Um clássico radical

17/06/22 às 09h00 - por Mildo Fenner



Lançado    em     1999,   “A casa dos budas ditosos” (Editora Alfaguara, 126 páginas, R$ 47,90), de João Ubaldo Ribeiro,  foi o quarto volume da série “Plenos Pecados”,  dedicado à luxúria. Esse surpreendente relato das aventuras sexuais de uma mulher identificada   pelas iniciais CLB marcou época e conquistou  um número imenso de leitores, cutucando, ainda, os moralistas de plantão.

Com    cerca   de 90 mil exemplares vendidos, o livro é um clássico  radical da literatura erótica. Como diz o próprio autor, não há nada mais irresistível, porque “esse depoimento não é um romance, mas é olhar pelo buraco da fechadura.”

 Em    2004,    seguindo    o  que se tornou  uma tradição  dos romances de Ubaldo, a obra foi adaptada para o teatro por Domingos de Oliveira, num monólogo estrelado por Fernanda Torres, que assina o prefácio da edição. O espetáculo ficou em cartaz  por mais de uma década,  levando as memórias de orgias, voyeurismo e sadismo dessa impagável libertina para mais de 700 mil pessoas  em todo o Brasil. 

  O livro mereceu enormes elogios. A acadêmica Nélida Pinon disse que a obra “é ideal para quem quer entrar na literatura de João Ubaldo Ribeiro de forma divertida, pela luxúria, por meio de provocação, com linguagem indecorosa no melhor sentido.” Por sua vez, José Castello, do Estado de São Paulo, afirmou: “A literatura  brasileira ainda não tinha produzido um romance na linhagem  do erotismo elegante e radical, e coube a João Ubaldo fazê-lo.  Não é um livro para leitores sem malícia, moralistas e pudicos.”

João    Ubaldo     Ribeiro    nasceu em Itaparica,  Bahia, em 23 de janeiro de 1941. Seu primeiro romance foi “Setembro não tem sentido,” em 1968, e depois escreveu  obras que estão entre as mais importantes da literatura brasileira: “Sargento Getúlio” (1971), adaptado ao cinema em 1983, e “Viva o povo brasileiro” (1984). 

Venceu    importantes    prêmios literários, entre eles, o Camões (2008) -e manteve colunas em O Globo e O Estado de São Paulo. Em 1994, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Faleceu em julho de 2014, no Rio de Janeiro, aos 73 anos.
 
Trecho:
“Sim, eu fiquei com pena dele. Pena propriamente   não,  preciso de uma palavra mais adequada. Fiquei numa postura  meio filosófica, meio melancólica... Não é bem melancólica, é a de um sorriso chapliniano, talvez. Eu tinha todas as armas, ele só tinha obrigações, só podia reagir como estava no código, e eu joguei tudo em cima dele. Bombardeio de saturação,  artilharia e infantaria blindada.  Eu era linda de arrepiar, até hoje sou bonita,  mas claro que não tenho o viço da juventude e sei que não tenho o mesmo olhar; depois dos quarenta ninguém tem o mesmo olhar. Mas nesse dia eu tinha tudo.”
(página 58)
        
UMA VIDA ROUBADA    
De autoria  do escritor argentino Santiago H. Amigorena, “Dias que não esqueci” (Editora Todavia, 160 páginas, R$ 59,90) conta a história de um homem que percebe que tem sua vida roubada porque sua esposa se apaixona por outro homem. Ele, então, entre a loucura e o desespero,  resolve  cruzar a Itália para entender o momento que está vivendo, evocando a sua mulher pelas ruas de Roma, cidade em que viveu quando jovem. 

TRAUMA DE GUERRA   
Escritor    finalista    do    Prêmio   Jabuti, Paulo Stucchi escreveu o romance histórico “Um de nós foi feliz” (Editora Maquinaria Editorial, 352 páginas, R$ 49,90), inspirado  em Tânia Girke Vokart, gaúcha da cidade de Três Coroas. Ela presenciou o relacionamento abusivo  dos pais e  cresceu com o sentimento de rejeição e culpa e, entre o passado da família na Alemanha, onde o pai está enterrado, e o presente no Rio Grande do Sul, a obra trata dos dores provocadas  pela ideologia nazista e também sobre os dias atuais. 

Leituras:
“Livres    são     aqueles    que   criam, não aqueles que copiam; e livres são aqueles que pensam, não aqueles que obedecem. Ensinar é ensinar  a duvidar.”
(Eduardo   Galeano  (1940-2015),  jornalista     e  escritor uruguaio, autor de mais   de   40   livros,   traduzidos em vários idiomas).

Destaques:
ACIMA DE TUDO

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Autor:
Maximiliano Tozzini Bavaresco             
                 

O livro se propõe a ajudar o leitor a navegar no mundo pós-digital. Por meio da produção de conhecimento,  permite formular perguntas  e  destilar respostas, contribuindo para a formação de um líder atual e preparado para aproveitar as oportunidades. O livro detalha o conceito Above All@ e a metodologia   para aplicá-lo, incluindo relatos de empresas que o utilizaram  com bons resultados. Traz também um teste para se entender o estágio atual de maturidade do seu negócio.
Editora Sextante. 240 páginas.  R$ 47,90.
                                                          
O MORRO DOS VENTOS UIVANTES 

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Autor:
Emily Brontë                               
   
As habilidades narrativas  do escritor Emily Brontë são apresentadas  de maneira perturbadora nesta obra-prima da literatura universal.  O romance se passa  em uma atmosfera sombria e melancólica e revela, de maneira singular,  personagens carregados de emoção que experimentam os mais obscuros, controladores e  destrutivos  sentimentos. Uma combinação única de amor e  fatalidade. Emily Brontë  nasceu em 30 de julho de 1818, em Thornton, Inglaterra, e  faleceu aos 30 anos, vítima de tuberculose. Publicou este livro, considerado um clássico,  aos 28 anos. 
Editora Camelot. 288 páginas. R$ 19,90.           

(As obras apontadas  no Blog dos Livros  podem ser encontradas   junto à Revistaria e Livraria Nascente,  na Rua Saldanha Marinho,   1423, Cachoeira   do Sul) 

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Garantindo o futuro financeiro