, Nísia fala de forma aberta sobre as angústias e as lutas que abalaram a sua vida e a de milhões de brasileiros ao longo de três anos -que pareceram décadas. Ela relata que enfrentou uma postura anticientífica e o desprezo à vida em meio a uma atmosfera de negacionismo fomentada pelo então presidente da República.
Nísia apresenta suas versões como socióloga, sanitarista, gestora, mulher e cidadã politicamente engajada a fim de dividir com leitores a multiplicidade de histórias e perspectivas de um Brasil em transformação. Sabendo que novas crises socioambientais no futuro serão inevitáveis, a obra não se limita a expor os absurdos a serem combatidos, mas também propõe uma postura assertiva e esperançosa para enfrentar os desafios. Além de uma recapitulação da história recente, “Ainda há tempo” é uma chamada ao diálogo e à reflexão.
Pesquisadora emérita da Fiocruz e membro titular da Academia Brasileira de Ciências, Nísia Trindade é graduada em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mestre em Ciência Política e doutora em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro.
A obra conta com texto de orelha escrito por Drauzio Varella e Margareth Dalcolmo e prefácio assinado por André Botelho, professor de Sociologia da UFRJ.
Trecho:
“Ainda que tenhamos expressivo conjunto de trabalhos dedicados ao tema, reconstituir de forma ampla a história da pandemia de covid-19 no Brasil é uma tarefa ainda a ser empreendida. Minha pretensão foi bem mais modesta: trazer a público meu testemunho como alguém que, de uma posição institucional, procurou contribuir tanto quanto pôde com medidas não farmacológicas, vacinas, testes e medicamentos, e que, pela formação em pesquisas nas ciências sociais, desejava alargar o entendimento sobre a emergência pandêmica.”
(Trecho de apresentação da autora)
LÍDIA JORGW VENCE CAMÕES
A escritora portuguesa Lídia Jorge foi a vencedora da edição de 2026 do Prêmio Camões de Literatura, a mais importante premiação da língua lusófona. O resultado foi divulgado na última semana e a autora receberá premiação de 100 mil euros mais um diploma assinado pelos presidentes do Brasil e de Portugal. Segundo a organização, Lídia Jorge é uma das escritoras mais proeminentes da literatura portuguesa contemporânea, com uma obra pautada pela reflexão social e pela defesa dos direitos humanos e das mulheres.
CONCURSO COM IA
A polêmica de textos criados por inteligência artificial chegou aos concursos literários. Com o conto “The Serpent in the Grove,” o escritor Jamir Nazir, nascido em Trinidad e Tobago, venceu o prêmio geral da Fundação Commonwealth, apesar de ter sido acusado nas redes sociais de ser gerado por inteligência artificial. Críticos argumentaram que certas estruturas e frases metafóricas eram indícios de automação, o que faria o texto artificial. Depois de muita discussão, a fundação inglesa manteve a premiação, defendendo a soberania do julgamento humano entre os trabalhos inscritos.
Leituras:
“Uma das vantagens da literatura é a liberdade. Você pode escrever sobre o que quiser. Se vai ser publicado ou não, vendido ou não, é outra questão.”
-Nilza Rezende, escritora, professora e pesquisadora brasileira, conhecida por apresentar narrativas que exploram as complexidades das relações amorosas, angústias femininas e dinâmicas familiares.
Destaques:
BEIJADA PELA MARÉ

Autora: Thainá Fernandez
O livro combina ambientação no litoral fluminense, elementos fantásticos e uma reflexão sobre capacitismo e exclusão no meio acadêmico. Além de uma história de amor com a protagonista Nina, 21 anos, que cursa Biologia Marinha, o livro traz uma crítica ao ambiente acadêmico e lógica meritrocrática que frequentemente ignora as necessidades de estudantes com deficiência. Ambientado entre laboratórios universitários e as paisagens de Paraty, o romance utiliza o mar como elemento central da narrativa, funcionando simultaneamente como espaço de ameaça, transformação e acolhimento.
Produção da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro. 224 páginas.
TODO O RESTO É POESIA

Autor: Israel Pinheiro
Apresenta poemas que misturam humor, crítica social e a descoberta da Argentina. O livro transforma a experiência amorosa em travessia geográfica, linguística e existencial. Dividida em Ida e Volta, a obra acompanha um vínculo entre Brasil e Argentina que se constrói entre encontros, distâncias e retornos. Há lirismo no cotidiano, nas pequenas cenas, nos gestos e nos desencontros. Nascido em 1984, em Pernambuco, onde vive, Israel Pinheiro é formado em Letras e foi premiado em diversos concursos literários, tendo já vários livros publicados.
Editora Litteralux. 112 páginas.
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(As obras mencionadas no Blog dos Livros podem ser encontradas na Revistaria e Livraria Nascente, localizada na Rua Saldanha Marinho, 1423, Cachoeira do Sul)
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