Blog dos Espíritos

A fé e a caridade

06/05/2024 10:15 - por Rosane Sacilotto

Superar egoísmo e materialismo
A fé expressa o sentimento do homem em relação à existência da vida, sua razão e às relações entre os homens e seu Criador. Ter fé é acreditar, dentro de nós, em algo maior que nós mesmos e nosso mundo, responsável por tudo que há ao nosso redor e por nós também. É reconhecer-se criatura e confiar no Criador. Sem ela, a vida perde seu sentido mais amplo, a caridade, o desejo de progresso e do bem-estar alheios se esvaem, cedendo lugar às satisfações materialistas, aos prazeres efêmeros, ao egoísmo e ao orgulho.

Quando indagados a respeito das dificuldades que o homem possui em dominar suas más inclinações, os Espíritos Superiores responderam a Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, que sempre se pode conseguir a libertação quando a pessoa tem em si uma vontade firme e poderosa. Vontade é fé.

O comportamento caridoso ainda não é algo espontâneo e natural em muitos de nós. Sua prática, em determinadas circunstâncias, ainda nos causa um certo desconforto. E quantas são as desculpas que produzimos para não nos envolvermos com o próximo. É a falta de tempo, de recursos financeiros, de oportunidade. Por outro lado, quantas são as situações em que nos cobramos uma atitude de maior ação em prol do outro. A prática do bem, para a pessoa que tem fé, está acima da materialidade. Precisamos lutar contra o egoísmo, promovendo o bem ao próximo, abafando o orgulho, olhando para o outro e vendo nele um irmão e não alguém inferior.

Conselho de Paulo de Tarso
Paulo de Tarso, no Capítulo XV de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” nos apresenta grandioso ensinamento: “Meus filhos, na máxima ‘fora da caridade não há salvação’ estão encerrados os destinos dos homens, na Terra e no céu; na Terra, porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no céu, porque os que a houverem praticado acharão graças diante do Senhor. Essa divisa é o facho celeste, a luminosa coluna que guia o homem no deserto da vida, encaminhando-o para a Terra da Promissão.

Ela brilha no céu, como auréola santa na fronte dos eleitos, e, na Terra, se acha gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá: Passai à direita, benditos de meu Pai. Reconhecê-los-ei pelo perfume de caridade que espalham em torno de si. Nada exprime com mais exatidão o pensamento de Jesus, nada resume tão bem os deveres do homem, como essa máxima de ordem divina. Não poderia o Espiritismo provar melhor a sua origem, do que apresentando-a como regra, por isso que é um reflexo do mais puro Cristianismo. Levando-a por guia, nunca o homem se transviará”.

Em todos os tempos houve criaturas que ensinaram a caridade, mas poucos a praticaram verdadeiramente como Jesus, que não apenas a exemplificou em todos os seus atos, mas também a recomendou como caminho redentor que pode levar a criatura humana ao reino dos céus.   

Exercer a caridade e a fé
Praticar a caridade é tentar colocar-se no lugar daquele que vivencia a dor, o sofrimento e a necessidade, e que nem sempre nos pede. É ter a capacidade de compreender o que ele necessita, como ele deve estar vivendo aquele momento, em um movimento voluntário que é iniciado pelo sentimento de solidariedade, levando-nos à conclusão de que a prática da caridade não apenas nos torna um ser melhor, mas também nos habilita a viver melhor.

Sempre há condições e oportunidades para o exercício da caridade, pois não há quem não possa doar algo, dedicar atenção a um irmão, vibrar positivamente por alguém. Realizar uma prece para aqueles que necessitam. Cada indivíduo, porém, procura e encontra meios de realizar o bem de acordo com a sua evolução espiritual. Mas, à medida que compreende que fora da caridade não há salvação, ou seja, evolução, o Espírito esforça-se por praticá-la em suas diversas manifestações, eliminando, assim, gradualmente, o orgulho e o egoísmo, na exata proporção que se eleva a Deus.

Assim, a fé, quando desenvolvida, pode ser um grande instrumento da prática do bem. Com ela, podemos estender as mãos abençoando os que sofrem, os doentes, os aflitos e os perdidos. Busquemos a fé verdadeira e ela nos levará ao exercício inevitável da caridade.

O verdadeiro sentido da caridade como a entendia Jesus, de acordo com “O Livro dos Espíritos”, na pergunta 886, é: benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições alheias e perdão das ofensas. Esta resposta de Jesus nos demonstra que, apesar de sermos imperfeitos, estamos no caminho, como filhos de Deus, caminhando legitimamente para a perfeição. 

KARDEC, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”; “O Livro dos Espíritos”.

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