Blog dos Livros
Cozinhar pode ser antídoto contra a pressão do corpo sarado e das dietas
Em um mundo atravessado por guerras, crises e pela obsessão contemporânea com dietas, calorias e corpos cada vez mais magros, cozinhar pode ser também um ato de resistência. Contra a pressa, contra a escassez de tempo e contra a ideia de que comer precisa ser apenas funcional, a produtora cultural Suzi Soares aposta na comida como território de memória, encontro e afeto.
Essa é a essência de “Palavras e Sabores -receitas afetivas de Suzi Soares,” primeiro livro da autora, publicado pelo selo Sarau do Binho, de São Paulo, reunindo 20 receitas, dez doces e dez salgadas, acompanhadas por histórias, lembranças e textos de pessoas que passaram pela cozinha de Suzi ao longo de décadas de encontros culturais.
Mais do que um livro de culinária, a obra é um retrato afetivo da vida cultural da zona sul de São Paulo. Conhecida por alimentar quem passa por sua casa, por reuniões de produção cultural ou pelos encontros do Sarau do Binho, Suzi, que é produtora cultural e formada em Letras, construiu ao longo dos anos uma cozinha que funciona como espaço de acolhimento coletivo.
As receitas reunidas no livro, como bolo de fubá cremoso, curau, carne de panela com mandioca, farofa de cebola ou brigadeirão, não pretendem ser sofisticadas ou inéditas. São pratos do cotidiano, daqueles que passam de mão em mão, de geração em geração, preparados com ingredientes simples e com um toque pessoal que transforma o trivial em memória.
Ao longo das páginas, cada receita é acompanhada por pequenos textos escritos por pessoas que experimentaram esses pratos em diferentes momentos da vida. Em vez de depoimentos, Suzi prefere chamá-los de afetos, registros de lembranças, encontros e histórias que nasceram ao redor da mesa.
O livro também revela como a cozinha de Suzi se entrelaça com a história cultural da periferia paulistana. Durante anos, muitos desses pratos circularam entre artistas, poetas e amigos ligados ao Sarau do Binho e outros movimentos culturais da zona sul, onde comida, poesia e conversa sempre andaram juntas.
Trecho:
“Acredito que este livro será um dispositivo de memória, capaz de nos conduzir a momentos coletivos. As receitas aqui reunidas são mais do que um simples passo a passo -são um convite a partilhar e desfrutar encontros, a ser e dar abrigo. Lembram-nos que a cozinha é um território de produção e sustentação de afetos e que, assim como o amor, cozinhar também é um ato político.”
(Prefácio de Diana Sales, página 13)
SEXTANTE PREMIADA
A Editora Sextante foi a vencedora do Prêmio PublishNews de Editora do Ano, como o grupo que teve melhor performance no mercado livreiro nacional. O prêmio busca reconhecer o trabalho coletivo de selecionar e comercializar obras que, ao mesmo tempo, atraiam público leitor e se mantenham com bom desempenho nas vendas.
HATOUM NA ABL
Na sexta-feira, dia 24 de abril, tomou posse na Academia Brasileira de Letras o escritor amazonense Milton Hatoum, tornando-se o primeiro autor nascido naquele estado a ocupar uma cadeira na instituição, a de número 6, pertencente ao jornalista e escritor Cícero Sandroni. Autor do consagrado “Dois irmãos,” Hatoum tem uma obra marcada pela memória, conflitos familiares e pela construção simbólica da Amazônia, sendo considerado um dos nomes centrais da literatura brasileira contemporânea.
Leituras:
“As palavras do poeta volteiam incessantemente em redor das portas do paraíso e batem implorando a imortalidade.”
-Johann Wolfgang von Goethe (28 de agosto de 1749/22 de março de 1832), polímata, autor e estadista alemão, uma das mais importantes figuras da literatura universal, com uma vasta produção que inclui romances, peças de teatro, poemas, ensaios, sendo “Fausto” e “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, consideradas suas obras-primas.
Destaques:
O CARRO DE APOLO CAPOTOU NO HORIZONTE

Autora: Milena Martins Moura
Nascida no Rio de Janeiro em 1986, Milena é poeta, editora, tradutora e pesquisadora, mestre em Literatura Brasileira pela UERJ e doutoranda em Literatura Comparada pela UFF. Autora de quatro livros, semifinalista do Prêmio Jabuti 2024 e finalista do Prêmio Sesc de Literatura 2025, tem poemas traduzidos para o espanhol e o tcheco. Autista, nesta obra ela relata a experiência do espectro sem recorrer a explicitações didáticas, tratando o autismo como forma possível de existência, não como erro a ser ajustado.
Macabea Edições. 185 páginas.
BOAS MENINAS SE AFOGAM EM SILÊNCIO

Autora: Andressa Tabaczinski
Livro de estreia desta médica e escritora gaúcha, 35 anos, finalista do Prêmio Jabuti 2025 na categoria romance de entretenimento. Ambientado na alta sociedade curitibana, o romance parte de um feminicídio brutal para tensionar valores conservadores, privilégios e dinâmicas de poder. Articulando feminicídio e repressão à sexualidade feminina, o romance evidencia como estruturas conservadoras podem operar como dispositivos de silenciamento. Nascida em Passo Fundo (RS), criada em Balneário Camboriú (SC) e atualmente residente em Brasília (DF), Andressa finaliza seu segundo romance, um thriller psicológico ambientado no litoral do Rio Grande do Sul.
Editora Rocco. 272 páginas.
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(As obras mencionadas no Blog dos Livros podem ser encontradas na Revistaria e Livraria Nascente, localizada na Rua Saldanha Marinho, 1423, Cachoeira do Sul)
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