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Federico García Lorca

28/09/2022 08:51 - por Tiago Vargas

Poeta e dramaturgo, Federico García Lorca (1898-1936) foi um dos autores fundamentais da poesia do século XX. O espanhol nascido em Granada exerceu influência sobre vários autores/mestres, entre os quais Pablo Neruda. RomanceroGitano, sua obra mais relevante é um dos livros mais traduzidos em todos os tempos. Sua lírica forte e peculiar abarcou componentes sociais contundentes (cantou através de versos com extrema sensibilidade a alma popular de sua gente num retrato fiel e consciente da distância entre sua família burguesa e o povo andaluz). García Lorca incorporou em seus escritos temas e recursos poéticos que vão das canções populares (flamenco) até a cultura cigana, passando pelo barroco de Góngora e pela arte surrealista de Salvador Dalí. Para o poeta espanhol, o cigano, além de fonte de inspiração, incorporava e sintetizava a marginalização (a alienação do homem pelo próprio homem). Sua poética moveu-se com relevância entre o racional e o visceral, entre o inevitável e o imponderável, numa espécie de tradução literal da angústia; transitou com preeminência entre a dor e o canto da vida.Composto de uma intensidade ímpar revelou um universo semântico e imagético atordoante.No auge de sua produção intelectual (Início da Guerra Civil Espanhola) foi fuzilado por militares franquistas. Poeta das imagens, da musicalidade, da sugestão, da originalidade, da luz interior, do verso espontâneo...Um dos melhores poetas da era contemporânea.


Cata Vento
Vento do sul,
Moreno, ardente,
Que passas sobre minha carne,
Trazendo-me semente
De brilhantes
Olhares, empapado
De flores de laranjeiras.
Federico García Lorca


Volta de passeio 
Assassinado pelo céu,
entre as formas que vão até a serpente
e as formas que buscam o cristal,
deixarei crescer meus cabelos.
Com a árvore de cotos que não canta
e o menino com o branco rosto de ovo.
Com os animaizinhos de cabeça rota
e a água esfarrapada dos pés secos.
Com tudo o que tem cansaço surdo-mudo
e borboleta afogada no tinteiro.
Tropeçando com meu rosto diferente de cada dia.
Assassinado pelo céu!

A rosa
não buscava a aurora:
quase eterna no ramo
buscava outra coisa.
A rosa
não buscava ciência nem sombra:
confim de carne e sonho,
buscava outra coisa.
A rosa
não buscava a rosa:
imóvel pelo céu
buscava outra coisa.
Federico García Lorca

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