Blog dos Espíritos

Lei de Adoração

21/08/2023 08:55 - por Rosane Sacilotto

Adorar a Deus
A Doutrina Espírita, através da Codificação, nos ensina que adorar “é elevar o pensamento a Deus, aproximando Dele a alma”. Este sentimento é inato, assim como a certeza da existência de Deus, e está na Lei Natural, existindo em todos os povos, mesmo que sob formas diferentes.

Quanto às manifestações exteriores, os Espíritos Superiores nos esclarecem que “a adoração verdadeira é do coração. Em todas as vossas ações, lembrai-vos sempre de que o Senhor tem sobre vós o seu olhar”. E sobre a utilidade das adorações exteriores, complementam: “é sempre útil dar um bom exemplo.

Mas os que somente por afetação e amor-próprio o fazem, desmentindo com o proceder a aparente piedade, mau exemplo dão e não imaginam o mal que causam. Deus prefere os que o adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, aos que julgam honrá-lo com cerimônias que os não tornam melhores para com os seus semelhantes. Todos os homens são irmãos e filhos de Deus. Ele atrai a si todos os que lhe obedecem às leis, qualquer que seja a forma sob que as exprimam”.

Certo dizer que toda forma de adoração que somente sai dos lábios, mas que não encontra raízes no íntimo do coração é hipócrita e aquele que diz adorar a Deus, mas é orgulhoso, invejoso e ambicioso com os bens materiais não passará sem ser descoberto por Deus, que tudo sabe e tudo vê. “A Deus não podem agradar os que fingem humilhar-se diante dele tão somente para granjear o aplauso dos homens”.

Questionados sobre a vida contemplativa para adoração à Deus, encontramos mais esclarecimentos no Livros do Espíritos: “se é certo que não fazem o mal, também o é que não fazem o bem e são inúteis. Ademais, não fazer o bem já é um mal. Deus quer que o homem pense nele, mas não quer que só nele pense, pois que lhe impôs deveres a cumprir na Terra. Quem passa todo o tempo na meditação e na contemplação nada faz de meritório aos olhos de Deus, porque vive uma vida toda pessoal e inútil à humanidade, e Deus lhe pedirá contas do bem que não houver feito”. 

A prece
A melhor forma de adorar a Deus e nos colocarmos em comunhão direta com ele é através da prece, que “é sempre agradável a Deus quando ditada pelo coração, pois, para ele, a intenção é tudo. Assim, preferível lhe é a prece do íntimo à prece lida, por muito bela que seja, se for lida mais com os lábios do que com o coração. Agrada-lhe a prece, quando dita com fé, com fervor e sinceridade. Mas não creiais que o toque a do homem fútil, orgulhoso e egoísta, a menos que signifique, de sua parte, um ato de sincero arrependimento e de verdadeira humildade”.

No livro Pensamento e Vida, Emmanuel nos diz que “a oração é divino movimento do espelho de nossa alma no rumo da Esfera Superior, para refletir-lhe a grandeza”. Mais à frente, o orientador espiritual diz que “orar é identificar-se com a maior fonte de poder de todo o Universo, absorvendo-lhe as reservas e retratando as leis da renovação permanente que governam os pensamentos da vida.

A prece impulsiona as recônditas energias do coração, libertando-as com as imagens de nosso desejo, por intermédio da força viva e plasticizante do pensamento, imagens essas que, ascendendo às Esferas Superiores, tocam as inteligências visíveis ou invisíveis que nos rodeiam, pelas quais comumente recebemos as respostas do Plano Divino, porquanto o Pai Todo-Bondoso se manifesta igualmente pelos filhos que se fazem bons”.

Como se vê no final destas lições de Emmanuel, recebemos as respostas divinas às nossas preces através das criaturas, encarnadas ou desencarnadas, ou seja, Deus ajuda os seus filhos sempre por meio dos seus filhos. Isso também já nos havia sido ensinado no Evangelho Segundo o Espiritismo: “através da prece, o homem atrai o concurso dos bons Espíritos, que vêm apoiá-lo em suas boas resoluções, e inspirar-lhe bons pensamentos.Adquire, assim, a força moral necessária para vencer as dificuldades e reentrar no caminho reto, se dele se afastou; e também assim pode desviar de si os males que atrairia por sua própria falta”.  

E citando mais uma vez os ensinos de Emmanuel, através do médium Chico Xavier, vemos que: “… a prece deve ser cultivada, não para que sejam revogadas as disposições da Lei Divina, mas a fim de que a coragem e a paciência inundem o coração de fortaleza nas lutas ásperas, porém necessárias”, que vem completar o que os Espíritos Superiores trouxeram na segunda parte do item 7 do Capítulo XXVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, no sentido de que “o que Deus lhe concederá, se se dirigir a Ele com confiança, é a coragem, a paciência e a resignação”.

Como o poder da prece está no pensamento, não dependendo das palavras, do lugar ou do momento em que é feita, mas da franqueza de coração e de sentimento de quem a professa, há que se ficar com o que é pronunciado pelos benfeitores espirituais no final do item 12 do Capítulo XXVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo: “A prece é recomendada para todos os espíritos. Renunciar à prece é ignorar a bondade de Deus; é rejeitar sua assistência para si mesmo, e, para os outros, o bem que se lhes pode fazer”.

Fazer o bem é a maior adoração
E finalizando os ensinamentos da Codificação acerca da Lei de Adoração, os Espíritos Superiores nos deixam importante conselho: “Deus abençoa sempre os que fazem o bem. O melhor meio de honrá-lo consiste em minorar os sofrimentos dos pobres e dos aflitos. Não quero dizer com isto que ele desaprove as cerimônias que praticais para lhe dirigirdes as vossas preces. Muito dinheiro, porém, aí se gasta que poderia ser empregado mais utilmente do que o é.

Deus ama a simplicidade em tudo. O homem que se atém às exterioridades e não ao coração é um espírito de vistas acanhadas. Dizei, em consciência, se Deus deve atender mais à forma do que ao fundo”.

Assim, que tenhamos Deus em nosso coração, em nossas preces e principalmente em nossos atos, auxiliando sempre nossos irmãos, elevando nosso pensamento em louvor, em pedidos de força e coragem e principalmente em gratidão. 

KARDEC, Allan – “O Livros dos Espíritos”, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”;
XAVIER, Francisco C. -  Emmanuel - “Pensamento e vida”, “Emmanuel”.

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